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No Reino Unido, a autoescola é tão difícil que candidatos usam dublês, fones escondidos e outros meios ilegais para obter a carteira de motorista

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 02/02/2026 às 17:35
Autoescola no Reino Unido enfrenta crise com provas difíceis, espera de até cinco meses e aumento de fraudes com dublês e dispositivos ilegais.
Autoescola no Reino Unido enfrenta crise com provas difíceis, espera de até cinco meses e aumento de fraudes com dublês e dispositivos ilegais.
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Autoescola no Reino Unido enfrenta crise com provas difíceis, espera de até cinco meses e aumento de fraudes com dublês e dispositivos ilegais.

Motoristas sem preparo adequado estão chegando às ruas do Reino Unido, não por falhas mecânicas, mas por brechas humanas em um sistema cada vez mais difícil de acessar.

A crise na autoescola britânica, marcada por exames rigorosos e longas filas, desencadeou um crescimento expressivo de fraudes, colocando em xeque a segurança viária e a credibilidade do processo de habilitação.

O problema envolve candidatos, intermediários ilegais e até organizações especializadas em burlar provas teóricas e práticas.

Segundo autoridades, a situação se intensificou nos últimos anos e pode se prolongar até 2027, caso nenhuma mudança estrutural seja implementada.

Autoescola no Reino Unido: Fraudes crescem antes mesmo do volante

Antes mesmo de dirigir, muitos candidatos já enfrentam um obstáculo decisivo: conseguir um horário para realizar os testes obrigatórios.

Em algumas regiões, a espera ultrapassa cinco meses, criando um ambiente propício para soluções fora da lei.

Dados da Driver and Vehicle Standards Agency (DVSA) apontam que quase 2.900 tentativas de fraude foram registradas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no período encerrado em setembro de 2025.

O volume representa um aumento de 47% em comparação com os 12 meses anteriores.

Autoescola no Reino Unido vira terreno fértil para golpes

Com o sistema sobrecarregado, surgiu uma indústria paralela que promete acelerar aprovações.

O método mais recorrente envolve o uso de fones de ouvido Bluetooth conectados a celulares escondidos, permitindo que terceiros transmitam respostas durante o exame teórico.

Mais de 1.100 ocorrências desse tipo foram identificadas pelas autoridades.

Ainda assim, esse já não é o único caminho usado pelos fraudadores.

Dublês assumem exames no lugar dos candidatos na autoescola

Entre as irregularidades identificadas pelas autoridades, a mais preocupante é a troca de identidade durante os exames.

Em vez do candidato oficial, outra pessoa comparece ao local para realizar a prova, prática que configura falsidade ideológica e vem ganhando espaço no sistema de habilitação britânico.

Levantamentos oficiais apontam que essa estratégia foi tentada em mais de mil exames teóricos, além de quase 650 avaliações práticas.

O esquema movimenta valores elevados: profissionais do golpe chegam a cobrar até £ 2.000 — cerca de R$ 15,6 mil — para garantir a aprovação.

A gravidade do problema ficou evidente em um episódio recente, quando um homem foi sentenciado a oito meses de prisão após confessar que se passou por outros candidatos em 12 testes distintos, enganando repetidamente o sistema de controle.

Pandemia, bots e gargalos explicam a crise

A origem do problema está ligada a fatores acumulados ao longo do tempo. A pandemia reduziu drasticamente a capacidade de aplicação de testes, criando um passivo que ainda não foi eliminado.

Além disso, bots passaram a reservar vagas automaticamente, que depois são revendidas ilegalmente.

Esse esquema reduz ainda mais as chances de quem tenta seguir o caminho regular, reforçando a percepção de que a autoescola no Reino Unido se tornou inacessível para parte da população.

O governo reconhece que o sistema só deve se normalizar totalmente após 2027.

Especialistas alertam para efeitos no trânsito do Reino Unido

Para profissionais da área de segurança viária, a consequência mais grave não é administrativa, mas humana.

Motoristas aprovados por meios ilegais tendem a ter menos preparo para lidar com situações de risco.

Isso pode resultar em aumento de acidentes, elevação nos custos de seguros e dificuldades jurídicas em casos envolvendo sinistros graves.

A confiança no sistema de habilitação também sai prejudicada.

Medidas atuais não resolvem o problema central

A DVSA afirma ter intensificado verificações de identidade, ampliado a vigilância nos exames e treinado equipes para detectar irregularidades.

Apesar disso, especialistas avaliam que as ações não atacam o núcleo da crise.

Enquanto a autoescola no Reino Unido continuar excessivamente difícil, com acesso limitado e longas esperas, a tendência é que as fraudes sigam crescendo, alimentadas pelo desespero de quem precisa dirigir para trabalhar ou estudar.

O cenário atual revela um paradoxo: quanto mais rígido e lento o sistema se torna, maior é o incentivo à trapaça.

Para especialistas, a solução passa por ampliar a oferta de testes, modernizar o agendamento e fechar brechas tecnológicas.

Sem isso, o país corre o risco de transformar um processo criado para garantir segurança em um fator adicional de insegurança nas estradas do Reino Unido

Fonte: AutoPapo

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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