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Austrália entrega à Marinha dos EUA o Speartooth, submarino-drone gigante de até 12 metros capaz de operar escondido por 2.000 km, mergulhar a 2.000 metros e atuar como arma subaquática sem tripulação em missões de vigilância, reconhecimento e ataque

Escrito por Ana Alice
Publicado em 21/05/2026 às 23:58
Assista o vídeoSubmarino-drone Speartooth vendido à Alemanha amplia uso de veículos subaquáticos autônomos em vigilância, ataque e defesa no fundo do mar. (Imagem: Ilustrativa)
Submarino-drone Speartooth vendido à Alemanha amplia uso de veículos subaquáticos autônomos em vigilância, ataque e defesa no fundo do mar. (Imagem: Ilustrativa)
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O Speartooth inaugura nova etapa dos drones submarinos militares, com operação autônoma, módulos adaptáveis e uso previsto em vigilância, reconhecimento, ataque e monitoramento de áreas estratégicas no fundo do mar.

A empresa australiana C2 Robotics anunciou a venda do Speartooth à Alemanha, por meio de parceria com a Eurobotics GmbH, em um acordo que leva ao mercado europeu um veículo subaquático autônomo de grande porte voltado a missões militares sem tripulação.

O equipamento, classificado como LUUV, sigla em inglês para grande veículo subaquático não tripulado, pode chegar a 12 metros de comprimento, conforme a configuração de carga útil adotada.

O anúncio foi feito em 20 de maio de 2026, na sede da C2 Robotics, em Melbourne, com a presença de Pat Conroy, ministro da Indústria de Defesa da Austrália.

De acordo com a empresa, a operação marca a estreia europeia do Speartooth e ocorre após uma entrega anterior aos Estados Unidos, citada pela companhia como parte da expansão internacional do sistema.

Drone submarino Speartooth opera sem tripulação

O Speartooth não funciona como um submarino convencional tripulado.

A plataforma foi desenvolvida para cumprir missões programadas ou supervisionadas a distância, com sensores, sistemas de navegação e compartimentos modulares capazes de receber diferentes cargas úteis.

A C2 Robotics apresenta o modelo como um veículo autônomo subaquático de grande porte, projetado para operações marítimas escaláveis, com desenho modular e possibilidade de integração de equipamentos conforme a missão.

Na prática, essa arquitetura permite adaptar a mesma estrutura para tarefas como vigilância, reconhecimento, logística ou emprego de cargas militares, sem a presença de militares a bordo.

A versão-base informada pela empresa tem cerca de 8 metros de comprimento.

Conforme dados divulgados sobre o programa, a plataforma pode ser configurada em versões maiores, chegando a aproximadamente 12 metros, a depender dos módulos instalados.

Publicações especializadas também descrevem o Speartooth como um sistema voltado a missões de longo alcance, embora parte das especificações operacionais permaneça restrita por se tratar de tecnologia militar.

Speartooth LUUV para exportação aos EUA. Foto: C2 Robotics
Speartooth LUUV para exportação aos EUA. Foto: C2 Robotics

Navegação subaquática exige sensores e autonomia

A operação de um drone submarino depende de soluções diferentes das usadas por drones aéreos.

Em grande profundidade, a comunicação por rádio e o uso contínuo de GPS enfrentam limitações físicas, o que exige sensores, navegação inercial e sistemas próprios para orientar o deslocamento.

No caso do Speartooth, informações divulgadas pela C2 Robotics indicam uma plataforma com arquitetura aberta e integração de diferentes cargas úteis.

O veículo também aparece em publicações do setor como equipado com recursos de navegação, conectividade e prevenção de colisões, elementos necessários para deslocamentos autônomos ou semiautônomos em ambiente subaquático.

Esse conjunto técnico permite que o equipamento execute rotas previamente definidas, colete informações e retorne dados ao operador conforme a configuração escolhida.

A autonomia de decisão, nesse tipo de sistema, não elimina a supervisão humana; ela reduz a necessidade de controle contínuo durante todo o trajeto, especialmente em missões de longa duração.

Cabos submarinos entram no debate estratégico

Cabos submarinos transportam grande parte das comunicações digitais entre continentes e fazem parte da infraestrutura crítica global.

Por isso, veículos capazes de operar próximos ao fundo do mar passaram a ser observados com mais atenção por governos, Forças Armadas e empresas de defesa.

A C2 Robotics afirma que o Speartooth é voltado a missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, ataque e logística no mar.

Em comunicado sobre a Estratégia Nacional de Defesa da Austrália de 2026, a empresa também associou o sistema a operações no leito marinho, área conhecida no setor militar como “seabed warfare”.

A relação com cabos submarinos deve ser tratada nesse contexto.

Plataformas capazes de navegar em profundidade podem ser usadas para monitorar, proteger ou, em cenários militares, ameaçar estruturas instaladas no fundo do mar.

No caso da venda à Alemanha, porém, a C2 Robotics não divulgou publicamente missão específica contra cabos, nem detalhou a carga útil que será entregue ao comprador.

Alemanha entra no mercado europeu do Speartooth

A venda à Alemanha amplia a atuação internacional da C2 Robotics e estabelece a Eurobotics GmbH como parceira da empresa na Europa.

Segundo a companhia australiana, a parceria prevê apoio a vendas europeias e a países da Otan, além de cooperação industrial ligada ao Speartooth.

Troy Duggan, CEO da C2 Robotics, afirmou no comunicado da empresa que países aliados reconhecem a necessidade de proteger linhas marítimas de comunicação em um ambiente estratégico mais incerto.

A declaração foi apresentada pela companhia no contexto da expansão do Speartooth para o mercado europeu.

Lars Zander, diretor de operações da Eurobotics, também vinculou o acordo à ideia de plataformas autônomas distribuídas.

Em nota, ele disse que o Speartooth é construído sobre o princípio de “Small, Smart, Many”, expressão usada pela empresa para resumir a proposta de empregar sistemas menores, inteligentes e numerosos em operações subaquáticas.

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Drones subaquáticos ganham espaço em estratégias navais

O interesse por veículos subaquáticos não tripulados cresceu em programas de defesa porque esses sistemas podem ampliar a presença no mar sem exigir a mesma estrutura de submarinos tripulados.

A proposta não substitui, por si só, meios navais tradicionais, mas acrescenta uma camada de operação autônoma em missões de vigilância, reconhecimento e transporte de cargas militares.

A Estratégia Nacional de Defesa da Austrália de 2026 também incluiu o Speartooth na futura estrutura de força da Força de Defesa Australiana, segundo comunicado da C2 Robotics.

O plano citado pela empresa prevê uma frota de grandes veículos subaquáticos não tripulados para missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, ataque e logística no ambiente marítimo.

Relatos especializados indicam que o Speartooth já havia sido entregue aos Estados Unidos antes do anúncio da venda alemã.

A C2 Robotics realizou uma cerimônia de comissionamento e batismo do veículo destinado aos norte-americanos, em evento no qual um braço robótico quebrou uma garrafa de champanhe no casco, com supervisão humana no processo.

O avanço desses sistemas também muda a forma como infraestruturas submarinas são vigiadas.

Em vez de depender apenas de navios, submarinos convencionais ou sensores fixos, países passam a avaliar plataformas móveis, autônomas e capazes de atuar em regiões de difícil acesso.

A adoção de drones submarinos militares ainda envolve pontos não esclarecidos publicamente, como regras de engajamento, grau de autonomia em missões sensíveis e mecanismos de identificação em áreas disputadas.

Para leitores, pesquisadores e autoridades, a questão que fica é como diferenciar, no fundo do mar, uma plataforma de vigilância de uma ameaça em operação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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