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Atraso no salário de motoristas de ônibus em Campo Grande expõe crise financeira do sistema, afeta o pagamento do 13º salário e reorganiza o funcionamento do transporte coletivo na capital

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/12/2025 às 00:04
Atualizado em 12/12/2025 às 00:05
Motorista de ônibus em Campo Grande diante de coletivo, em clima de alerta por atraso salarial, 13º salário e ameaça de greve no transporte coletivo.
Motorista do Consórcio Guaicurus aparece em garagem de ônibus durante impasse sobre salário atrasado, 13º salário e possível greve em Campo Grande.
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Paralisação aprovada em assembleia envolve salário vencido, benefícios com vencimento próximo e impasse financeiro entre Consórcio Guaicurus e Poder Público

Uma nova crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou força nos últimos dias e, por isso, pode resultar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, 15 de dezembro. A decisão foi tomada após assembleia geral dos motoristas do Consórcio Guaicurus, realizada na madrugada de quinta-feira, 11 de dezembro, e aprovada por 100% dos trabalhadores presentes.

Desde então, o risco de a capital ficar sem ônibus passou a preocupar usuários e autoridades. Isso ocorre porque os motoristas condicionaram a continuidade do serviço ao pagamento integral de três verbas trabalhistas. Caso os valores não sejam quitados até domingo, 14 de dezembro, a paralisação será iniciada imediatamente.

Salário atrasado e benefícios com vencimento próximo elevam tensão

Primeiramente, os trabalhadores cobram o salário do 5º dia útil de dezembro, que deveria ter sido depositado em 5 de dezembro e permanece em atraso. Além disso, entrou na pauta a segunda parcela do 13º salário, com vencimento previsto para 20 de dezembro. Por fim, também é reivindicado o vale salarial (adiantamento), que vence na mesma data.

Dessa forma, a assembleia definiu que os três pagamentos devem ser realizados de forma conjunta. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), a proximidade dos vencimentos reforçou a decisão pela greve, evitando novas deliberações em curto espaço de tempo.

Sindicato endurece posição e descarta negociação parcial

De acordo com Demétrio Freitas, presidente do STTCU-CG, não há margem para negociação parcial. Conforme relatado, a decisão foi tomada após visitas às garagens da Viação Cidade Morena e da Viação Campo Grande. Caso os valores sejam pagos até o prazo definido, os motoristas seguirão trabalhando normalmente. Caso contrário, a greve será mantida até a quitação total.

Ainda segundo o sindicato, há indicativos de que o consórcio enfrenta dificuldades para honrar o 13º salário, o que ampliou a insatisfação da categoria e acelerou a deliberação pela paralisação.

Consórcio Guaicurus aponta crise financeira e falta de repasses

Por outro lado, o Consórcio Guaicurus, em nota enviada ao Correio do Estado, afirmou não ter recursos suficientes para custear a folha salarial, o 13º salário e os custos operacionais básicos, como combustível, manutenção da frota e encargos.

Segundo a concessionária, a situação decorre da inadimplência nos repasses do Poder Público, especialmente da Prefeitura de Campo Grande. Esses repasses envolvem subsídios, vale-transporte e componentes tarifários essenciais para o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.

Nesse contexto, o consórcio alertou que a interrupção das atividades pode ocorrer de forma legal, conforme previsto no artigo 624 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segundo a empresa, a continuidade da inadimplência inviabiliza o pagamento dos salários e ameaça diretamente a prestação do serviço.

Caso a paralisação se confirme, a mobilidade urbana de Campo Grande poderá ser severamente impactada, afetando trabalhadores, estudantes e serviços essenciais.

Histórico recente reforça clima de instabilidade

Vale lembrar que, em 22 de outubro de 2025, Campo Grande amanheceu sem ônibus após uma paralisação de duas horas, entre 4h30 e 6h30, causada pelo atraso no pagamento do vale de cerca de mil motoristas. Embora pontual, a paralisação gerou reflexos ao longo de todo o dia.

Posteriormente, o pagamento ocorreu apenas em 25 de outubro, cinco dias após o prazo. Já em 25 de novembro de 2025, novo atraso quase resultou em greve, evitada após a quitação.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, esses episódios estiveram ligados à falta de repasse de R$ 9 milhões, sendo R$ 6 milhões do Governo de Mato Grosso do Sul e R$ 3 milhões da Prefeitura de Campo Grande. Enquanto isso, a prefeitura afirmou, em nota de 22 de outubro de 2025, estar em dia com suas obrigações junto ao consórcio.

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Caio Aviz

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