Paralisação aprovada em assembleia envolve salário vencido, benefícios com vencimento próximo e impasse financeiro entre Consórcio Guaicurus e Poder Público
Uma nova crise no transporte coletivo de Campo Grande ganhou força nos últimos dias e, por isso, pode resultar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, 15 de dezembro. A decisão foi tomada após assembleia geral dos motoristas do Consórcio Guaicurus, realizada na madrugada de quinta-feira, 11 de dezembro, e aprovada por 100% dos trabalhadores presentes.
Desde então, o risco de a capital ficar sem ônibus passou a preocupar usuários e autoridades. Isso ocorre porque os motoristas condicionaram a continuidade do serviço ao pagamento integral de três verbas trabalhistas. Caso os valores não sejam quitados até domingo, 14 de dezembro, a paralisação será iniciada imediatamente.
Salário atrasado e benefícios com vencimento próximo elevam tensão
Primeiramente, os trabalhadores cobram o salário do 5º dia útil de dezembro, que deveria ter sido depositado em 5 de dezembro e permanece em atraso. Além disso, entrou na pauta a segunda parcela do 13º salário, com vencimento previsto para 20 de dezembro. Por fim, também é reivindicado o vale salarial (adiantamento), que vence na mesma data.
-
Fábrica da Nestlé em Araras, inaugurada em 1921, entra em nova fase com R$ 1 bilhão, inteligência artificial, automação industrial e aumento previsto na produção de café solúvel até 2028
-
A próxima vídeo locadora será o call center: inteligência artificial acelera mudança silenciosa no atendimento
-
Mineração em Jacobina e refino no Recôncavo Baiano viram motores de transformação e colocam o interior da Bahia no centro de uma nova onda de empregos e qualificação
-
Proibida pelos Estados Unidos de comprar as máquinas de litografia EUV que fazem chip moderno, a Huawei revelou a Lei Tau e promete um Kirin 53% mais denso já neste outono usando uma técnica que dispensa de vez a tecnologia que a China não pode importar
Dessa forma, a assembleia definiu que os três pagamentos devem ser realizados de forma conjunta. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), a proximidade dos vencimentos reforçou a decisão pela greve, evitando novas deliberações em curto espaço de tempo.
Sindicato endurece posição e descarta negociação parcial
De acordo com Demétrio Freitas, presidente do STTCU-CG, não há margem para negociação parcial. Conforme relatado, a decisão foi tomada após visitas às garagens da Viação Cidade Morena e da Viação Campo Grande. Caso os valores sejam pagos até o prazo definido, os motoristas seguirão trabalhando normalmente. Caso contrário, a greve será mantida até a quitação total.
Ainda segundo o sindicato, há indicativos de que o consórcio enfrenta dificuldades para honrar o 13º salário, o que ampliou a insatisfação da categoria e acelerou a deliberação pela paralisação.
Consórcio Guaicurus aponta crise financeira e falta de repasses
Por outro lado, o Consórcio Guaicurus, em nota enviada ao Correio do Estado, afirmou não ter recursos suficientes para custear a folha salarial, o 13º salário e os custos operacionais básicos, como combustível, manutenção da frota e encargos.
Segundo a concessionária, a situação decorre da inadimplência nos repasses do Poder Público, especialmente da Prefeitura de Campo Grande. Esses repasses envolvem subsídios, vale-transporte e componentes tarifários essenciais para o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.
Base legal e risco de interrupção do serviço
Nesse contexto, o consórcio alertou que a interrupção das atividades pode ocorrer de forma legal, conforme previsto no artigo 624 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segundo a empresa, a continuidade da inadimplência inviabiliza o pagamento dos salários e ameaça diretamente a prestação do serviço.
Caso a paralisação se confirme, a mobilidade urbana de Campo Grande poderá ser severamente impactada, afetando trabalhadores, estudantes e serviços essenciais.
Histórico recente reforça clima de instabilidade
Vale lembrar que, em 22 de outubro de 2025, Campo Grande amanheceu sem ônibus após uma paralisação de duas horas, entre 4h30 e 6h30, causada pelo atraso no pagamento do vale de cerca de mil motoristas. Embora pontual, a paralisação gerou reflexos ao longo de todo o dia.
Posteriormente, o pagamento ocorreu apenas em 25 de outubro, cinco dias após o prazo. Já em 25 de novembro de 2025, novo atraso quase resultou em greve, evitada após a quitação.
Conforme noticiado pelo Correio do Estado, esses episódios estiveram ligados à falta de repasse de R$ 9 milhões, sendo R$ 6 milhões do Governo de Mato Grosso do Sul e R$ 3 milhões da Prefeitura de Campo Grande. Enquanto isso, a prefeitura afirmou, em nota de 22 de outubro de 2025, estar em dia com suas obrigações junto ao consórcio.

Seja o primeiro a reagir!