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Cidade mais ‘japonesa’ do mundo está no Brasil: município com população com ascendência asiática abriga castelo japonês de 25 metros inspirado no Himeji, erguido com investimento de R$ 3 milhões

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/03/2026 às 13:31
Atualizado em 15/03/2026 às 13:37
Assista o vídeoAssaí, no Paraná, lidera o Censo 2022 com maior percentual de descendentes asiáticos do Brasil e abriga castelo japonês inspirado no Himeji.
Assaí, no Paraná, lidera o Censo 2022 com maior percentual de descendentes asiáticos do Brasil e abriga castelo japonês inspirado no Himeji.
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Levantamento do Censo 2022 do IBGE revelou que a cidade de Assaí, no norte do Paraná, tem a maior proporção de habitantes autodeclarados amarelos do Brasil, resultado de uma história de imigração japonesa que moldou a identidade cultural do município e deixou como símbolo um castelo de 25 metros inspirado no lendário Himeji.

Assaí, município localizado no norte pioneiro do Paraná, carrega um título que poucos brasileiros conhecem, mas que o Censo Demográfico de 2022 do IBGE confirmou com dados: é a cidade com a maior proporção de pessoas autodeclaradas amarelas do Brasil.

Com 11,5% de seus 13.797 habitantes identificados nessa categoria pelo instituto, Assaí construiu ao longo de décadas uma identidade cultural profundamente marcada pela herança japonesa, visível na arquitetura, nos costumes e, sobretudo, em um imponente castelo que domina a paisagem da cidade.

A história dessa presença começa na década de 1930, quando a chegada de imigrantes japoneses transformou a região, então chamada de “Assailand” ou “Terra do Sol Nascente”, em um dos principais núcleos de colonização oriental do sul do Brasil.

Castelo japonês de 25 metros marca a paisagem da cidade

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Para honrar essa herança, Assaí ergueu o Memorial da Imigração Japonesa, considerado o primeiro castelo japonês construído no território brasileiro.

Inaugurado em 2018, o monumento foi inspirado no famoso Castelo de Himeji, patrimônio histórico localizado na província de Hyogo, no Japão — região que mantém laços formais com o estado do Paraná por meio de uma relação de co-irmandade.

A construção demandou um investimento de R$ 3 milhões e possui quatro pavimentos que se estreitam progressivamente em direção ao alto, atingindo 25 metros de altura na torre principal.

Situado no ponto mais elevado da cidade, o castelo pode ser avistado de rodovias próximas, funcionando como cartão-postal da região para quem passa pela área.

O espaço não é apenas decorativo: funciona como um centro cultural dinâmico, oferecendo visitas guiadas, eventos e exposições relacionadas à história da imigração japonesa no Paraná e no Brasil.

O memorial é totalmente acessível, contando com elevadores para atender pessoas com deficiência e idosos, e fica localizado na Rua Presidente Kennedy, 480, com entrada gratuita para o público em geral.

Parque e infraestrutura cultural japonesa

Além do castelo, Assaí abriga o Parque Ikeda, um dos principais espaços de lazer do município, que combina infraestrutura para atividades físicas com elementos da cultura japonesa, oferecendo aos moradores e visitantes um ambiente que integra recreação e identidade cultural.

Esses equipamentos públicos fazem parte de um conjunto mais amplo de iniciativas que buscam preservar e divulgar a herança cultural japonesa na cidade, desde eventos gastronômicos e festivais folclóricos até programas educativos voltados à memória da imigração.

Região paranaense como polo da cultura oriental no Brasil

Assaí não é uma exceção isolada no mapa paranaense. Cidades vizinhas como Uraí e São Sebastião da Amoreira também figuram entre as localidades com maior proporção de descendentes de origem asiática no Brasil, consolidando o norte pioneiro do Paraná como um dos principais polos da cultura japonesa no país.

A concentração de descendentes nessa região está diretamente ligada ao padrão histórico de imigração japonesa no Brasil, que ao longo das décadas de 1920 a 1950 direcionou milhares de famílias para o interior de São Paulo e do Paraná, onde a abertura de novas frentes agrícolas criava demanda por mão de obra.

No caso do norte pioneiro paranaense, a produção de café foi o principal fator de atração, e muitas famílias de imigrantes japoneses que chegaram como trabalhadores rurais acabaram se tornando proprietários de terras e fundadores de comunidades que persistem até hoje.

A manutenção de tradições culturais, a criação de associações japonesas, escolas e templos budistas nessas comunidades ao longo de décadas criou condições para que a identidade japonesa se preservasse de forma robusta, mesmo com a integração progressiva das gerações mais jovens à cultura brasileira.

O resultado é uma região com características culturais únicas no cenário nacional, onde aspectos da culinária, da arquitetura, das festas populares e do calendário cultural refletem a convivência entre a herança japonesa e a cultura brasileira que se desenvolveu ao redor dela.

Para visitantes interessados em turismo cultural, Assaí oferece uma experiência singular no Brasil: a combinação de um castelo japonês histórico, um acervo cultural preservado e uma comunidade que mantém vivos os laços com o Japão, a pouco mais de três horas de Curitiba.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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