Em órbita baixa, um grupo reduzido de astronautas mantém pesquisas e operações em duas estações espaciais, com rotinas técnicas acompanhadas da Terra e missões que mostram como a presença humana fora do planeta continua limitada.
A mais de 400 quilômetros de altitude, 10 pessoas vivem atualmente fora da Terra, distribuídas entre a Estação Espacial Internacional, a ISS, e a estação espacial chinesa Tiangong.
Enquanto a vida segue no planeta, esses astronautas e cosmonautas trabalham em laboratórios orbitais, dependem de sistemas de suporte à vida e cumprem rotinas científicas em um ambiente controlado a partir da Terra.
Na ISS, estão sete tripulantes ligados a programas espaciais dos Estados Unidos, da Rússia e da Europa.
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Três chegaram a bordo da Soyuz MS-28, em novembro de 2025.
Outros quatro viajaram pela missão SpaceX Crew-12, lançada em fevereiro de 2026.
Na Tiangong, permanecem três astronautas chineses da Shenzhou-21, missão que teve a permanência ampliada por cerca de um mês, segundo a agência espacial chinesa.
Esse número resume, em escala humana, a presença contínua de pessoas em órbita baixa.
As missões envolvem tarefas de manutenção, experimentos em microgravidade, estudos sobre o corpo humano no espaço e testes de tecnologias usadas para sustentar operações de longa duração fora da Terra.
Astronautas na ISS mantêm operações em órbita
A Estação Espacial Internacional funciona como um laboratório orbital operado em parceria por diferentes agências.
A tripulação atual combina integrantes que chegaram por dois sistemas de transporte: a nave russa Soyuz e a Crew Dragon, da SpaceX, usada pela NASA dentro do programa comercial de voos tripulados.
A Soyuz MS-28 levou à estação o astronauta norte-americano Chris Williams e os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev.
O lançamento ocorreu em 27 de novembro de 2025, a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e a nave acoplou à ISS no mesmo dia.
Williams está em sua primeira missão espacial.
Na estação, atua como engenheiro de voo e participa de pesquisas e demonstrações tecnológicas ligadas à exploração humana do espaço.
O trabalho inclui atividades científicas em microgravidade e apoio à rotina operacional do laboratório.
Sergey Kud-Sverchkov ocupa função de comando na Expedição 74.
O cosmonauta já havia acumulado experiência em órbita antes da atual missão e integra a equipe responsável por coordenar tarefas no segmento russo da estação, incluindo checagens de sistemas, procedimentos de acoplamento e manutenção de equipamentos.
Sergei Mikaev também está em sua primeira viagem ao espaço.
Ele participa das operações diárias da ISS ao lado dos demais tripulantes e atua em tarefas técnicas relacionadas ao funcionamento do complexo orbital.
A missão dos três tem duração planejada de vários meses, dentro do esquema de rotação de tripulações entre Rússia, Estados Unidos e parceiros internacionais.
Missão SpaceX Crew-12 amplia equipe da estação espacial
O segundo grupo da ISS chegou pela missão SpaceX Crew-12, lançada em 13 de fevereiro de 2026 a partir da Flórida.
A tripulação é formada por Jessica Meir e Jack Hathaway, da NASA, Sophie Adenot, da Agência Espacial Europeia, e Andrey Fedyaev, da Roscosmos.
A missão faz parte do modelo em que a NASA contrata empresas privadas para transportar astronautas até a estação.
Com esse formato, a agência passou a usar regularmente veículos comerciais em suas rotações de tripulação, ao lado de acordos internacionais já existentes para o uso das naves Soyuz.
Jessica Meir é uma das astronautas do grupo com experiência anterior em órbita.
Em sua carreira, ganhou destaque por pesquisas na área biológica e por ter participado da primeira caminhada espacial exclusivamente feminina, realizada em uma missão anterior.
Na Crew-12, trabalha em experimentos ligados à biologia, à física e ao desempenho de equipamentos científicos em microgravidade.
Jack Hathaway vive sua primeira missão no espaço.
Como piloto da Crew-12, integra uma geração de astronautas treinada para operar em missões que combinam agências públicas e empresas privadas.
A bordo da ISS, participa de pesquisas e apoia a manutenção de sistemas necessários à operação da estação.
Sophie Adenot, astronauta francesa da ESA, também está em sua primeira missão orbital.
Sua presença reforça a participação europeia na ISS e inclui atividades científicas no módulo Columbus, usado para pesquisas desenvolvidas por instituições do continente.
Entre as áreas de trabalho estão biotecnologia, suporte médico em missões longas e testes de equipamentos.
Andrey Fedyaev completa o grupo da Crew-12.
O cosmonauta russo já havia viajado à ISS anteriormente e atua em tarefas operacionais, incluindo sistemas de ventilação, suporte à vida e integração entre atividades dos segmentos russo e internacional da estação.
Tripulação chinesa permanece na estação Tiangong
Além dos sete tripulantes da ISS, outros três humanos estão em órbita na estação chinesa Tiangong.
A missão Shenzhou-21 foi lançada em 31 de outubro de 2025, a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China.
A tripulação é formada por Zhang Lu, Wu Fei e Zhang Hongzhang.
Eles chegaram à Tiangong para uma permanência originalmente prevista em torno de seis meses, mas autoridades chinesas informaram em abril de 2026 que a missão seria estendida por aproximadamente um mês.
Zhang Lu comanda a missão e já tinha experiência anterior no espaço, obtida na Shenzhou-15.
Ele participa da fase de operação contínua da estação chinesa, que funciona como plataforma própria do país para pesquisas em órbita baixa.
Wu Fei tornou-se o astronauta chinês mais jovem enviado ao espaço, aos 32 anos no momento do lançamento.
Na Tiangong, atua como engenheiro de voo e participa de experimentos científicos, além de tarefas relacionadas ao funcionamento diário da estação.
Zhang Hongzhang é especialista de carga útil e faz sua primeira missão espacial.
Seu trabalho está ligado à condução e ao acompanhamento de experimentos a bordo, área usada pelo programa chinês para pesquisas em biotecnologia, medicina aeroespacial, materiais e tecnologias de suporte a missões futuras.
Como é a rotina de astronautas fora da Terra
A vida em órbita depende de procedimentos técnicos permanentes.
As tripulações precisam lidar com microgravidade, radiação, isolamento, ciclos de trabalho definidos e sistemas artificiais para respiração, abastecimento de água, controle de temperatura e comunicação com as equipes em solo.
Na ISS, astronautas e cosmonautas recebem cargueiros não tripulados com alimentos, combustível, peças e equipamentos científicos.
Em abril de 2026, uma nave Progress levou cerca de três toneladas de suprimentos ao complexo orbital.
Esse fluxo de cargas mantém a operação da estação e permite a continuidade dos experimentos.
Na Tiangong, a China adota uma operação própria, dentro de seu programa espacial tripulado.
A estação é usada para manter astronautas em órbita por períodos prolongados e testar tecnologias aplicáveis a missões futuras, conforme informações divulgadas pelo programa espacial chinês.
As duas estações mostram que a presença humana fora da Terra ainda envolve um grupo muito restrito.
Hoje, os 10 ocupantes em órbita representam a parcela da humanidade que vive e trabalha acima da atmosfera, em missões acompanhadas continuamente por equipes técnicas no planeta.

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