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A floresta incrível que parece saída de O Senhor dos Anéis: árvores retorcidas, musgo e névoa, um dos últimos refúgios de floresta temperada do Reino Unido ameaçado pelas mudanças climáticas

Publicado em 04/02/2026 às 12:45
Atualizado em 04/02/2026 às 13:05
Assista o vídeoFloresta, Névoa, Musgo
A enigmática Wistman’s Wood, floresta centenária em Dartmoor, Inglaterra, é conhecida pelo visual que lembra cenários de fantasia — Foto: Flickr/Bethan Phillips/Creative Commons
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Entre névoa, carvalhos retorcidos e lendas antigas, um raro fragmento florestal luta para sobreviver às pressões do turismo e do aquecimento global e desafios crescentes de conservação no Reino Unido

Entre carvalhos retorcidos, rochas cobertas de musgo e uma névoa quase permanente, a Wistman’s Wood parece existir fora do tempo. O pequeno fragmento florestal, situado nas partes altas do parque nacional Dartmoor, no sudoeste da Inglaterra, guarda um dos últimos exemplos de floresta temperada úmida do Reino Unido.

Trata-se de um tipo de ecossistema que, em épocas pré-históricas, se espalhava por grandes áreas da Grã-Bretanha, mas que hoje sobrevive apenas em manchas isoladas.

Um refúgio nas alturas de Dartmoor

A Wistman’s Wood está localizada entre 380 e 410 metros de altitude, em uma região marcada por ventos constantes e temperaturas mais baixas.

A proximidade com o oceano Atlântico mantém a umidade elevada durante praticamente todo o ano, criando as condições ideais para a existência da chamada floresta atlântica ou celta.

Esse conjunto de fatores molda um ambiente frio e extremamente úmido, essencial para a manutenção do bioma.

Apesar da aparência ancestral, os carvalhos que dominam a paisagem não são, em sua maioria, milenares. Pesquisas indicam que grande parte das árvores possui entre 400 e 500 anos.

Ainda assim, o crescimento baixo e os troncos retorcidos reforçam a sensação de antiguidade, resultado da ação combinada do vento, das baixas temperaturas e do solo raso.

Árvores que brotam da rocha

Em muitos pontos da floresta, praticamente não existe solo formado. As árvores crescem diretamente sobre grandes blocos de granito, com raízes expostas que se infiltram entre as fendas das pedras.

A fina camada de matéria orgânica acumulada ao longo dos séculos sustenta, sobretudo, musgos, líquens e plantas altamente especializadas nesse ambiente extremo.

O microclima constante favorece uma cobertura densa desses organismos sobre troncos, galhos e rochas.

O resultado é um cenário envolto em tons de verde, frequentemente mergulhado em névoa, que também altera a acústica local. Os sons parecem abafados, reforçando a sensação de isolamento e silêncio.

Riqueza botânica rara

A vegetação da Wistman’s Wood é dominada pelo carvalho-pedunculado (Quercus robur), acompanhado por freixos, faias e, em menor número, sorveiras, aveleiras e azevinhos.

Um dos maiores destaques é o líquen conhecido como cabelo-de-cavalo (Bryoria smithii), considerado extremamente raro e registrado em apenas dois pontos do Reino Unido.

Essa diversidade, embora discreta, revela a importância científica da área, que funciona como um verdadeiro laboratório natural para o estudo de ecossistemas antigos.

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Mitos, lendas e inspirações

A névoa persistente e as formas incomuns das árvores ajudaram a construir um imaginário popular em torno da floresta. Lendas locais associam o espaço a antigos sacerdotes celtas e a relatos de fantasmas.

Também existe a hipótese, nunca confirmada, de que a Wistman’s Wood tenha servido de inspiração para a Floresta de Fangorn, criada por J. R. R. Tolkien no universo de O Senhor dos Anéis.

Pressões modernas e conservação da floresta

Atualmente, menos de 1% do território britânico é classificado como floresta temperada, concentrado sobretudo em áreas próximas à costa atlântica, como Devon, Cornualha, o oeste da Escócia, o País de Gales e partes da Irlanda do Norte.

Nos últimos anos, a popularidade da Wistman’s Wood cresceu, impulsionada por redes sociais e produções audiovisuais.

O aumento de visitantes intensificou a pressão sobre musgos e líquens de crescimento extremamente lento.

A retirada dessas espécies é ilegal, e o pisoteio fora das trilhas oficiais já causou danos considerados irreversíveis em algumas áreas.

Além disso, um estudo publicado em 2024 indica que até 68% das florestas temperadas do mundo podem desaparecer nas próximas décadas se o aquecimento global continuar no ritmo atual.

Como resposta, em março de 2025, o Duque da Cornualha – William, o Príncipe de Gales – anunciou um projeto de regeneração, com o plantio de 450 árvores jovens e a criação de zonas cercadas.

A iniciativa busca ampliar a floresta e reproduzir, em escala controlada, o ecossistema ancestral que ainda resiste em Wistman’s Wood, reforçando a importância de preservar esse raro vestígio natural para as próximas gerações.

Com informações de Casa e Jardim.

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Romário Pereira de Carvalho

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