Contrato anunciado pela SLB em 29 de setembro prevê a engenharia submarina da primeira fase do Rovuma LNG, em Moçambique: equipamentos que vão controlar 18 poços a até 1.700 metros de profundidade.
A SLB informou em 29 de setembro de 2026 que sua joint venture OneSubsea vai fornecer a engenharia submarina da primeira fase do Rovuma LNG, em Moçambique. O pacote inclui árvores de natal, manifolds, umbilicais e sistemas de controle para poços em águas profundas.
O contrato foi dado pela ExxonMobil Moçambique, em nome dos sócios da Área 4 (ENH, CNPC, Eni, KOGAS e XRG). Contratar, porém, não é instalar: os equipamentos ainda serão projetados, fabricados e levados ao mar.
O que a SLB vai entregar no Rovuma LNG?
A SLB vai entregar o sistema de produção submarina completo da fase 1: árvores, manifolds, umbilicais e controles (o contrato foi noticiado pelo CPG em 30 de setembro). O escopo inclui engenharia, compras, fabricação e serviços de apoio à instalação, segundo o comunicado da SLB.
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Em 17 de agosto, a ExxonMobil informou ter fechado cerca de US$ 1,1 bilhão em contratos de pré-investimento para equipamentos de longa entrega do Rovuma LNG. A soma inclui vários fornecedores de válvulas e tubos.
O maior desses contratos ficou com a OneSubsea, informou a ExxonMobil, com apoio da Aker Solutions Moçambique para o trabalho dentro do país.
“O projeto Rovuma representa uma oportunidade significativa para o setor de GNL de Moçambique”, afirmou Mads Hjelmeland, presidente da SLB OneSubsea.
Como funciona a árvore de natal no fundo do mar?
A árvore de natal é o conjunto de válvulas montado em cima de cada poço, no leito marinho. No Brasil, a peça da engenharia submarina é chamada de árvore de natal molhada.

A descrição técnica da SLB explica que a árvore trabalha com a cabeça do poço para controlar o fluxo que entra e sai. A mesma peça liga a coluna do poço às instalações no fundo e na superfície.
O plano da ExxonMobil mostra 18 poços submarinos iniciais no Rovuma LNG, em profundidades de até 1.700 metros. Cada poço precisa da sua árvore para abrir, fechar e regular a saída do gás.
Para que serve o manifold na engenharia submarina?
O manifold é o ponto de encontro dos poços no fundo do mar. Ele recebe o gás de vários poços e junta tudo antes de mandar para os dutos.

Pela descrição da SLB, a estrutura também serve para testar, isolar, coletar amostras e medir quanto cada poço produz. Na engenharia submarina, é o manifold que evita um duto separado para cada poço.
A ExxonMobil detalha o desenvolvimento como 18 poços ligados a uma rede de dutos e manifolds submarinos. A instalação dessa rede ficará com o consórcio Saipem e Jan de Nul, selecionado em 10 de setembro, que assinou uma carta de intenções com a ExxonMobil.
O que os umbilicais levam até o leito do mar?
Os umbilicais são os cabos que ligam a superfície aos equipamentos no fundo. Por dentro, carregam energia elétrica, sinais de comando, fibra óptica e fluidos hidráulicos e químicos.

A SLB informa que eles também levam a injeção química que ajuda a evitar parafina e hidratos, depósitos que entopem as linhas. Sem os umbilicais, as válvulas não recebem ordem nem força.
Os sistemas de controle fecham o circuito da engenharia submarina. A SLB mostra que eles comandam árvores, manifolds, válvulas e chokes e devolvem dados de pressão e temperatura à operação.
Como o gás sai do fundo do mar e chega à usina em terra?
O gás sai dos poços, passa pelos manifolds e segue por cerca de 50 km de linhas submarinas até a planta em terra. Os números estão na página do projeto da ExxonMobil.
A usina fica em Afungi, na província de Cabo Delgado. A ExxonMobil informa que ela terá 12 módulos de liquefação elétricos, cada um com 1,55 milhão de toneladas de GNL por ano.
A conta a seguir é da redação: 12 módulos de 1,55 milhão de toneladas somam 18,6 milhões de toneladas por ano. É o total que a ExxonMobil divulga para a planta do Rovuma LNG.
Outra conta da redação: 1.700 metros de lâmina d’água são 1,7 km de mar entre o poço e a superfície. Toda essa engenharia submarina é operada à distância, pelos umbilicais e controles.
Quando a engenharia submarina do Rovuma LNG começa a produzir?
Ainda não há produção nem equipamento instalado. A meta de início de operação divulgada pela ExxonMobil é 2030.
Em 10 de setembro, a ExxonMobil informou que os sócios da Área 4 caminham para a decisão final de investimento em 2026. A empresa afirma que, na decisão, a fase 1 será o maior investimento privado da história da África.
Em Moçambique, a SLB afirmou que pretende abrir uma base de serviços para atender operadores da região, com treinamento e emprego local.
Pela estimativa informada pela ExxonMobil, serão cerca de 7.500 moçambicanos envolvidos na fase de obras e cerca de 700 empregos na fase de operação.
