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Enquanto a Marinha americana ainda dependeu por décadas dos mísseis subsônicos Harpoon e Tomahawk para combate naval, a Força Aérea dos EUA reativou em 12 de maio de 2026 o programa do AGM-183A ARRW em versão anti-navio capaz de fazer um porta-aviões classe Nimitz desaparecer em minutos

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 20/05/2026 às 19:00
Atualizado em 20/05/2026 às 19:02
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Enquanto a Marinha americana ainda dependeu por décadas dos mísseis subsônicos Harpoon e Tomahawk para combate naval, a Força Aérea dos EUA reativou em 12 de maio de 2026 o programa do AGM-183A ARRW em versão anti-navio capaz de fazer um porta-aviões classe Nimitz desaparecer do mar em minutos, conforme reportagem da TWZ War Zone.

A sigla ARRW significa Air-launched Rapid Response Weapon. O míssil hipersônico é desenvolvido pela Lockheed Martin e tem orçamento renovado de US$ 296 milhões no ano fiscal de 2027 para o chamado “Increment 2”, a versão anti-navio.

O ARRW foi cancelado em 2023 após 6 testes parcialmente bem-sucedidos. Agora volta com nova ogiva terminal capaz de mirar alvos em movimento, link de dados para atualização da rota em pleno voo e arquitetura adaptada para batalha naval no Indo-Pacífico.

O que o ARRW Increment 2 faz diferente do original

A versão original do ARRW foi projetada como arma estratégica terra-a-terra. O alvo eram instalações fixas como bunkers, comando-e-controle e centrais de produção.

Conforme reportagem do TWZ, o teste de 2021 atingiu alcance de 600 milhas náuticas (aproximadamente 1.110 km).

A versão Increment 2 muda o conceito. O míssil ganha buscador de fase terminal, capaz de identificar e seguir alvos em movimento como navios de guerra.

A função é nova e crítica para combate naval moderno.

Conforme o jornalista Joseph Trevithick do TWZ, o link de dados em voo é o segundo grande diferencial.

Sensores externos (satélites, aviões de patrulha, navios) podem corrigir a rota do míssil até segundos antes do impacto.

Em paralelo, a versão anti-navio mantém as 2 plataformas de lançamento. O bombardeiro B-52 e o B-1B Lancer podem transportar o ARRW.

A integração com o futuro bombardeiro stealth B-21 Raider está em estudo mas não confirmada para a primeira fase de produção.

Os números que justificam a aposta de US$ 296 milhões

O orçamento solicitado pela USAF para o ano fiscal de 2027 é exatamente US$ 296 milhões. Conforme detalhamento da Força Aérea, esse valor cobre 4 frentes principais até 2030.

A primeira frente é a engenharia do buscador anti-navio, estimada em US$ 124 milhões. A segunda é a integração do link de dados criptografado, de US$ 72 milhões.

A terceira é a produção de protótipos para teste em US$ 65 milhões. A quarta é qualificação operacional final, de US$ 35 milhões.

De acordo com a Defense News, o cronograma mira 3 marcos críticos. Primeiro teste anti-navio em 2027. Capacidade operacional inicial em 2028.

Produção em série a partir de 2029, com meta de 200 mísseis na frota até 2032.

Sobretudo, o custo unitário do ARRW é estimado entre US$ 14 e US$ 18 milhões. Isso é cerca de 8 vezes o preço do Tomahawk Block V (US$ 1,9 milhão) e 14 vezes o Harpoon AGM-84 (US$ 1,3 milhão).

A justificativa é capacidade hipersônica única.

Bombardeiro estratégico B-1B Lancer em pleno voo com mísseis sob a fuselagem em céu nublado
Bombardeiro B-1B Lancer da USAF: uma das 2 plataformas de lançamento do ARRW Increment 2. Imagem: divulgação USAF.

Reveal técnico: por que hipersônicos mudam tudo no combate naval

Em segundo plano, a velocidade hipersônica reordena a defesa naval. Mísseis subsônicos como o Tomahawk voam a Mach 0,75 (cerca de 920 km/h).

Um porta-aviões tem 6 a 10 minutos para reagir a um lançamento detectado a 100 km.

Conforme análise da CSIS, mísseis hipersônicos voam acima de Mach 5 (≈ 6.174 km/h). Reduzem o tempo de reação para menos de 60 segundos no mesmo cenário de 100 km de detecção.

Os sistemas de defesa naval americanos atuais (Aegis SM-3, SM-6, RIM-7) foram desenhados para mísseis subsônicos ou supersônicos médios.

Apenas o futuro Glide Phase Interceptor, em desenvolvimento desde 2023, mira ameaças hipersônicas. A entrada em serviço prevista é 2032.

Em paralelo, o ARRW Increment 2 aproveita 2 vantagens físicas do regime hipersônico. A energia cinética do impacto é dezenas de vezes maior que mísseis convencionais. A trajetória rasante a baixa altitude evita radares marítimos.

Por que o ARRW foi cancelado em 2023 e voltou em 2026

O histórico do programa ARRW é turbulento. A Lockheed Martin começou o desenvolvimento em 2018 com contrato de US$ 480 milhões. Os 6 testes iniciais entre 2021 e 2023 tiveram resultados mistos.

De acordo com a Defense News, o teste de abril de 2021 foi parcialmente bem-sucedido. Em dezembro de 2021, falha na separação do míssil. Em 2022, o teste atingiu Mach 5 mas a precisão ficou abaixo da meta.

Em 2023, o orçamento foi cortado e o programa cancelado para Increment 1.

A virada começou em 2025. O Pentágono identificou lacuna crítica em mísseis anti-navio de longo alcance no contexto da disputa com a China no Indo-Pacífico.

Em paralelo, a Lockheed Martin propôs Increment 2 com mudanças técnicas significativas.

Sobretudo, a decisão de 2026 foi influenciada por 3 fatores estratégicos. Primeiro, ameaça crescente de mísseis anti-navio chineses DF-21D e DF-26. Segundo, aumento da frota naval chinesa para 370 navios (versus 297 da USN).

Terceiro, vulnerabilidade dos porta-aviões americanos no Mar do Sul da China.

Porta-aviões americano classe Nimitz navegando em mar aberto com aeronaves no convés de voo
Porta-aviões classe Nimitz da USN: ARRW Increment 2 mira proteger frota contra mísseis anti-navio chineses. Imagem: divulgação US Navy.

Reveal humano: o programa que Mark Lewis defendeu por uma década

A face humana da reativação é Mark Lewis, ex-Diretor de Pesquisa de Defesa do Pentágono entre 2018 e 2021. Lewis defendeu o ARRW desde 2018 e advogou pela reativação após o cancelamento de 2023.

Conforme registros oficiais, Lewis tem PhD em Aeronáutica pelo MIT. Trabalhou 23 anos como professor da University of Maryland antes de ir para o Pentágono.

Hoje é CEO do Purdue Applied Research Institute, mantendo influência política sobre o programa.

Em paralelo, o programa atual é liderado pelo coronel Heath Collins, da Força Aérea, e por Steven Botwinik, vice-presidente de hipersônicos da Lockheed Martin.

A equipe técnica reúne 320 engenheiros entre Lockheed, USAF, US Navy e laboratórios DARPA.

Por outro lado, o programa hipersônico americano enfrenta concorrência interna. A US Navy tem o Conventional Prompt Strike (CPS) com primeira capacidade operacional em 2025.

O US Army tem o Dark Eagle em produção. As 3 forças competem por orçamento federal limitado de US$ 4,7 bilhões para hipersônicos em 2026.

Como o ARRW se compara aos DF-21D e DF-26 chineses

Os concorrentes diretos chineses são 2 mísseis balísticos anti-navio. O DF-21D, em serviço desde 2010, tem alcance de 1.500 a 2.000 km e velocidade hipersônica de fase terminal.

O DF-26, ativo desde 2016, alcança 3.000 a 4.000 km.

Conforme a CSIS, ambos são apelidados de “carrier killers” pela mídia ocidental. A China mantém arsenal estimado entre 200 e 350 unidades de cada modelo, segundo análise do Departamento de Defesa americano.

O ARRW Increment 2 tem alcance menor (1.110 km) mas vantagem estratégica diferente. Pode ser lançado de bombardeiro estratégico que opera além do raio das defesas chinesas.

O DF-21D e DF-26 são lançados do solo continental, em posições fixas conhecidas.

Em paralelo, a Rússia tem o Zircon hipersônico antinavio em serviço desde 2022 com a Marinha russa. Alcance estimado em 1.000 km, Mach 8-9.

Foi disparado contra a Ucrânia em 2024 em ataques mistos. A inteligência ocidental considera o Zircon menos preciso que o ARRW em desenvolvimento.

Míssil hipersônico em trajetória de teste no céu com chama longa visível e nuvens ao fundo
Míssil hipersônico em fase de teste: ARRW Increment 2 voa acima de Mach 5 com link de dados em voo. Imagem: divulgação Lockheed Martin.

Reveal futuro: o cronograma até a produção em série em 2029

O próximo passo previsto pela USAF é completar a engenharia do buscador anti-navio até dezembro de 2026. Em paralelo, o primeiro teste do Increment 2 está agendado para o segundo trimestre de 2027.

O cronograma inclui 4 marcos críticos até 2030. Primeiro teste em voo em 2027. Demonstração contra alvo naval simulado em 2028.

Capacidade operacional inicial em 2029. Produção em série a partir de 2030 com 60 unidades anuais até atingir 200 na frota.

Conforme a Defesa dos EUA, o objetivo estratégico final é equipar 2 esquadrões do B-52H e 2 esquadrões do B-1B com ARRW Increment 2 até 2032.

Cada esquadrão típico tem 12 a 18 aeronaves operacionais. Vale lembrar a cobertura de transformações setoriais em outras áreas tecnológicas brasileiras.

  • Anúncio: 12 de maio de 2026 (Increment 2)
  • Sistema: AGM-183A ARRW (Air-launched Rapid Response Weapon)
  • Fabricante: Lockheed Martin
  • Orçamento FY2027: US$ 296 milhões
  • Plataformas: B-52H e B-1B Lancer
  • Alcance: ≥ 600 milhas náuticas (1.110 km)
  • Velocidade: hipersônica (acima de Mach 5)
  • Meta de frota até 2032: 200 mísseis em 4 esquadrões
Frota de bombardeiros estratégicos americanos em base aérea com aviões alinhados em pátio de armazenamento
Frota de B-52H da USAF: meta é equipar 4 esquadrões com ARRW Increment 2 até 2032. Imagem: divulgação USAF.

Os pontos que ainda dependem de testes operacionais

Apesar do orçamento aprovado, 3 frentes ainda dependem de teste prático. A integração do buscador anti-navio precisa ser validada contra alvos em movimento em mar aberto.

Por outro lado, o link de dados criptografado em voo precisa resistir a interferência eletrônica adversária. Por fim, o custo unitário precisa cair de US$ 14-18 milhões para ao menos US$ 8 milhões em produção em série, para que a USAF consiga equipar 4 esquadrões dentro do orçamento previsto.

O resultado dessas variáveis define o ritmo da implantação real da capacidade hipersônica anti-navio americana.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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