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Arqueólogos encontram misteriosa cidade medieval escondida na floresta da Polônia, com praça, rua principal, fosso de 5,5 metros e um abandono que até hoje ninguém conseguiu explicar

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 24/03/2026 às 02:00
Pesquisadores da Fundação Relicta estudaram o local utilizando perfuração profunda, levantamentos geofísicos e varreduras lidar. Ministério da Cultura e Patrimônio Nacional da Polônia.
Pesquisadores da Fundação Relicta estudaram o local utilizando perfuração profunda, levantamentos geofísicos e varreduras lidar. Ministério da Cultura e Patrimônio Nacional da Polônia.
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Vestígios de uma misteriosa cidade medieval enterrada em florestas do noroeste da Polônia revelaram praça, rua principal, muralhas, fosso de 5,5 metros e centenas de artefatos, enquanto arqueólogos ainda tentam esclarecer por que o antigo núcleo urbano foi abandonado há séculos.

A descoberta dos vestígios de uma misteriosa cidade medieval enterrada nas florestas do noroeste da Polônia reacendeu a investigação sobre um antigo núcleo urbano que existiu há centenas de anos e foi abandonado em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas pelos pesquisadores. Identificada como Stolzenberg, a localidade começou a ser estudada de forma mais sistemática após uma série de escavações e levantamentos conduzidos por arqueólogos da Fundação Relicta.

A equipe encontrou no local estruturas que podem corresponder a uma praça central, uma rua principal e um fosso com 5,5 metros de profundidade. As descobertas reforçam a hipótese de que se tratava de uma vila medieval organizada segundo um plano urbano preciso, cercada por elementos defensivos e marcada por ocupações que atravessaram diferentes períodos históricos.

Busca por Stolzenberg começou a partir de registros antigos

Os pesquisadores da Fundação Relicta, organização arqueológica polonesa especializada em cidades medievais perdidas, procuravam por Stolzenberg desde 2019. O ponto de partida foi uma referência encontrada em registros de 1909, que mencionavam uma cidade “morta” nas proximidades da vila de Sławoborze, em uma área que hoje integra a região da Pomerânia Ocidental, na Polônia.

Nas florestas ao sul de Sławoborze, a equipe localizou um fosso em forma de ferradura e vestígios de muralhas defensivas descritas como rampas. Em 2020, detectores de metais usados na área revelaram centenas de artefatos, o que ampliou o interesse pelo sítio e levou à continuidade dos trabalhos nos anos seguintes.

Com apoio do Ministério da Cultura e do Patrimônio Nacional da Polônia, os pesquisadores realizaram perfurações profundas, levantamentos geofísicos e varreduras LiDAR. Em uma área de aproximadamente 15 acres cercada por muralha e fosso, foram identificadas mais de 1.500 anomalias, isto é, características incomuns do terreno associadas à possível presença de estruturas escondidas no subsolo.

Vestígios da misteriosa cidade revelam traçado urbano e ocupação medieval

Segundo os arqueólogos, essas anomalias estavam distribuídas em um plano urbano preciso, descrito como sendo ao estilo alemão. No centro da área, surgiram indícios de uma praça de mercado, cercada por lotes residenciais e ligada a uma rua principal que conduzia aos portões da cidade.

A datação por radiocarbono indicou que a vila já estava em atividade no século XIV. Os pesquisadores acreditam que Stolzenberg tenha sido construída no fim do século XIII ou no início do século XIV, antes de ser abandonada em algum momento anterior aos séculos XVI ou XVII.

As escavações mais recentes também revelaram cerca de 400 artefatos com cronologia ampla, cobrindo milhares de anos. Os objetos mais antigos remontam à Idade do Bronze, enquanto os mais recentes são da Segunda Guerra Mundial, mostrando que a área foi utilizada em diferentes épocas, embora os itens medievais sejam considerados os mais importantes para a confirmação da ocupação urbana daquele período.

Entre esses achados medievais, os arqueólogos destacaram moedas de prata, elementos metálicos de cintos e fechos de casaco típicos do traje burguês medieval. Também foram encontrados ferramentas, broches, fivelas de cinto e uma moeda com a imagem de um duque do século XIII, peças que, segundo Marcin Krzepkowski, confirmam que o local estava em uso na Idade Média.

Artefatos de diferentes épocas ampliam o mistério sobre o local

Além dos vestígios medievais, a escavação trouxe à tona recipientes com carne e manteiga datados da Segunda Guerra Mundial. Krzepkowski também relatou ter ficado particularmente intrigado com a presença de balas de rifle de chumbo e fragmentos de granadas de canhão encontrados na área.

De acordo com ele, esses materiais podem estar ligados a uma batalha ocorrida em 1761, durante a Guerra dos Sete Anos, entre forças russas e prussianas. A presença de artefatos de períodos tão distintos transformou o sítio em uma área de interesse ainda maior, por reunir evidências de usos sucessivos ao longo de séculos.

Apesar dos avanços, os pesquisadores ainda não sabem quem fundou Stolzenberg nem por que seus moradores deixaram a cidade. Segundo a equipe, existem algumas hipóteses para o desaparecimento do assentamento, entre elas pestes, guerras, fome e disputas de fronteira, embora nenhuma tenha sido confirmada até o momento.

Outra possibilidade considerada é que a cidade tenha sido transferida para outro local. Krzepkowski afirmou que, por mais estranho que pareça, cidades às vezes eram realocadas para áreas novas e mais convenientes, inclusive a distâncias de até uma dúzia de quilômetros, por razões como proximidade de rios, risco de inundação, busca por expansão mais rápida, mudança de rotas comerciais ou concorrência com centros vizinhos.

Pesquisas continuam para entender a vida dos antigos moradores

O sítio arqueológico ainda está em fase de análise, e a equipe pretende aprofundar a investigação nos próximos estudos. Um dos objetivos é descobrir mais sobre a dieta dos moradores de Stolzenberg por meio de análises bioarqueológicas, o que poderá ajudar a reconstruir aspectos do cotidiano da antiga vila.

Krzepkowski afirmou que o grupo da Fundação Relicta ainda está no início da jornada de pesquisa. Para ele, o local funciona como uma verdadeira cápsula do tempo repleta de mistérios, cujo esclarecimento poderá ampliar a compreensão sobre os processos de povoamento e formação de cidades nessa parte da Europa.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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