A Argentina apresenta crescimento econômico, mas enfrenta dificuldades na indústria e no comércio. Segundo o CEPA, mais de 30 mil empresas teriam fechado durante o governo Milei. A inflação recuou fortemente, enquanto salários pressionados, consumo menor e desemprego próximo de 8% expõem diferenças entre setores exportadores e o mercado interno.
A Argentina registrou crescimento de 2,2% no Produto Interno Bruto no primeiro semestre analisado pela reportagem, mas parte dos negócios voltados ao consumidor local enfrenta retração. Uma estimativa do Centro de Economia Política Argentina, o CEPA, aponta que mais de 30 mil empresas teriam fechado durante o governo Milei.
As informações são da BBC News Brasil, em reportagem apresentada por Camilla Veras Mota. O governo contesta a dimensão dos fechamentos e destaca os resultados das contas públicas, enquanto comerciantes relatam perda de clientes e dificuldades para manter suas atividades.
Mais de 30 mil empresas teriam fechado, segundo o CEPA

A estimativa representa cerca de 6% do total de empresas, conforme os números apresentados na reportagem. O levantamento é citado em um cenário de redução mensal dos negócios registrados ao longo do período analisado.
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O governo Milei considera o número exagerado. A BBC ressalva que não há um registro disponível que permita confirmar ou refutar a estimativa, uma limitação importante para interpretar a dimensão dos fechamentos.
Governo argumenta que muitos negócios tinham poucos funcionários

O governo sustenta que muitos dos estabelecimentos encerrados eram pequenos negócios, com um ou poucos funcionários. Por essa avaliação, os fechamentos não teriam impacto significativo sobre a atividade econômica ou o mercado de trabalho.
A defesa do governo Milei se apoia nos indicadores gerais da economia. A reportagem contrapõe essa leitura às dificuldades da indústria e do comércio, setores que têm peso na geração de empregos.
PIB avançou 2,2%, mas o crescimento foi desigual
O crescimento econômico de 2,2% corresponde à comparação entre o primeiro semestre abordado pela BBC e o mesmo período do ano anterior. O país também registrou superávit fiscal, situação em que a arrecadação supera os gastos públicos.
As reservas internacionais do Banco Central aumentaram, com entrada de dólares na economia. Esses resultados positivos coexistem com dificuldades em empresas que dependem das compras feitas dentro da Argentina.
Petróleo, gás e lítio atraem dólares e investimentos
Os setores exportadores de energia e mineração vivem uma situação favorável, segundo a reportagem. Petróleo, gás e lítio aparecem entre os produtos ligados à entrada de dólares e à atração de grandes investimentos estrangeiros.
O agronegócio também integra essa parcela da economia voltada ao exterior. O crescimento econômico desses setores ajuda a explicar por que os resultados nacionais podem melhorar sem que a mesma recuperação alcance o comércio local.
Inflação caiu, mas os salários continuam pressionados
A descrição da reportagem compara a inflação acumulada de 211% em 2023 com uma taxa de 33,5% no período retratado. A narração também menciona uma mínima de aproximadamente 31% em 2025, seguida de uma ligeira alta.
A queda da inflação não significa que os preços voltaram aos valores anteriores. Segundo a BBC, os salários não acompanham a inflação, e a perda de poder de compra limita o dinheiro disponível para o consumo.
Pobreza atinge 32% e desemprego fica perto de 8%
No primeiro semestre citado pela reportagem, a pobreza subiu para 32%, proporção próxima de uma em cada três pessoas. O desemprego ficou perto de 8%, descrito como o maior nível dos cinco anos anteriores.
Entre os argentinos que contrataram empréstimos, um quarto não consegue pagar as dívidas, conforme o relato. A dificuldade financeira se soma à renda pressionada e afeta a capacidade das famílias de manter os gastos.
Trabalhos informais se acumulam sem garantir renda suficiente
A BBC relata que se tornou comum conciliar vários trabalhos informais na Argentina. Essas ocupações podem aparecer nas estatísticas de emprego, embora não ofereçam contrato ou proteção social e sejam insuficientes para assegurar boas condições de vida.
Críticos das políticas econômicas afirmam que, para muitos argentinos, o dinheiro acaba antes do fim do mês. Milei rejeita essa avaliação, enquanto a reportagem descreve dificuldades de trabalhadores em meio aos cortes de gastos públicos e às medidas de austeridade.
Dono de hamburgueria tomou empréstimos e acabou fechando
O comerciante Alejandro Marquisotti relata que a queda do consumo atingiu sua hamburgueria de forma contínua. Com menos clientes e custos crescentes, ele buscou empréstimos para manter o estabelecimento funcionando.
O negócio acabou encerrando as atividades. Seu relato mostra como a redução das compras pode pressionar empresas que precisam pagar despesas mesmo quando o movimento diminui.
Vendas dos supermercados recuaram 2,8%
As vendas dos supermercados caíram 2,8% no primeiro semestre analisado, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A reportagem atribui o dado ao instituto nacional de estatística argentino.
Os consumidores passaram a priorizar produtos básicos para cozinhar e reduziram gastos com alimentos mais caros, como cortes nobres de carne. As compras de roupas e artigos para o lar também diminuíram.
Indústria reclama da concorrência de importados mais baratos
A abertura das importações, adotada pelo governo Milei, alterou a proteção oferecida à produção nacional. As fábricas argentinas relatam dificuldade para competir com produtos estrangeiros mais baratos.
A indústria manufatureira concentrou a maior perda de empregos descrita pela reportagem. A União Industrial Argentina classificou a situação como crítica e apontou obstáculos para obter financiamento, além de uma carga tributária elevada.
Desaceleração acende alerta, mas recessão não está confirmada
O crescimento econômico perdeu força nos meses finais do período retratado. A desaceleração levantou a possibilidade de uma recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de contração da economia.
A reportagem apresenta esse cenário como um risco, sem afirmar que ele já se concretizou. A Argentina mantém resultados distintos entre os setores exportadores e as atividades dependentes do consumo interno, enquanto persistem as dificuldades relatadas por trabalhadores e comerciantes.
Na sua opinião, quais indicadores ajudam mais a entender a situação da Argentina: crescimento econômico, emprego ou poder de compra? Deixe sua opinião nos comentários.

