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Arábia Saudita coloca em operação a Rabigh 4 no Mar Vermelho com 600 milhões de litros por dia, tanques de 1,2 bilhão de litros e produção anual de 219 bilhões de litros para reforçar o abastecimento em uma das regiões mais secas do planeta

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 23/05/2026 às 19:34 Atualizado em 23/05/2026 às 19:40
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Rabigh 4 produz 600 milhões de litros de água por dia no Mar Vermelho
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Rabigh 4 produz 600 milhões de litros de água por dia no Mar Vermelho e amplia a dessalinização saudita para Meca e Medina.

A Arábia Saudita colocou em operação a Rabigh 4 IWP, uma das maiores plantas de dessalinização por osmose reversa do país, construída na costa do Mar Vermelho para produzir 600 mil m³ de água potável por dia. Em litros, isso significa 600 milhões de litros diários, volume suficiente para transformar a usina em uma peça central da segurança hídrica saudita.

A planta foi desenvolvida por um consórcio liderado pela ACWA Power, ao lado de Haji Abdullah Alireza & Co. e Almoayyed Group, com contrato de operação por 25 anos. O projeto foi planejado para atender principalmente as regiões de Meca e Medina, duas áreas estratégicas em um país onde água potável depende fortemente de dessalinização.

Rabigh 4 transforma água do Mar Vermelho em 600 milhões de litros potáveis por dia

A Rabigh 4 usa tecnologia de osmose reversa de água do mar, conhecida pela sigla SWRO. Nesse processo, a água salgada passa por membranas de alta pressão que separam sais e impurezas, produzindo água potável em grande escala.

A capacidade diária da planta é de 600.000 m³. Como cada metro cúbico equivale a 1.000 litros, o cálculo é direto: 600.000 m³ × 1.000 = 600.000.000 litros por dia.

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Quando a capacidade diária é projetada para um ano inteiro, a escala fica ainda mais impressionante. São 600 milhões de litros por dia × 365 dias, o que resulta em aproximadamente 219 bilhões de litros de água por ano.

Esse volume coloca a Rabigh 4 no grupo de grandes projetos hídricos do Oriente Médio. Em uma região marcada por clima árido, baixa disponibilidade de rios permanentes e alta demanda urbana, a dessalinização deixou de ser alternativa e virou infraestrutura básica.

Tanques de 1,2 milhão de m³ garantem dois dias de reserva operacional

Além da planta de dessalinização, o projeto inclui tanques de armazenamento com capacidade total de 1,2 milhão de m³. Convertendo para litros, isso equivale a 1,2 bilhão de litros de água armazenada.

A SWPC informou que essa capacidade corresponde a aproximadamente dois dias de produção da usina. Essa reserva ajuda a aumentar a confiabilidade do sistema, permitindo maior estabilidade no fornecimento para Meca, Medina e áreas conectadas à rede hídrica.

O contrato da Rabigh 4 foi avaliado em cerca de 2,54 bilhões de riais sauditas, o equivalente a aproximadamente US$ 677 milhões. A estrutura segue o modelo de planta independente de água, em que o consórcio privado desenvolve, constrói, opera e mantém o ativo por longo prazo.

Segundo a SWPC, o consórcio vencedor é formado por ACWA Power, Almoayyed Group e Haji Abdullah Alireza Company. A planta foi concebida para operar por 25 anos a partir da data de operação comercial, reforçando o papel do setor privado nos grandes projetos de água sauditas.

Rabigh 4 dobra a capacidade de dessalinização da ACWA Power na região

A ACWA Power já opera a Rabigh 3 IWP, também com capacidade de 600 mil m³ por dia, na mesma região. Com a adição da Rabigh 4, a capacidade combinada da empresa em Rabigh chega a 1,2 milhão de m³ por dia.

Esse dado mostra a concentração estratégica de infraestrutura hídrica na costa do Mar Vermelho. A região funciona como um corredor essencial para abastecer centros urbanos, polos industriais e áreas ligadas ao fluxo religioso de Meca e Medina.

Osmose reversa substitui modelos mais antigos e reduz consumo operacional

A Rabigh 4 foi projetada com tecnologia de osmose reversa, um modelo que vem ganhando espaço sobre sistemas térmicos antigos de dessalinização. A vantagem está no menor consumo energético relativo e na possibilidade de integrar melhorias de eficiência ao longo da operação.

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O CEO da SWPC, Khaled Alqureshi, afirmou em 2023 que o projeto foi desenhado para reduzir consumo de eletricidade, cortar custos operacionais e ampliar conteúdo local na cadeia produtiva. Esse tipo de diretriz é central para um país que precisa produzir água em escala sem elevar indefinidamente o custo energético.

Usina entrou em operação em 2026, dentro da janela prevista pelo contrato

A previsão oficial era que a Rabigh 4 entrasse em operação comercial no primeiro trimestre de 2026. Em maio de 2026, a publicação especializada MEES informou que a planta já estava online e em capacidade total, segundo anúncio da ACWA Power em seu relatório de resultados do primeiro trimestre.

Esse marco é importante porque confirma a transição do projeto da fase de construção para a fase operacional. A partir daí, a usina passa a integrar de forma efetiva a rede de abastecimento saudita, reforçando a disponibilidade de água potável no oeste do país.

Rabigh 4 mostra como países áridos estão transformando o mar em infraestrutura hídrica

Arábia Saudita coloca em operação a Rabigh 4 no Mar Vermelho com 600 milhões de litros por dia, tanques de 1,2 bilhão de litros e produção anual de 219 bilhões de litros para reforçar o abastecimento em uma das regiões mais secas do planeta
Créditos: Smart Water Magazine

A Rabigh 4 não é apenas uma obra industrial isolada. Ela faz parte de uma estratégia maior da Arábia Saudita para reduzir vulnerabilidade hídrica em um território onde a demanda cresce e a disponibilidade natural de água doce é limitada.

Com 600 milhões de litros por dia, 219 bilhões de litros por ano e 1,2 bilhão de litros em tanques, a usina mostra a escala que a dessalinização alcançou no Oriente Médio. O que antes era tecnologia complementar hoje se tornou uma das bases do abastecimento urbano em regiões áridas.

A pergunta que fica é até onde esse modelo poderá avançar, porque produzir água a partir do mar já deixou de ser uma solução emergencial e passou a ser uma das maiores apostas de infraestrutura para países que vivem no limite da escassez hídrica.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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