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Após uma tragédia que matou mais de mil pessoas em Serra Leoa, um jovem africano percebeu que cascas de coco descartadas poderiam se transformar em combustível de biomassa capaz de reduzir o desmatamento e proteger florestas ameaçadas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/03/2026 às 20:33
Assista o vídeoJovem africano cria em Serra Leoa uma alternativa com cascas de coco e biomassa para reduzir desmatamento, proteger florestas e enfrentar a crise de energia que agravou uma tragédia histórica.
Jovem africano cria em Serra Leoa uma alternativa com cascas de coco e biomassa para reduzir desmatamento, proteger florestas e enfrentar a crise de energia que agravou uma tragédia histórica.
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Jovem africano identificado como Alhaji Siraj Bah viu em Serra Leoa que cascas de coco descartadas podiam virar biomassa mais limpa, depois de um desastre com mais de 1.100 mortes, criando carvão de longa duração para reduzir desmatamento, enfrentar pobreza energética e tentar preservar encostas vulneráveis da cidade atingida diretamente.

O jovem africano Alhaji Siraj Bah tinha 17 anos quando o deslizamento de 2017 no Monte Sugar Loaf devastou parte de Freetown, em Serra Leoa, e deixou mais de 1.100 mortos. No meio dos escombros, ele percebeu que a tragédia não era apenas resultado da chuva ou da encosta que cedeu. Ela também estava ligada à pobreza energética e ao desmatamento que empurravam milhares de famílias para o carvão de madeira.

Foi dessa leitura que surgiram as cascas de coco como matéria-prima para biomassa, numa tentativa de substituir parte do combustível tradicional usado nas cozinhas. A proposta parecia simples, mas atacava um problema estrutural. Reduzir desmatamento sem tirar das famílias o fogo diário de que elas dependem para sobreviver.

A tragédia expôs um ciclo que já corroía Serra Leoa

Jovem africano cria em Serra Leoa uma alternativa com cascas de coco e biomassa para reduzir desmatamento, proteger florestas e enfrentar a crise de energia que agravou uma tragédia histórica.

Em Serra Leoa, mais de 80% da população depende de combustível sólido para cozinhar. Para grande parte dessas famílias, eletricidade e gás continuam fora de alcance, e o carvão segue como opção central.

O problema é que, para produzir 1 quilo de carvão comercial, o método tradicional exige a queima de 8 a 10 quilos de madeira fresca, num processo ineficiente que desperdiça energia em fumaça e calor excessivo.

Esse modelo cobra um preço ambiental alto. Serra Leoa perdeu até 70% de suas florestas nos últimos 50 anos, e isso ajuda a explicar por que as encostas ficaram mais vulneráveis.

Quando as árvores antigas são cortadas, as raízes deixam de sustentar o solo, a água infiltra com mais facilidade e o risco de deslizamento cresce justamente onde já existem moradias expostas.

Por que as cascas de coco viraram biomassa de maior desempenho

Jovem africano cria em Serra Leoa uma alternativa com cascas de coco e biomassa para reduzir desmatamento, proteger florestas e enfrentar a crise de energia que agravou uma tragédia histórica.

As cascas de coco chamaram a atenção porque não se comportam como um resíduo qualquer.

Elas concentram alta quantidade de lignina e maior teor de carbono fixo do que madeiras comuns, o que eleva seu valor calórico.

Em termos práticos, isso significa que a biomassa produzida a partir desse material pode queimar mais quente e por mais tempo, oferecendo desempenho superior ao carvão rudimentar feito de madeira.

O processo usado para transformar cascas de coco em biomassa passa por pirólise, moagem, mistura com água e aglutinante, extrusão de alta pressão e secagem por três a quatro dias.

O resultado final são briquetes compactos, uniformes e energeticamente mais densos.

Esse combustível queima até quatro vezes mais tempo, quase não solta fumaça, não deixa cheiro forte e ainda reduz o risco de doenças respiratórias dentro de casa.

O produto era melhor, mas esbarrou na armadilha da pobreza

Assista o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=dJ-gNfKtd9I

Para o jovem africano, o desafio seguinte não foi técnico, mas econômico.

O carvão de coco produzido por sua operação chega a 70 centavos por quilo, enquanto o carvão de madeira feito de forma rudimentar pode ser quatro vezes mais barato.

Para trabalhadores de Freetown que ganham menos de 2 por dia, pagar mais por combustível, mesmo quando ele dura mais, continua sendo uma escolha difícil.

Diante disso, ele evitou disputar diretamente o mercado mais pobre e procurou clientes dispostos a pagar pela qualidade, como bares de narguilé e estabelecimentos que precisavam de calor estável, combustão lenta e ausência de cheiro.

Essa estratégia manteve o negócio vivo, gerou receita de até 4.500 em meses de pico e ajudou a sustentar 10 funcionários em tempo integral e 40 temporários.

Sem escala, a biomassa não chega às cozinhas populares; com escala, ela pode finalmente concorrer com o carvão barato.

Biomassa pode proteger florestas e reduzir o risco de novas tragédias

A conta ambiental por trás da iniciativa é direta. De acordo com os dados apresentados, uma tonelada de carvão de biomassa pode poupar cerca de 80 árvores pequenas do corte.

Se a meta de ampliar a produção para 10 toneladas por semana for alcançada, o volume de árvores preservadas ao longo do ano poderá chegar à casa das dezenas de milhares, reduzindo a pressão sobre áreas já fragilizadas.

Isso faz diferença porque preservar árvores também significa manter raízes vivas segurando o solo.

Em Serra Leoa, onde a prefeita de Freetown lidera uma campanha de plantio de 1 milhão de árvores, a iniciativa aparece como peça complementar.

Plantar ajuda, mas frear o desmatamento é o que impede a perda das árvores antigas. Sem reduzir o corte, a recuperação florestal fica sempre atrás do prejuízo.

Do lixo urbano a uma resposta reconhecida fora do país

Com isso, o jovem africano transformou um resíduo visto como problema em uma resposta concreta para energia e preservação ambiental.

As cascas de coco deixaram de ser descarte urbano e passaram a funcionar como insumo energético, geração de trabalho e ferramenta de economia circular.

O resultado não ficou restrito ao bairro ou à cidade. A trajetória de Alhaji Siraj Bah acabou reconhecida em espaços como Harvard e as Nações Unidas.

A força dessa história está no contraste. A solução não saiu de um laboratório bilionário, mas da observação direta de uma tragédia, da falta de energia e do avanço do desmatamento sobre um território já ferido.

Ao ligar resíduos, biomassa e floresta, ele construiu uma resposta que tenta atacar ao mesmo tempo pobreza, fumaça doméstica e pressão sobre as encostas.

A trajetória do jovem africano em Serra Leoa mostra que uma resposta ambiental relevante nem sempre começa com máquinas gigantes ou grandes políticas nacionais.

Às vezes, ela nasce quando alguém enxerga valor onde antes só havia descarte, liga cascas de coco a biomassa e transforma um resto ignorado em alternativa real contra o desmatamento.

No centro dessa história está uma pergunta que ultrapassa Serra Leoa. Se resíduos agrícolas e urbanos podem virar combustível mais limpo e aliviar o desmatamento, por que tantas regiões ainda tratam esse material apenas como lixo? Você acredita que modelos parecidos com o do jovem africano poderiam ganhar escala em países que sofrem com florestas ameaçadas e energia cara?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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