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Após décadas fora de cena, Citroën prepara a volta do lendário 2CV como elétrico de baixo custo, aposta no renascimento de um dos carros mais populares da história e quer entrar na corrida dos compactos acessíveis

Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/04/2026 às 11:17
Atualizado em 02/04/2026 às 11:21
Assista o vídeoCitroën prepara a volta do 2CV como elétrico de baixo custo e reacende a disputa por compactos urbanos acessíveis na Europa. (Imagem: Divulgação)
Citroën prepara a volta do 2CV como elétrico de baixo custo e reacende a disputa por compactos urbanos acessíveis na Europa. (Imagem: Divulgação)
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Movimento da Citroën recoloca um símbolo da indústria automotiva no debate sobre elétricos compactos, enquanto mudanças regulatórias, custos de produção e soluções de retrofit ajudam a redesenhar o espaço dos carros urbanos na Europa.

A Citroën decidiu avançar com o retorno do 2CV em uma nova proposta elétrica e de baixo custo.

Segundo o site britânico Auto Express, a marca planeja apresentar um conceito do modelo no próximo Salão de Paris, em outubro, retomando um nome histórico em meio à disputa por compactos elétricos mais acessíveis na Europa.

A informação indica uma mudança de direção após anos de rumores sobre o possível renascimento do modelo.

De acordo com a publicação, o CEO da Citroën, Xavier Chardon, autorizou o desenvolvimento do projeto, que passa a integrar a estratégia da fabricante para um segmento que voltou a ganhar espaço no mercado europeu.

O movimento ocorre em um contexto de maior atenção das montadoras aos carros elétricos compactos com preço mais baixo.

O bom desempenho comercial do Renault 5 E-Tech e a expectativa em torno do novo Twingo são citados como sinais de que há demanda por veículos urbanos com identidade própria e proposta mais acessível.

Citroën 2CV elétrico tenta atualizar proposta do modelo original

O desenvolvimento do novo modelo está sob o comando de Pierre Leclercq, diretor de design da Citroën.

A proposta, segundo a Auto Express, é transportar para os dias atuais os princípios que marcaram o 2CV original: simplicidade construtiva, baixo custo, conforto e praticidade.

Em entrevista reproduzida pelo site britânico, Leclercq afirmou que, ao pensar no 2CV como um carro barato voltado a áreas rurais, é fundamental preservar sua filosofia e seus valores.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Ele disse ainda que, se for possível reinterpretar esses elementos em um carro atual, o projeto faz sentido.

A ideia, portanto, não é reproduzir o modelo clássico de forma literal.

A intenção, de acordo com a publicação, é adotar uma leitura neo-retrô, com referências discretas ao passado, sem transformar o carro em uma releitura caricata.

Alguns elementos históricos, como o teto de enrolar em lona, seguem em discussão e dependerão das limitações estruturais da nova arquitetura.

Esse cuidado acompanha a tentativa de atualizar o conceito que deu origem ao 2CV em 1948.

Na época, o modelo foi concebido para oferecer mobilidade simples e funcional.

Agora, a meta é traduzir essa lógica para um cenário marcado por exigências de eletrificação, custos industriais mais altos e novas regras de mercado.

Plataforma Smart Car e faixa de preço do novo 2CV

Segundo a Auto Express, a base escolhida para o projeto é uma evolução da plataforma Smart Car Platform (SCP), já usada nos atuais C3 e C3 Aircross, além do Fiat Grande Panda europeu e do futuro Argo nacional.

Essa arquitetura foi pensada para reduzir custos e aceitar diferentes tipos de motorização.

Dentro da Citroën, a avaliação é sobre até que ponto essa base pode ser simplificada para dar origem a um carro posicionado abaixo do C3 e acima do Ami.

O objetivo, de acordo com a reportagem, é ocupar uma faixa próxima dos 20 mil euros, ainda pouco explorada entre os elétricos europeus.

A fabricante não divulgou especificações técnicas do possível novo 2CV.

Ainda assim, a publicação britânica informa que projetos equivalentes trabalham com baterias próximas de 27,5 kWh, autonomia em torno de 260 quilômetros e motores elétricos de cerca de 80 cv.

Como não há confirmação oficial da Citroën, esses números funcionam apenas como referência de mercado, e não como dados fechados do modelo.

Mesmo sem ficha técnica confirmada, a proposta mencionada na reportagem aponta para um carro voltado à leveza, à eficiência energética e ao custo reduzido.

Nesse tipo de projeto, o desempenho tende a ficar em segundo plano, assim como ocorria no 2CV original, cuja vocação sempre esteve ligada à mobilidade prática e econômica.

Assista o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=3QOCN53Xs9o

Regulamentação da Europa influencia carros elétricos compactos

A retomada do 2CV também aparece associada ao debate regulatório na Europa.

O texto original cita a discussão, na União Europeia, de um pacote que pode redefinir o espaço dos carros elétricos urbanos por meio da criação da categoria M1E, voltada a veículos compactos, leves e mais acessíveis.

No centro dessa proposta está a chamada Small Affordable Cars Initiative, que prevê uma categoria específica para elétricos de até 4,2 metros de comprimento e 1,5 tonelada.

A ideia é criar exigências mais flexíveis que as aplicadas aos automóveis convencionais, numa tentativa de tornar viável a produção de modelos urbanos de massa.

Entre as medidas em estudo estão simplificações regulatórias e revisões em trechos das normas de segurança e das exigências ligadas ao pacote de impacto ambiental Euro 7.

Segundo o texto original, essas regras elevam os custos de engenharia mesmo em veículos elétricos, o que pressiona justamente os modelos menores.

A proposta busca reduzir gastos de desenvolvimento e produção em um momento de maior concorrência com montadoras chinesas e de dificuldade das marcas europeias para oferecer carros elétricos realmente acessíveis.

Nesse ambiente, compactos urbanos voltam a ser tratados como parte relevante da estratégia industrial do setor.

Além disso, o pacote citado prevê vantagens de uso para pequenos elétricos, como facilidades relacionadas a estacionamento, zonas restritas e infraestrutura de recarga.

A medida reforça o papel desses carros em centros urbanos congestionados, numa lógica próxima à dos kei cars japoneses.

Stellantis, baterias e impacto no custo dos elétricos

Outro ponto associado ao projeto é a cadeia de fornecimento.

O texto original menciona que a Stellantis anunciou uma joint venture com a chinesa CATL para produzir baterias na Espanha a partir de 2026.

A expectativa é que essa estrutura ajude a reduzir custos e também a atender exigências europeias ligadas ao conteúdo local.

Para um veículo com proposta popular, esse fator pesa diretamente.

O custo das baterias segue como um dos principais componentes do preço final dos elétricos.

Por isso, a produção regional aparece como elemento relevante dentro da estratégia de fabricantes que tentam ampliar a presença em segmentos mais sensíveis a preço.

Retrofit do Citroën 2CV já avança na Europa

Enquanto a Citroën trabalha no conceito do novo 2CV elétrico, o modelo clássico já vive uma fase de eletrificação na Europa por meio do retrofit.

O texto original informa que muitos proprietários têm convertido unidades antigas, aproveitando uma característica central do carro: o baixo peso, de 575 quilos.

Nesse processo, o motor a gasolina boxer de dois cilindros e refrigeração a ar dá lugar a um conjunto elétrico.

As conversões, segundo o texto, podem ser revertidas, permitindo o retorno do veículo às condições originais caso o proprietário deseje.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

O kit mais conhecido para esse tipo de transformação é o R-FIT, desenvolvido pela MCC Automotive para o 2CV Méhari Club Cassis, parceiro histórico da Citroën.

De acordo com o material enviado, trata-se da primeira solução de retrofit homologada oficialmente na França para o clássico.

O conjunto usa um motor síncrono de 20 kW, equivalentes a 27 cv, potência próxima à do boxer original de 602 cm³.

A bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) tem 10,2 kWh e oferece autonomia de 90 quilômetros no ciclo WLTP.

A recarga pode ser feita em tomada doméstica de 220 V, com tempo estimado de cerca de 3h30 para ir de 0 a 100%.

O sistema mantém o câmbio do carro e preserva a tradicional alavanca sob o painel.

Ainda segundo o texto de origem, a instalação leva por volta de 20 horas e inclui baterias, novo painel e sistema de gerenciamento eletrônico.

O pacote custa cerca de 14 mil euros, valor que pode ser reduzido em alguns países com incentivos públicos.

Se o cronograma citado pela Auto Express for mantido, o conceito mostrado em Paris servirá de base para um modelo de produção a ser lançado até o fim da década, possivelmente em uma edição futura do salão francês.

Resta saber se a Citroën conseguirá transformar o peso histórico do 2CV em um elétrico de entrada com preço competitivo e proposta compatível com o que o mercado europeu passou a exigir.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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