Movimento da Citroën recoloca um símbolo da indústria automotiva no debate sobre elétricos compactos, enquanto mudanças regulatórias, custos de produção e soluções de retrofit ajudam a redesenhar o espaço dos carros urbanos na Europa.
A Citroën decidiu avançar com o retorno do 2CV em uma nova proposta elétrica e de baixo custo.
Segundo o site britânico Auto Express, a marca planeja apresentar um conceito do modelo no próximo Salão de Paris, em outubro, retomando um nome histórico em meio à disputa por compactos elétricos mais acessíveis na Europa.
A informação indica uma mudança de direção após anos de rumores sobre o possível renascimento do modelo.
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De acordo com a publicação, o CEO da Citroën, Xavier Chardon, autorizou o desenvolvimento do projeto, que passa a integrar a estratégia da fabricante para um segmento que voltou a ganhar espaço no mercado europeu.
O movimento ocorre em um contexto de maior atenção das montadoras aos carros elétricos compactos com preço mais baixo.
O bom desempenho comercial do Renault 5 E-Tech e a expectativa em torno do novo Twingo são citados como sinais de que há demanda por veículos urbanos com identidade própria e proposta mais acessível.
Citroën 2CV elétrico tenta atualizar proposta do modelo original
O desenvolvimento do novo modelo está sob o comando de Pierre Leclercq, diretor de design da Citroën.
A proposta, segundo a Auto Express, é transportar para os dias atuais os princípios que marcaram o 2CV original: simplicidade construtiva, baixo custo, conforto e praticidade.
Em entrevista reproduzida pelo site britânico, Leclercq afirmou que, ao pensar no 2CV como um carro barato voltado a áreas rurais, é fundamental preservar sua filosofia e seus valores.

Ele disse ainda que, se for possível reinterpretar esses elementos em um carro atual, o projeto faz sentido.
A ideia, portanto, não é reproduzir o modelo clássico de forma literal.
A intenção, de acordo com a publicação, é adotar uma leitura neo-retrô, com referências discretas ao passado, sem transformar o carro em uma releitura caricata.
Alguns elementos históricos, como o teto de enrolar em lona, seguem em discussão e dependerão das limitações estruturais da nova arquitetura.
Esse cuidado acompanha a tentativa de atualizar o conceito que deu origem ao 2CV em 1948.
Na época, o modelo foi concebido para oferecer mobilidade simples e funcional.
Agora, a meta é traduzir essa lógica para um cenário marcado por exigências de eletrificação, custos industriais mais altos e novas regras de mercado.
Plataforma Smart Car e faixa de preço do novo 2CV
Segundo a Auto Express, a base escolhida para o projeto é uma evolução da plataforma Smart Car Platform (SCP), já usada nos atuais C3 e C3 Aircross, além do Fiat Grande Panda europeu e do futuro Argo nacional.
Essa arquitetura foi pensada para reduzir custos e aceitar diferentes tipos de motorização.
Dentro da Citroën, a avaliação é sobre até que ponto essa base pode ser simplificada para dar origem a um carro posicionado abaixo do C3 e acima do Ami.
O objetivo, de acordo com a reportagem, é ocupar uma faixa próxima dos 20 mil euros, ainda pouco explorada entre os elétricos europeus.
A fabricante não divulgou especificações técnicas do possível novo 2CV.
Ainda assim, a publicação britânica informa que projetos equivalentes trabalham com baterias próximas de 27,5 kWh, autonomia em torno de 260 quilômetros e motores elétricos de cerca de 80 cv.
Como não há confirmação oficial da Citroën, esses números funcionam apenas como referência de mercado, e não como dados fechados do modelo.
Mesmo sem ficha técnica confirmada, a proposta mencionada na reportagem aponta para um carro voltado à leveza, à eficiência energética e ao custo reduzido.
Nesse tipo de projeto, o desempenho tende a ficar em segundo plano, assim como ocorria no 2CV original, cuja vocação sempre esteve ligada à mobilidade prática e econômica.
Regulamentação da Europa influencia carros elétricos compactos
A retomada do 2CV também aparece associada ao debate regulatório na Europa.
O texto original cita a discussão, na União Europeia, de um pacote que pode redefinir o espaço dos carros elétricos urbanos por meio da criação da categoria M1E, voltada a veículos compactos, leves e mais acessíveis.
No centro dessa proposta está a chamada Small Affordable Cars Initiative, que prevê uma categoria específica para elétricos de até 4,2 metros de comprimento e 1,5 tonelada.
A ideia é criar exigências mais flexíveis que as aplicadas aos automóveis convencionais, numa tentativa de tornar viável a produção de modelos urbanos de massa.
Entre as medidas em estudo estão simplificações regulatórias e revisões em trechos das normas de segurança e das exigências ligadas ao pacote de impacto ambiental Euro 7.
Segundo o texto original, essas regras elevam os custos de engenharia mesmo em veículos elétricos, o que pressiona justamente os modelos menores.
A proposta busca reduzir gastos de desenvolvimento e produção em um momento de maior concorrência com montadoras chinesas e de dificuldade das marcas europeias para oferecer carros elétricos realmente acessíveis.
Nesse ambiente, compactos urbanos voltam a ser tratados como parte relevante da estratégia industrial do setor.
Além disso, o pacote citado prevê vantagens de uso para pequenos elétricos, como facilidades relacionadas a estacionamento, zonas restritas e infraestrutura de recarga.
A medida reforça o papel desses carros em centros urbanos congestionados, numa lógica próxima à dos kei cars japoneses.
Stellantis, baterias e impacto no custo dos elétricos
Outro ponto associado ao projeto é a cadeia de fornecimento.
O texto original menciona que a Stellantis anunciou uma joint venture com a chinesa CATL para produzir baterias na Espanha a partir de 2026.
A expectativa é que essa estrutura ajude a reduzir custos e também a atender exigências europeias ligadas ao conteúdo local.
Para um veículo com proposta popular, esse fator pesa diretamente.
O custo das baterias segue como um dos principais componentes do preço final dos elétricos.
Por isso, a produção regional aparece como elemento relevante dentro da estratégia de fabricantes que tentam ampliar a presença em segmentos mais sensíveis a preço.
Retrofit do Citroën 2CV já avança na Europa
Enquanto a Citroën trabalha no conceito do novo 2CV elétrico, o modelo clássico já vive uma fase de eletrificação na Europa por meio do retrofit.
O texto original informa que muitos proprietários têm convertido unidades antigas, aproveitando uma característica central do carro: o baixo peso, de 575 quilos.
Nesse processo, o motor a gasolina boxer de dois cilindros e refrigeração a ar dá lugar a um conjunto elétrico.
As conversões, segundo o texto, podem ser revertidas, permitindo o retorno do veículo às condições originais caso o proprietário deseje.

O kit mais conhecido para esse tipo de transformação é o R-FIT, desenvolvido pela MCC Automotive para o 2CV Méhari Club Cassis, parceiro histórico da Citroën.
De acordo com o material enviado, trata-se da primeira solução de retrofit homologada oficialmente na França para o clássico.
O conjunto usa um motor síncrono de 20 kW, equivalentes a 27 cv, potência próxima à do boxer original de 602 cm³.
A bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) tem 10,2 kWh e oferece autonomia de 90 quilômetros no ciclo WLTP.
A recarga pode ser feita em tomada doméstica de 220 V, com tempo estimado de cerca de 3h30 para ir de 0 a 100%.
O sistema mantém o câmbio do carro e preserva a tradicional alavanca sob o painel.
Ainda segundo o texto de origem, a instalação leva por volta de 20 horas e inclui baterias, novo painel e sistema de gerenciamento eletrônico.
O pacote custa cerca de 14 mil euros, valor que pode ser reduzido em alguns países com incentivos públicos.
Se o cronograma citado pela Auto Express for mantido, o conceito mostrado em Paris servirá de base para um modelo de produção a ser lançado até o fim da década, possivelmente em uma edição futura do salão francês.
Resta saber se a Citroën conseguirá transformar o peso histórico do 2CV em um elétrico de entrada com preço competitivo e proposta compatível com o que o mercado europeu passou a exigir.


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