Planet FWD desenvolveu plataforma capaz de calcular pegadas de carbono de produtos e empresas, identificar fontes de emissões e apontar oportunidades de redução ao longo da cadeia de suprimentos
Uma startup de tecnologia climática criada pela empreendedora Julia Collins está tentando resolver um problema que se tornou cada vez mais relevante para grandes marcas: descobrir quanto carbono existe por trás de cada produto e onde é possível reduzir essas emissões. A Planet FWD desenvolveu uma plataforma voltada à medição, redução e gestão da pegada de carbono de empresas, conforme informações publicadas pela Entrepreneur.
A companhia já havia levantado US$ 16,8 milhões em investimentos até sua rodada Série A de 2022. Além disso, a tecnologia nasceu de um desafio concreto: calcular o impacto climático de produtos e de cadeias de suprimentos complexas.
Por trás da empresa está Collins, que anteriormente cofundou a Zume Pizza. A startup de pizzas automatizadas ultrapassou US$ 1 bilhão em valuation em 2018, alcançando o status de startup unicórnio. Entretanto, na Planet FWD, o foco mudou para tecnologia climática e gestão de emissões.
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Plataforma transforma cadeias de suprimentos em dados de carbono
O problema que a Planet FWD tenta resolver começa muito antes de um produto chegar à prateleira.
Para calcular a pegada de carbono de uma empresa, não basta observar apenas suas fábricas ou escritórios. É necessário analisar matérias-primas, fornecedores, embalagens, produção e diferentes etapas da cadeia.
Nesse cenário, a plataforma foi desenvolvida para ajudar empresas de produtos de consumo a medir, administrar e reduzir suas emissões.
A tecnologia utiliza bancos de dados de emissões para calcular o carbono associado às cadeias de suprimentos. Assim, uma empresa pode analisar onde estão alguns dos principais pontos de impacto e avaliar mudanças no produto ou nos fornecedores.
Esse tipo de ferramenta aproxima a gestão ambiental da tomada de decisão empresarial. Ao mesmo tempo, transforma um indicador abstrato — toneladas de gases de efeito estufa — em informações que podem orientar alterações na operação.
A expansão de ferramentas desse tipo ocorre enquanto outras áreas de tecnologia aplicada também tentam transformar problemas complexos em soluções mensuráveis.
US$ 10 milhões em uma rodada levaram captação total a US$ 16,8 milhões
A escala financeira da Planet FWD ganhou força em maio de 2022, quando a empresa anunciou uma rodada Série A de US$ 10 milhões.
A operação foi coliderada pela Acre Venture Partners e pela Congruent Ventures. Com o novo aporte, o total levantado pela startup chegou a US$ 16,8 milhões.
Os recursos foram destinados ao desenvolvimento da tecnologia e dos dados utilizados pela plataforma, além da ampliação da equipe de ciência climática e do suporte a clientes.
Portanto, o investimento não representava faturamento ou valuation da Planet FWD. Tratava-se de capital captado pela empresa junto a investidores, distinção importante para dimensionar corretamente o negócio.
A companhia também buscava desenvolver recursos mais preditivos para identificar possibilidades de redução de emissões. Com isso, a plataforma poderia ir além de simplesmente calcular a pegada existente.
O avanço mostra como novas tecnologias podem sair de problemas específicos e evoluir para ferramentas empresariais com aplicações mais amplas.
Tecnologia nasceu da dificuldade de medir o impacto de um produto
Antes de assumir o formato atual, a Planet FWD esteve diretamente ligada ao desenvolvimento de alimentos com menor impacto climático.
Em 2020, a empresa levantou inicialmente US$ 2,7 milhões para desenvolver uma plataforma ligada a alimentos e agricultura regenerativa. Posteriormente, também lançou a marca Moonshot Snacks.
Foi durante esse processo que surgiu um obstáculo importante.
A equipe queria calcular a pegada de carbono de um produto, compreender o impacto da empresa e descobrir maneiras de reduzir as emissões. Entretanto, Collins relatou que essas tarefas eram difíceis de executar com as ferramentas disponíveis naquele momento.
A dificuldade acabou ajudando a direcionar o negócio.
Em vez de manter a tecnologia apenas como ferramenta interna, a empresa passou a desenvolver uma plataforma de gestão de carbono destinada a outras marcas.
Dessa forma, um problema encontrado na produção de alimentos virou a base de um produto tecnológico.
Sistema pode apontar mudanças em fornecedores e embalagens
Uma das aplicações ajuda a entender por que a tecnologia pode ter valor para empresas de bens de consumo.
Imagine uma fabricante desenvolvendo uma barra de cereal e tentando reduzir ao máximo as emissões associadas ao produto.
A plataforma pode ser utilizada durante o desenvolvimento para analisar fatores da cadeia e identificar possibilidades como trocar fornecedores ou modificar a embalagem.
Consequentemente, a análise de carbono deixa de acontecer apenas depois que o produto está pronto.
Ela pode entrar no próprio processo de desenvolvimento.
Essa lógica também mostra por que cadeias de suprimentos são fundamentais. Um produto aparentemente simples pode depender de diferentes matérias-primas, fornecedores, processos industriais e transportes antes de chegar ao consumidor.
Por isso, obter dados mais detalhados pode permitir decisões mais específicas sobre onde reduzir emissões.
Enquanto isso, investimentos e mudanças de capacidade de produção continuam mostrando como decisões tomadas no início de uma cadeia podem alterar toda a operação posteriormente.
Planet FWD ampliou atuação para marcas que precisam medir emissões
A empresa continuou desenvolvendo sua plataforma nos anos seguintes.
Em maio de 2025, a Planet FWD anunciou uma parceria com a The Change Climate Project para oferecer ferramentas de contabilidade de carbono e avaliação de ciclo de vida a marcas participantes de seu programa climático.
Segundo a companhia, essas ferramentas permitem avaliar oportunidades de redução de gases de efeito estufa relacionadas a materiais, produtos e cadeias de suprimentos.
Assim, o modelo atual está distante da ideia inicial de simplesmente criar uma marca de alimentos ambientalmente orientada.
A Planet FWD passou a vender justamente a infraestrutura tecnológica desenvolvida para enfrentar aquele problema.
Julia Collins já havia ajudado a construir uma startup unicórnio avaliada em mais de US$ 1 bilhão
Embora a tecnologia seja o eixo central da Planet FWD, a experiência empresarial de sua fundadora ajuda a explicar a capacidade de captação de recursos.
Collins cofundou, em 2015, a Zume Pizza ao lado de Alex Garden. A empresa do Vale do Silício apostava na automação da produção e entrega de pizzas.
Em 2018, a Zume ultrapassou US$ 1 bilhão em valuation, alcançando o status de startup unicórnio. Collins deixou a companhia naquele mesmo ano e posteriormente passou a desenvolver a Planet FWD.

Segundo a Entrepreneur, ao longo de sua trajetória, Collins participou da captação de mais de US$ 500 milhões em venture capital em negócios envolvendo áreas como hospitalidade, produtos de consumo, robótica, inteligência artificial e tecnologia climática.
Esse número se refere à trajetória empresarial descrita pela publicação e não à captação da Planet FWD isoladamente.
Agora, sua empresa climática tenta transformar um dos problemas mais difíceis das cadeias de consumo — localizar e medir emissões — em dados capazes de orientar decisões empresariais.
O salto é significativo: uma dificuldade encontrada ao tentar calcular o carbono de produtos acabou ajudando a criar uma plataforma que busca colocar medição e redução de emissões dentro da própria gestão das empresas.
