A Limppano mantém um ciclo de R$ 50 milhões em Queimados, com expansão da capacidade fabril, compra de novas áreas, modernização tecnológica e reforço em pesquisa e desenvolvimento após 64 anos de atuação no Rio.
A fabricante brasileira de produtos de limpeza Limppano mantém um ciclo de investimentos de R$ 50 milhões em sua operação de Queimados, na Baixada Fluminense. O aporte contempla aumento da capacidade fabril, modernização tecnológica, ampliação do centro de Pesquisa e Desenvolvimento e aquisição de novas áreas no distrito industrial para sustentar o crescimento da operação.
A atualização mais recente foi apresentada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em 17 de setembro de 2026, durante uma visita à unidade. A fábrica emprega cerca de 350 trabalhadores diretamente e faz parte da estrutura industrial construída pela companhia ao longo de 64 anos de atuação no estado.
Fundada em 1962 pela família Buchheim, a Limppano começou sua trajetória no Rio de Janeiro e ampliou gradualmente sua presença na indústria de produtos para limpeza doméstica. Atualmente, mantém mais de 150 itens em seu portfólio e atua em categorias que incluem esponjas, panos, produtos químicos e a marca ODD.
-
Brasil pode perder empregos e valor da sucata porque Repetro facilita operação de plataformas, mas deixa desmantelamento e reciclagem fora da mesma lógica tributária
-
Fábrica de semicondutores no RS recebe R$ 84,86 milhões para produzir memórias avançadas usadas em smartphones e inteligência artificial
-
Gigante das embalagens coloca R$ 500 milhões em fábrica no Paraná para produzir 3,6 bilhões de latas por ano e criar 300 empregos
-
Indústria de equipamentos odontológicos cresce com apoio do BNDES em SP

R$ 50 milhões reforçam expansão da fábrica em Queimados
O investimento em Queimados não se resume à instalação de novos equipamentos. Segundo a Firjan, os recursos também estão sendo direcionados à expansão física, atualização tecnológica das linhas e fortalecimento da área de desenvolvimento de produtos.
A companhia adquiriu novas áreas dentro do distrito industrial de Queimados para comportar essa expansão. A medida aumenta o espaço disponível para a operação em uma região onde a empresa mantém parte importante de sua estrutura produtiva.
O processo ocorre após uma sequência de mudanças iniciadas nos últimos anos. Em 2025, informações divulgadas pela própria empresa ao mercado indicavam que a fábrica e o centro de distribuição de Queimados haviam dobrado de área, movimento acompanhado pela duplicação da capacidade produtiva da unidade.
O centro de distribuição passou a ocupar mais de 4 mil metros quadrados e alcançou capacidade para aproximadamente 5 mil posições de pallets. Esse aumento de estrutura foi associado pela companhia à necessidade de atender ao crescimento da produção e melhorar o abastecimento de diferentes mercados brasileiros.
Modernização inclui máquinas, tecnologia e pesquisa
A atualização de setembro de 2026 mostra que a estratégia continuou avançando. Além da expansão física, a Limppano incorporou máquinas e tecnologias à fábrica e ampliou o centro de Pesquisa e Desenvolvimento.
Segundo a Firjan, essa estrutura de P&D participou do desenvolvimento de produtos como as versões Ciclo Rápido e Concentrado da linha de lava-roupas. A empresa associa os lançamentos à busca por soluções que reduzam etapas de uso ou utilizem formulações mais concentradas.
Outra frente do ciclo industrial é a verticalização da produção. Informações divulgadas pela Limppano em agosto de 2026 apontam que cerca de 90% de sua fabricação passou a ser internalizada, reduzindo a parcela de produtos ou etapas dependentes de terceiros.
A estratégia permite que uma parcela maior do processo permaneça sob controle da própria companhia, desde a fabricação até diferentes etapas da cadeia industrial. A empresa relaciona esse movimento a ganhos de previsibilidade e controle operacional.

Mudança no comando acompanha novo ciclo industrial
A ampliação de Queimados também ocorre em paralelo a mudanças na estrutura de gestão. Em agosto de 2026, a Limppano anunciou Renan Hervelha como novo CEO, depois de aproximadamente 15 anos de liderança executiva de Alex Buchheim, integrante da terceira geração da família fundadora.
Hervelha chegou à companhia após passagens por empresas como Johnson & Johnson, Danone, Flora e Cremer. Alex Buchheim permaneceu ligado à estratégia de longo prazo e ao Conselho de Administração, ao lado de Thomas Buchheim.
A mudança no comando ocorreu depois de a empresa já ter executado parte importante do ciclo de R$ 50 milhões. Por isso, as informações publicadas ao longo de 2026 tratam o investimento de formas ligeiramente diferentes: algumas fontes o apresentam como um ciclo concluído, enquanto a atualização da Firjan, de setembro, descreve aportes em realização e mostra equipamentos e iniciativas associados à expansão da unidade.
O dado mais seguro é que os R$ 50 milhões correspondem ao ciclo recente de investimentos ligado à operação de Queimados, incluindo ampliação da capacidade, modernização, P&D e expansão física. Não há indicação de que se trate de um novo aporte adicional de R$ 50 milhões anunciado em setembro.
Infraestrutura do distrito industrial entra na pauta
A fábrica funciona em quatro turnos, segundo informações apresentadas à Firjan. Durante a visita realizada em setembro, a direção da empresa também relatou questões de infraestrutura que afetam a operação no distrito industrial.
Entre os pontos apresentados estão oscilações no fornecimento de energia elétrica, condições de iluminação, acessos viários e segurança pública. A Firjan informou que pretende atuar na interlocução com órgãos públicos e concessionárias para discutir esses gargalos.
A expansão industrial também elevou a atenção sobre a formação de profissionais para as linhas de produção. A companhia utiliza programas de qualificação do Firjan Senai e mantém trabalhadores que começaram na operação como jovens aprendizes e posteriormente passaram por formação técnica.
Atualmente, mulheres representam cerca de 40% do quadro funcional da fábrica de Queimados. A empresa informou à Firjan que pretende elevar essa participação para uma faixa entre 50% e 52% e estuda um programa específico de formação técnica feminina para atividades operacionais.
Entre as funções citadas estão operação de máquinas e empilhadeiras, manipulação de cargas e atividades técnicas de processo. A iniciativa ainda estava em estudo na atualização divulgada em setembro e, portanto, não deve ser tratada como programa já implantado.
Limppano amplia estrutura logística fora do Rio
A unidade de Queimados integra uma operação maior da Limppano no estado. A companhia informa possuir duas fábricas no Rio de Janeiro, enquanto sua expansão logística também avançou para outros estados.
Em 2025, a empresa colocou em operação um centro de distribuição em Guarulhos, em São Paulo, dentro de uma estratégia para ampliar sua presença comercial no mercado paulista. Já em 2026, informações divulgadas após a troca de CEO apontavam quatro centros de distribuição no país, localizados no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.
A trajetória industrial da empresa começou de forma bem diferente da configuração atual. A história da família Buchheim no negócio teve origem na representação comercial de flanelas e panos de chão no centro do Rio de Janeiro, antes da entrada na fabricação própria.
Nas décadas seguintes, a Limppano ampliou categorias e incorporou novas marcas ao portfólio. Um dos movimentos mais relevantes ocorreu em 2018, quando adquiriu a marca ODD da Procter & Gamble, operação que aumentou sua presença no segmento de produtos químicos para limpeza.
Novas áreas sustentam crescimento da operação
Agora, o ciclo de R$ 50 milhões concentra recursos na estrutura produtiva de Queimados. A fábrica reúne aproximadamente 350 funcionários diretos e recebe investimentos em equipamentos, capacidade, pesquisa e novas áreas, enquanto a companhia aumenta a parcela da produção realizada internamente.
A atualização divulgada em setembro mostra uma expansão em diferentes frentes da mesma operação: espaço físico, tecnologia, desenvolvimento de produtos e qualificação de trabalhadores. A aquisição de terrenos no distrito industrial adiciona área para o crescimento, enquanto a modernização das linhas busca acompanhar o aumento da escala produtiva.
Os R$ 50 milhões não correspondem apenas à compra de máquinas nem a uma fábrica totalmente nova. O valor está associado a um ciclo mais amplo de expansão da estrutura existente em Queimados, desenvolvido ao longo dos últimos anos e ainda apresentado pela Firjan, em setembro de 2026, como parte dos investimentos acompanhados na unidade.
