Tinel Predan tentou preservar a produção de girassol em Dolj, na Romênia, recebeu duas multas após irrigar a lavoura e agora prepara a próxima safra com recursos apenas para diesel e sementes.
Em agosto de 2026, o agricultor Tinel Predan, da região de Izvoare, no condado de Dolj, na Romênia, chegou à colheita do girassol depois de enfrentar três anos consecutivos de seca. Para impedir que a falta de chuva provocasse perdas ainda maiores, ele decidiu utilizar água de um curso d’água local para irrigar a plantação.
A tentativa de preservar a produção, porém, trouxe um novo problema. Predan recebeu duas multas que, somadas, chegaram a 70 mil lei, equivalentes a 700 milhões de lei na antiga denominação da moeda romena. Agora, além de lidar com os efeitos da seca e os altos custos agrícolas, o produtor contesta as penalidades na Justiça.
Agricultor tentou salvar lavoura da seca usando água de riacho e recebeu duas multas
A irrigação adotada por Tinel Predan surgiu como uma tentativa de reduzir os impactos provocados pela falta prolongada de chuva. Depois de três anos de seca, o produtor utilizou a água de um riacho da região para manter parte das culturas e evitar que a produção fosse ainda mais prejudicada.
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A decisão acabou resultando em duas penalidades aplicadas pela Apele Române, instituição responsável pela administração das águas no país. Segundo informações divulgadas pela Revista Ferma, as multas somaram 70 mil lei e passaram a representar mais uma despesa para uma propriedade que já enfrentava dificuldades financeiras.
Mais do que pagar as penalidades, Predan decidiu questioná-las judicialmente. O agricultor também passou a arcar com os custos de um advogado para acompanhar o processo e afirmou que não pretende abandonar a atividade. “Não vamos desistir. Não temos como”, declarou à publicação romena.
Colheita de girassol chegou a cerca de duas toneladas por hectare após três anos de seca
A colheita do girassol começou em 19 de agosto de 2026, ainda sob os efeitos acumulados das temporadas de pouca chuva. Segundo Predan, a produtividade esperada ficou em aproximadamente duas toneladas por hectare, resultado que precisa ser analisado ao lado dos custos necessários para manter a produção.
O agricultor afirmou que o girassol era vendido por aproximadamente 2 a 2,10 lei por quilo. Ao mesmo tempo, o diesel utilizado nas operações da propriedade custava cerca de 10,50 lei por litro, diferença que, segundo ele, tornava difícil recuperar os valores investidos durante a safra.
Predan resumiu a situação ao comparar diretamente os dois preços. “Compramos o diesel por 10,50 lei e vendemos o girassol por 2 lei. Trabalhamos de graça”, afirmou à Revista Ferma, ao explicar como os custos pressionavam a rentabilidade da propriedade.
Dinheiro para próxima safra permite comprar apenas diesel e sementes, sem fertilizantes
A dificuldade financeira passou a afetar também o planejamento da próxima campanha agrícola. Depois dos gastos acumulados e da produção reduzida pela seca, Predan afirmou que o orçamento disponível já não permite adquirir todos os insumos necessários para iniciar um novo ciclo.
Segundo o agricultor, os recursos restantes são suficientes apenas para comprar diesel e sementes. Os fertilizantes, normalmente utilizados na preparação das áreas de cultivo, ficaram fora do planejamento por falta de dinheiro.
“Temos dinheiro apenas para diesel e sementes. Não compramos fertilizantes”, relatou Predan. A declaração mostra como os efeitos de uma safra ruim podem avançar para o ciclo seguinte, reduzindo a capacidade de investimento justamente no momento em que o produtor precisa preparar uma nova produção.
Preço do trigo também reduziu margem mesmo com produtividade de 5,5 toneladas por hectare
Os problemas financeiros relatados por Predan não ficaram restritos ao girassol. Na produção de trigo, o agricultor afirmou conseguir aproximadamente 5,5 toneladas por hectare, mas o cereal era vendido por cerca de 80 bani por quilo.
Mesmo com uma produtividade maior, o valor recebido pelo produto continuava apertando as contas da propriedade. Os preços de venda precisavam cobrir combustível, sementes e outros custos necessários para manter as atividades agrícolas.
A dificuldade de comercialização também aumentou com o baixo nível do rio Danúbio. Segundo o agricultor, a redução do volume de água passou a limitar o transporte das cargas em embarcações, criando mais um obstáculo para o escoamento da produção.
Multas, seca e custos elevados deixam agricultor diante de nova safra com orçamento limitado
A situação de Tinel Predan passou a reunir diferentes dificuldades ao mesmo tempo. Depois de três anos de seca, o agricultor tentou usar a irrigação para preservar suas culturas, recebeu duas multas e levou a discussão para a Justiça enquanto continuava trabalhando na propriedade.
Ao mesmo tempo, a colheita de girassol ficou próxima de duas toneladas por hectare, o trigo era vendido por cerca de 80 bani por quilo e o diesel chegava a 10,50 lei por litro. O baixo nível do Danúbio ainda dificultava o transporte dos produtos agrícolas.
Agora, enquanto o processo envolvendo as multas continua, Predan precisa preparar mais uma campanha com recursos limitados. O dinheiro disponível, segundo ele, permite comprar somente diesel e sementes, deixando os fertilizantes fora dos investimentos previstos para a próxima safra.
O que você acha que deveria pesar mais em situações como essa: a necessidade de o agricultor usar água para tentar salvar a lavoura após anos de seca ou o cumprimento rigoroso das regras de irrigação e uso dos recursos hídricos? Deixe sua opinião!
