George Desmond Kamurasi, capitão do SE Dons, entrou na disputa pela coroa de Tooro após a morte do primo, mas uma reviravolta dentro da família real mudou completamente o rumo da sucessão.
Em setembro de 2026, o goleiro George Desmond Kamurasi, de 36 anos, viu sua trajetória no futebol inglês se aproximar de um cenário completamente diferente. Capitão do SE Dons, clube do sudeste de Londres que disputa o nono nível da estrutura do futebol inglês, ele passou a ser apontado como possível sucessor do rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, seu primo, morto em 27 de agosto. A possibilidade ganhou força depois que 15 dos 18 integrantes presentes em uma votação apoiaram o nome de Kamurasi para assumir o trono de Tooro, em Uganda.
A história chamou atenção justamente pelo contraste entre os dois mundos. Kamurasi construiu sua vida esportiva longe dos palácios africanos, atuando como goleiro em uma equipe das divisões inferiores da Inglaterra e mantendo atividades ligadas ao futebol infantil em Londres. Ao mesmo tempo, sua ligação direta com a família real colocava seu nome dentro de uma das sucessões mais importantes do reino de Tooro.
Goleiro George Kamurasi recebeu 15 de 18 votos para assumir o trono de Tooro
O nome de Kamurasi ganhou força poucos dias depois da morte do rei Oyo. Em 4 de setembro de 2026, integrantes envolvidos no processo sucessório se reuniram para discutir quem poderia ocupar o posto de omukama, título tradicional utilizado pelo rei de Tooro. Segundo relatos publicados pela imprensa ugandense, 15 dos 18 participantes apoiaram George Desmond Kamurasi.
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A votação colocou o goleiro no centro das atenções internacionais. Até então conhecido principalmente por sua participação no futebol inglês, ele passou a ser apresentado como um integrante da família real que poderia trocar as luvas pelo trono. O cenário parecia ainda mais incomum porque o SE Dons disputa o nono nível da pirâmide do futebol da Inglaterra, oito divisões abaixo da Premier League.
Kamurasi também trabalha com futebol infantil na região de Londres e já apareceu no programa esportivo britânico Soccer AM. Sua rotina estava ligada ao esporte, mas a morte de Oyo fez com que sua origem familiar passasse a ter um peso muito maior.

Família de Kamurasi pertence à linhagem dos Babiito e tem ligação direta com antigos reis
A presença de Kamurasi na disputa não surgiu apenas por causa de sua relação de parentesco com Oyo. Ele é apontado como filho do príncipe George Desmond “Jimmy” Mugenyi, integrante da família real de Tooro, e neto de George David Matthew Kamurasi Rukidi III, que ocupou o trono durante o século XX.
Essa ligação coloca o goleiro dentro da linhagem dos Babiito, dinastia tradicionalmente associada à monarquia de Tooro. Seu pai também teve importância na história recente do reino, especialmente durante o período em que Oyo assumiu a coroa ainda criança e precisou do apoio de integrantes mais velhos da família.
A origem familiar ajuda a explicar por que Kamurasi surgiu rapidamente entre os nomes considerados para a sucessão. Mesmo vivendo no Reino Unido e mantendo uma carreira esportiva, ele continuava ligado a uma linhagem diretamente relacionada ao trono.

Morte do rei Oyo abriu disputa e colocou suposto filho no centro da sucessão
A morte de Oyo em 27 de agosto de 2026 abriu uma disputa que se tornou mais complexa a cada novo capítulo. O rei não era casado publicamente e não havia apresentado anteriormente um filho reconhecido em público. Esse cenário ajudou a fortalecer os nomes de outros integrantes da família real, incluindo Kamurasi.
A situação mudou quando o primeiro-ministro do Reino de Tooro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, afirmou que Oyo havia deixado um filho. A identidade desse suposto descendente não foi revelada naquele momento, mas a informação ganhou importância imediata dentro da disputa sucessória.
A princesa Ruth Komuntale, única irmã de Oyo, também afirmou que o irmão havia deixado um testamento tratando diretamente da sucessão. Segundo a Reuters, o documento foi datado de 14 de setembro de 2022 e estabelecia que um filho biologicamente reconhecido deveria herdar o trono caso existisse no momento da morte do rei.
Jornalista Edward Kijanangoma foi escolhido para assumir o trono de Tooro
Enquanto a discussão sobre o possível herdeiro avançava, o processo sucessório ganhou uma nova reviravolta. Em 9 de setembro de 2026, integrantes do clã real anunciaram o príncipe Edward Rukidi Kijanangoma como escolhido para ocupar o trono de Tooro.
Kijanangoma também é primo de Oyo, mas construiu uma trajetória bastante diferente daquela de Kamurasi. Ele trabalha como jornalista, apresentador e editor da Uganda Broadcasting Corporation, a UBC, emissora estatal de Uganda. A escolha colocou um novo integrante da família no centro da disputa e reduziu, naquele momento, a possibilidade de o goleiro assumir a coroa.
A decisão, porém, não encerrou a controvérsia. A princesa Ruth Komuntale e a rainha-mãe Best Kemigisa rejeitaram publicamente a escolha e defenderam que o testamento deixado por Oyo deveria orientar a sucessão.
Testamento de 2022 transformou suposto filho do rei em peça central da disputa
O conteúdo do testamento passou a ter peso ainda maior depois da escolha de Kijanangoma. Segundo informações divulgadas pela Reuters, Oyo registrou no documento de 14 de setembro de 2022 que um filho legalmente reconhecido como seu descendente biológico deveria sucedê-lo.
O problema é que Oyo nunca havia reconhecido publicamente a existência de filhos antes de morrer. O primeiro-ministro do reino afirmou que a identidade do suposto príncipe seria apresentada no momento considerado adequado, mantendo aberta uma das principais dúvidas da sucessão.
A disputa passou então a envolver diferentes interpretações sobre as regras tradicionais do reino, a decisão do comitê e a validade do testamento deixado pelo monarca. O nome de Kamurasi continuava ligado aos primeiros movimentos da sucessão, mas o cenário havia mudado completamente em poucos dias.
De goleiro da nona divisão inglesa a possível rei de Uganda, história tomou rumo inesperado
Antes da reviravolta, já existiam dúvidas sobre como Kamurasi conciliaria o trono com a vida construída no Reino Unido. O goleiro mora na região de Londres com a família, continua ligado ao futebol e tinha uma rotina muito diferente daquela exigida de um monarca tradicional africano.
Reportagens britânicas também indicavam que ele poderia estar relutante em abandonar imediatamente sua vida na Inglaterra. Essa possibilidade tornava a história ainda mais incomum, já que Kamurasi poderia sair dos campos da nona divisão inglesa para ocupar uma posição tradicional dentro de um dos reinos históricos de Uganda.
A sequência dos acontecimentos, porém, mudou esse caminho. O goleiro recebeu maioria de votos em uma das primeiras etapas da sucessão, mas depois viu Edward Kijanangoma ser anunciado para o trono e um suposto filho de Oyo surgir como possível herdeiro com base no testamento de 2022.
A história de George Desmond Kamurasi permanece marcante justamente pelo contraste. Em poucos dias, um capitão de clube das divisões inferiores inglesas saiu do futebol local para o centro de uma disputa real que passou a envolver linhagem familiar, tradição, testamento e diferentes candidatos à coroa de Tooro.
O que você acha que deveria pesar mais na sucessão do trono de Tooro: a escolha feita pelo comitê da família real ou o testamento deixado pelo rei Oyo, que pode favorecer um suposto filho biológico? Deixe sua opinião!
