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Aos 11 anos, menina viu uma placa dizendo “não beba, água contaminada”, passou 6 anos tentando resolver o problema e criou um purificador solar com garrafa plástica, filtro impresso em 3D e indicador de cor para levar água segura a comunidades no Quênia e na Gâmbia

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Escrito por Ana Alice Publicado em 08/07/2026 às 22:12 Atualizado em 08/07/2026 às 22:14
Assista o vídeoPurificador solar criado por jovem usa garrafas, carvão e luz do sol para tratar água contaminada em projeto-piloto na África. (Imagem: Ilustrativa)
Purificador solar criado por jovem usa garrafas, carvão e luz do sol para tratar água contaminada em projeto-piloto na África. (Imagem: Ilustrativa)
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Purificador solar criado a partir de uma pergunta de infância reúne materiais simples, luz do sol e projeto-piloto anunciado para comunidades africanas, em uma história ligada ao acesso seguro à água potável.

Uma placa com o aviso para não beber água contaminada foi o ponto de partida para uma invenção criada por Rachel Brouwer ainda na infância.

Anos depois, a ideia desenvolvida com materiais simples, como canos, garrafas plásticas, algodão, carvão e cera de soja, deu origem a um projeto-piloto anunciado para comunidades no Quênia e na Gâmbia, na África.

O caso não é uma novidade recente, mas permanece ligado a um problema global documentado por organismos internacionais.

Segundo atualização de 2025 da OMS e do Unicef, com dados de 2024, 2,1 bilhões de pessoas ainda não tinham acesso a água potável gerenciada com segurança no mundo.

A proposta de Brouwer, que nasceu em Bedford, na província canadense da Nova Escócia, ganhou visibilidade por testar um sistema de purificação de baixo custo.

A tecnologia combina filtragem simples, aquecimento solar e um indicador visual para mostrar quando a água atingiu a temperatura estabelecida no processo.

Em 2022, quando tinha 20 anos e estudava ciência política na Dalhousie University, Brouwer fundou a organização The Purification Project.

A iniciativa foi anunciada com a intenção de levar sistemas de purificação de água a comunidades vulneráveis no Quênia e na Gâmbia que vivem sem acesso seguro à água potável.

Purificador solar começou com aviso sobre água contaminada

Rachel Brouwer tinha 11 anos quando viu, durante uma caminhada, uma placa com a mensagem: “Cuidado, não beba. A fonte de água está contaminada”.

O aviso levou a estudante a se interessar pelo tema da água própria para consumo e pela possibilidade de buscar uma solução de baixo custo.

Em entrevista à Global News, Brouwer resumiu aquele momento de forma direta: “Comecei a pensar que talvez houvesse uma solução para isso”.

A partir daí, ela passou a pesquisar formas de purificar água usando materiais acessíveis e processos que não dependessem de infraestrutura complexa.

Nos anos seguintes, a jovem desenvolveu um sistema que combina filtragem e pasteurização solar.

A proposta era criar uma ferramenta que pudesse ser testada com itens relativamente simples, especialmente em regiões onde eletricidade, equipamentos caros e tratamento centralizado de água não estão disponíveis de forma regular.

A invenção foi apresentada ainda na adolescência em feiras científicas.

Em 2016, Brouwer recebeu um prêmio na Intel International Science and Engineering Fair, realizada em Phoenix, nos Estados Unidos, pelo trabalho voltado à purificação de água.

O reconhecimento deu visibilidade ao projeto, mas a retomada pública ocorreu anos depois.

Durante a universidade, Brouwer entrou em contato com jovens de comunidades africanas por meio de um programa ligado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O sistema utiliza uma garrafa plástica comum para conter o filtro e a água a ser purificada - Imagem: Reprodução/Global News
O sistema utiliza uma garrafa plástica comum para conter o filtro e a água a ser purificada – Imagem: Reprodução/Global News

Como funciona o sistema de purificação de água

O sistema desenvolvido por Brouwer foi descrito como uma solução em duas partes.

Ele usa um filtro compacto e um indicador de cor fabricados com impressora 3D, além de uma garrafa plástica de dois litros, item comum e fácil de encontrar em diferentes países.

Na primeira etapa, a água passa por um filtro com materiais como algodão e carvão, usados para melhorar a turbidez.

Em linguagem simples, essa fase busca reduzir partículas visíveis e impurezas que deixam a água turva.

Depois da filtragem, a água é colocada em uma garrafa plástica transparente e exposta ao sol.

O objetivo é realizar a pasteurização solar, processo em que o aquecimento ajuda a reduzir microrganismos presentes na água.

O indicador visual é uma parte central do sistema descrito por Brouwer.

Produzido com cera de soja, ele muda de posição ou aparência quando a água alcança a temperatura definida para o processo.

Segundo Brouwer, “quando a água atinge a temperatura desejada, a cor no indicador muda de lugar e eles sabem que é seguro beber”.

A fala descreve o funcionamento proposto para o dispositivo, mas não substitui testes de campo, validação técnica contínua ou monitoramento de qualidade da água em diferentes ambientes.

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Baixo custo orienta proposta para comunidades vulneráveis

A proposta do purificador solar parte de uma condição prática: comunidades sem acesso seguro à água nem sempre têm energia elétrica confiável, filtros industriais, redes de tratamento ou recursos para comprar equipamentos caros.

Nesse contexto, tecnologias de baixo custo podem ser estudadas como soluções complementares.

Elas não substituem sistemas públicos de saneamento e abastecimento, mas podem ser consideradas em situações de vulnerabilidade, emergência ou ausência de infraestrutura.

O uso de garrafas plásticas de dois litros também foi associado à disponibilidade do material.

Segundo o texto original, esse tipo de recipiente é facilmente encontrado em países em desenvolvimento, o que poderia facilitar a reprodução do sistema em comunidades com poucos recursos.

A adoção de qualquer ferramenta de purificação, porém, depende de fatores técnicos.

A qualidade da água de origem, o tipo de contaminação, o tempo de exposição ao sol, a temperatura alcançada e a forma de armazenamento influenciam a segurança do consumo.

Por esse motivo, a evolução do projeto para uma fase-piloto tem importância técnica.

Antes de ser tratada como solução pronta, a tecnologia precisa ser testada em ambientes reais, com acompanhamento de moradores, voluntários e pessoas que conhecem a rotina de uso da água nessas comunidades.

Projeto-piloto foi anunciado para Quênia e Gâmbia

O projeto voltou ao centro da trajetória de Brouwer durante sua passagem pela Dalhousie University.

Ela participou de um programa que conectava jovens das províncias marítimas do Canadá a jovens africanos para discutir problemas comunitários ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Segundo Brouwer, participantes do Quênia e da Gâmbia mencionaram repetidamente dificuldades relacionadas ao acesso à água e à comida.

Eles também compartilharam fotos de poços e relataram como a disponibilidade de água influenciava a vida cotidiana de suas comunidades.

A partir dessas conversas, Brouwer apresentou seu trabalho de saneamento e purificação ao grupo.

Com o apoio dos participantes, foi criada a organização The Purification Project, sediada em Halifax, no Canadá.

O grupo reunia voluntários da Gâmbia, do Quênia e da Nova Escócia, todos com menos de 25 anos, segundo o texto original.

A equipe planejava lançar o projeto-piloto e trabalhar coletivamente na adaptação do sistema às necessidades locais.

Brouwer destacou a participação dos voluntários africanos na construção da iniciativa.

Ela citou, por exemplo, um integrante de 17 anos localizado na Gâmbia e afirmou que se considerava “muito sortuda” por trabalhar com o grupo.

Rachel ganhou destaque internacional ao vencer uma medalha de ouro na Canada-Wide Science Fair em 2015. - Imagem: Reprodução/Global News
Rachel ganhou destaque internacional ao vencer uma medalha de ouro na Canada-Wide Science Fair em 2015. – Imagem: Reprodução/Global News

Água contaminada afeta saúde e rotina escolar

O acesso à água própria para consumo afeta saúde, educação e rotina familiar.

Em comunidades onde a água não tratada provoca doenças, crianças podem faltar à escola por sintomas como dor abdominal e diarreia.

Hassan Hydara, voluntário na Gâmbia, afirmou que o acesso à água limpa é um grande problema em seu país.

Segundo ele, os sistemas de purificação poderiam ajudar comunidades rurais que enfrentam dificuldades com água insegura.

“Os estudantes não terão que faltar à aula porque precisam lidar com dor de estômago e diarreia, problemas causados principalmente pela água não segura que bebem”, disse Hydara, de acordo com o texto original.

A declaração mostra como o projeto foi associado também à educação pelos voluntários envolvidos.

Quando a água consumida causa doenças, o impacto pode chegar à presença em sala de aula, ao rendimento escolar e ao tempo dedicado por famílias ao cuidado de crianças doentes.

Essa relação, no entanto, depende de outros fatores.

A redução de doenças ligadas à água envolve tratamento adequado, higiene, saneamento, armazenamento seguro e acompanhamento local.

Um purificador individual pode integrar uma resposta, mas não resolve sozinho todos os fatores de risco.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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