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Antes de criar uma das marcas de carros mais famosas do mundo, Enzo Ferrari pediu emprego à Fiat em 1918 e ouviu um “não”, ficou sem dinheiro e chorou numa praça de Turim, até transformar aquela rejeição em uma trajetória que terminaria com seus próprios carros vencendo justamente na cidade que o recusou

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Escrito por Carla Teles Publicado em 30/08/2026 às 18:54 Atualizado em 30/08/2026 às 18:55
Antes de criar uma das marcas de carros mais famosas do mundo, Enzo Ferrari pediu emprego à Fiat em 1918 e ouviu um “não”, ficou sem dinheiro e chorou numa praça de Turim, até (4)
Enzo Ferrari foi rejeitado pela Fiat em Turim ao buscar emprego; décadas depois, seus carros venceram na cidade que havia fechado a porta para ele.
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Enzo Ferrari chegou a Turim em novembro de 1918 querendo trabalhar como piloto, mas a Fiat escolheu outro candidato; sem dinheiro e sem emprego, ele chorou numa praça, permaneceu na cidade, encontrou trabalho numa pequena oficina e, décadas depois, viu um carro Ferrari vencer justamente onde havia sido recusado antes.

Antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos da indústria automobilística, Enzo Ferrari enfrentou uma rejeição que marcou sua juventude. Em novembro de 1918, aos 20 anos, ele foi a Turim em busca de uma oportunidade na Fiat, sonhando com as corridas, mas outro candidato acabou escolhido. Sem trabalho e praticamente sem dinheiro, permaneceu na cidade em vez de voltar para Modena.

A história foi recuperada pelo Corriere della Sera em 20 de fevereiro de 2019, em reportagem sobre a relação de Ferrari com Turim. O episódio passou pelo escritório da Fiat em Corso Dante, por uma noite emocionalmente difícil no parque Valentino e por um emprego modesto numa oficina, décadas antes de um automóvel de sua própria marca vencer o Grande Prêmio de Turim.

Enzo Ferrari chegou a Turim em 1918 querendo construir uma vida entre automóveis

Enzo Ferrari foi rejeitado pela Fiat em Turim ao buscar emprego; décadas depois, seus carros venceram na cidade que havia fechado a porta para ele.
Imagem: Reprodução/Corriere della Sera.

A Primeira Guerra Mundial acabava de terminar quando Enzo Ferrari desembarcou em Turim, em novembro de 1918, carregando uma ambição que já apontava para o universo dos motores. Ele queria se aproximar das competições automobilísticas e enxergava na Fiat uma oportunidade para começar a construir esse caminho.

Na época, Ferrari ainda estava distante da imagem que teria décadas depois como fundador de uma marca mundialmente conhecida. Era um jovem de Modena tentando encontrar trabalho em uma cidade que concentrava boa parte da nascente indústria automobilística italiana e atraía mecânicos, pilotos, testadores e outros profissionais ligados aos carros.

Fiat escolheu outro candidato e fechou a porta para o jovem de 20 anos

O encontro decisivo ocorreu no escritório da Fiat em Corso Dante, onde trabalhava o engenheiro Diego Soria. Ferrari buscava uma oportunidade na empresa, mas sua tentativa terminou com uma rejeição.

Segundo o relato recuperado pelo Corriere, Soria preferiu Carlo Salamano, que pouco tempo depois integraria a equipe de competições da Fiat. Para Enzo Ferrari, que sequer havia completado 21 anos, a decisão significou perder a oportunidade que naquele momento parecia capaz de colocá-lo diretamente no ambiente em que desejava construir sua carreira.

Sem dinheiro e sem emprego, Ferrari foi parar em uma praça de Turim

Enzo Ferrari foi rejeitado pela Fiat em Turim ao buscar emprego; décadas depois, seus carros venceram na cidade que havia fechado a porta para ele.
Imagem: Reprodução/Corriere della Sera.

A rejeição teve um impacto que Ferrari carregaria por décadas. Depois de não conseguir a vaga, ele continuava em Turim sem uma ocupação e com poucos recursos para se manter. Ainda assim, não pretendia retornar imediatamente para Modena.

O Corriere reproduz um episódio relatado por Luca Dal Monte em Ferrari Rex: Ferrari teria retirado a neve de um banco no parque Valentino, sentado e chorado, enfrentando o frio do inverno e a incerteza sobre o próprio futuro. Mesmo naquele momento, decidiu permanecer em Turim.

A praça onde chorou ficaria ligada à história de sua própria revanche

A passagem pelo Valentino ganhou dimensão simbólica conforme a trajetória de Enzo Ferrari mudou. Aquele espaço, associado a uma das fases mais difíceis de sua juventude, acabaria também relacionado a uma das primeiras grandes vitórias dos carros que carregavam seu sobrenome.

O contraste só apareceria décadas depois. Em 1918, Ferrari estava desempregado e sem saber exatamente como entraria no setor automobilístico. Em 1949, o mesmo Valentino receberia uma corrida na qual um Ferrari cruzaria a linha de chegada em primeiro lugar.

Uma pequena oficina abriu a porta que a Fiat havia fechado

Enzo Ferrari não abandonou Turim depois da rejeição. Ele conseguiu emprego em uma carroceria localizada na Via Ormea, pertencente a Giovannone, um bolonhês que conhecia seu pai e decidiu lhe oferecer uma oportunidade.

O trabalho estava muito distante do prestígio que Ferrari conquistaria mais tarde. Ele era mal remunerado e ajudava a desmontar caminhões militares para transformá-los em veículos do tipo torpedo, atividade comum em um período no qual a Itália tentava reaproveitar equipamentos após a guerra.

Turim colocou Ferrari perto de pilotos, testadores e apaixonados por velocidade

Permanecer na cidade também colocou Enzo Ferrari em contato com pessoas que compartilhavam seu interesse pelos automóveis. Turim ainda não tinha a escala industrial que adquiriria posteriormente, mas diversos pequenos negócios ligados à mecânica e às carrocerias se concentravam em seus bairros.

Ferrari frequentava locais onde pilotos, testadores e aviadores se encontravam para discutir motores e velocidade. Segundo o relato do Corriere, foi nesse ambiente que ele também conheceu Felice Nazzaro, piloto que Ferrari já admirava desde a infância e que fazia parte do universo automobilístico que o jovem pretendia alcançar.

A relação de Enzo Ferrari com Turim ultrapassou os automóveis

A cidade também teria importância pessoal. Foi em Turim que Ferrari conheceu Laura Garello, que mais tarde se tornaria sua esposa. Os dois se encontraram na região de Porta Nuova e se casaram em 1923.

A ligação com a cidade, portanto, não ficou restrita à rejeição da Fiat. Turim foi simultaneamente cenário de fracasso, trabalho, relações pessoais e aproximação com o automobilismo, antes que Ferrari construísse sua própria identidade dentro das competições.

Décadas depois, carros com seu sobrenome já disputavam grandes corridas

Enzo Ferrari foi rejeitado pela Fiat em Turim ao buscar emprego; décadas depois, seus carros venceram na cidade que havia fechado a porta para ele.
Imagem: Wikipedia.

O caminho entre o jovem rejeitado em 1918 e o construtor de automóveis foi longo. A marca Ferrari surgiu apenas décadas depois daquele inverno em Turim, quando Enzo Ferrari já havia acumulado experiência no automobilismo e transformado sua ligação com as corridas em um projeto próprio.

A partir daí, o sobrenome que antes pertencia a um jovem procurando emprego passou a aparecer estampado em carros de competição. E uma das cidades importantes dessa mudança seria exatamente aquela onde Ferrari havia recebido uma resposta negativa no início de sua trajetória.

Em 1949, um Ferrari venceu justamente o Grande Prêmio de Turim

A virada simbólica ocorreu no Grande Prêmio de Turim de 1949, disputado no Valentino. Raymond Sommer conduziu um Ferrari 159 S e venceu a prova depois de 105 voltas e aproximadamente 504 quilômetros.

A vitória foi tratada como um resultado importante para Ferrari, apenas cerca de três décadas depois da rejeição sofrida na mesma cidade. A diferença de cenário era enorme: o homem que havia chegado a Turim tentando conseguir uma oportunidade agora retornava como responsável por carros capazes de vencer uma competição importante.

A história diz que Ferrari voltou a procurar o banco depois da vitória

Após a corrida e as comemorações, existe ainda um episódio carregado de simbolismo. Segundo a história reproduzida pelo Corriere, Enzo Ferrari teria procurado novamente o banco onde chorara quando jovem, depois de permanecer sozinho ao fim dos festejos.

O relato afirma que Ferrari voltou a se emocionar, mas agora em circunstâncias completamente diferentes. Não era mais o jovem sem emprego tentando descobrir como entrar no automobilismo, e sim o construtor que acabava de assistir a um carro de sua marca vencer naquela mesma Turim.

A rejeição da Fiat foi um começo difícil, não a causa única da criação da Ferrari

Enzo Ferrari foi rejeitado pela Fiat em Turim ao buscar emprego; décadas depois, seus carros venceram na cidade que havia fechado a porta para ele.
Imagem: Axion23/Wikipedia.

A sequência pode parecer uma narrativa perfeita de revanche, mas é importante não simplificar a trajetória. Não há base para afirmar que Ferrari criou sua marca apenas porque foi rejeitado pela Fiat. Entre os dois episódios existiram décadas de trabalho, competições, relações profissionais e decisões empresariais.

A rejeição de 1918 é relevante porque mostra quão distante Enzo Ferrari estava da posição que alcançaria posteriormente. Naquele momento, ele buscava uma oportunidade dentro de uma empresa já estabelecida. Décadas depois, seu próprio sobrenome havia se transformado em uma referência do automobilismo.

Enzo Ferrari saiu de Turim rejeitado e voltou com um carro vencedor

A cena do jovem sem dinheiro chorando depois de ouvir um “não” contrasta diretamente com a imagem de 1949: um Ferrari vencendo 105 voltas e 504 quilômetros justamente no Valentino, cenário ligado aos momentos difíceis vividos por seu fundador três décadas antes.

A história transformou a rejeição da Fiat em um dos capítulos mais marcantes da juventude de Enzo Ferrari, mas também mostra como uma carreira pode tomar rumos impossíveis de prever no momento de uma derrota. Você imaginava que Ferrari havia tentado trabalhar na Fiat antes de construir sua própria marca? A empresa tomou a decisão correta com as informações que tinha naquele momento ou perdeu uma oportunidade histórica? Deixe sua opinião nos comentários.

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