Antes da transferência definitiva, os dois ursos passaram por quarentena e cuidados veterinários para recuperar a condição física; no Libearty, a adaptação incluiu contato com vegetação, água, áreas abertas e, pela primeira vez, a possibilidade de conviver no mesmo espaço.
A transferência de Masha e Grisha para o santuário Libearty mudou não apenas o espaço disponível aos dois ursos, mas também a relação que podiam manter, porque eles passaram a dividir áreas abertas depois de crescerem lado a lado em jaulas distintas.
A World Animal Protection informou que o proprietário do zoológico particular de Gyumri, na Armênia, havia abandonado o local e deixado os animais em condições graves; quando foram resgatados, Masha e Grisha estavam muito abaixo do peso e não haviam recebido atendimento veterinário adequado.
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A condição física dos dois exigiu cuidados antes da mudança definitiva, e a Asociația Milioane de Prieteni (AMP), responsável pelo santuário que os receberia na Romênia, registrou que Masha pesava cerca de 30 quilos e Grisha, 50 quilos.
Antes da viagem, os ursos permaneceram cerca de seis meses em quarentena no zoológico de Yerevan, onde receberam tratamento e avaliações veterinárias, até serem transferidos para o Libearty em abril de 2016 após a mobilização de organizações de proteção animal envolvidas no caso.
Até então, a proximidade entre Masha e Grisha não significava convivência: mantidos em jaulas separadas desde filhotes, eles podiam perceber a presença um do outro a poucos centímetros, mas as estruturas metálicas impediam contato físico, brincadeiras e qualquer compartilhamento de espaço.
Da quarentena ao primeiro contato com a grama
No santuário de Zărnești, Masha foi a primeira a explorar a área externa e, ao deixar o espaço de adaptação, caminhou sobre a grama coberta de orvalho, observou o céu e reagiu ao vento, aos pássaros e aos diferentes sons ao redor.
Os registros daquele período mostram a ursa especialmente atenta aos novos estímulos, em contraste com a rotina anterior, na qual o espaço disponível era definido pelas estruturas da jaula e não incluía vegetação, céu aberto ou possibilidade de explorar diferentes partes do terreno.
A experiência contrastava com os anos em que sua movimentação ficava limitada à pequena jaula, porque no novo recinto Masha passou a ter acesso à vegetação e a escolher por onde caminhar, algo que não fazia parte de sua rotina no zoológico.
Grisha demonstrou mais hesitação e, depois de passar por avaliação veterinária, saiu da área de quarentena e tentou subir em uma árvore, mas ainda estava fraco e não conseguiu completar o movimento antes de continuar a explorar o recinto.
Pouco depois, o urso entrou em uma piscina e tomou banho, outra possibilidade ausente na antiga instalação, enquanto árvores, água e áreas abertas ampliavam os estímulos e os movimentos disponíveis durante o acompanhamento de sua adaptação física e comportamental.
A retirada das grades não significou que Grisha se adaptaria imediatamente, pois nos primeiros dias ele ainda demonstrava cautela diante do novo ambiente e também quando Masha se aproximava, comportamento que mudou gradualmente à medida que os dois passaram a compartilhar o mesmo espaço.
A convivência sem grades
Poucos dias depois de terem acesso à área externa, Masha e Grisha já haviam sido registrados brincando juntos e, pela primeira vez, podiam se tocar, correr e interagir diretamente, embora tivessem passado os primeiros anos de vida praticamente lado a lado.
No zoológico de Gyumri, a presença do outro havia sido limitada a sons, cheiros e movimentos percebidos através das grades; no Libearty, a barreira deixou de determinar a relação entre eles, que passaram a ocupar o mesmo recinto e a escolher quando se aproximar.
A AMP relatou posteriormente que os dois se tornaram companheiros frequentes de brincadeiras, passaram a correr, entrar na água e explorar áreas arborizadas juntos, embora a adaptação não tenha ocorrido da mesma forma para Masha e Grisha.
Masha se acostumou mais rapidamente ao novo ambiente e ao contato com outros animais, enquanto Grisha permaneceu mais tímido e precisou de um período maior para demonstrar segurança, inclusive nas situações em que outros ursos se aproximavam durante a rotina no santuário.
A organização registrou que ele levou cerca de dois anos e meio para começar a se aproximar com mais confiança de outros ursos e compartilhar momentos de alimentação, sinal de que os efeitos do confinamento não desapareceram imediatamente com a mudança de ambiente.
O Libearty mantém áreas florestadas, piscinas e espaço para deslocamento, além de acompanhamento veterinário para animais retirados de cativeiros inadequados, estrutura que permitiu a Masha e Grisha uma rotina impossível nas pequenas jaulas em que haviam passado os primeiros anos.
À época da transferência, a World Animal Protection também apoiava financeiramente a estrutura responsável pelos ursos e contribuía para os custos de manutenção dos animais resgatados que passaram a viver no santuário.
Com o tempo, Grisha passou a ser observado correndo perto da piscina, permanecendo em áreas arborizadas e convivendo com outros ursos, enquanto Masha continuou a explorar o recinto e a brincar com o companheiro que conheceu durante anos apenas através das grades.

