Um estudo publicado na Nature Geoscience propõe que as grandes bacias da Antártida Oriental formam uma única província tectônica em forma de leque, ligada à separação de Gondwana. É só um modelo, porém, e os próprios autores admitem que a idade e o mecanismo exatos ainda são incertos.
Um novo estudo afirma que a Antártida esconde, sob o gelo, uma estrutura gigantesca do tamanho de um continente. Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience em 3 de junho de 2026, as grandes bacias da Antártida Oriental não são acidentes geológicos isolados, mas parte de uma única e enorme província tectônica em forma de leque. A conclusão foi obtida com a combinação de dados de topografia subglacial, gravidade e magnetismo.
De acordo com o material, essa imensa cicatriz no continente seria resultado de um processo chamado extensão rotacional distribuída. A origem estaria ligada à fragmentação do antigo supercontinente Gondwana e à separação entre a Antártida e a Austrália, que esticou e fraturou a crosta hoje oculta sob quilômetros de gelo. Entender esse molde escondido, dizem os cientistas, pode ajudar a prever como o gelo vai responder ao aquecimento global.
O segredo escondido sob o gelo da Antártida

Por décadas, o mapeamento da Antártida revelou enormes depressões e lagos sob o gelo, tratados como peças soltas de um enigma geológico. Segundo a reportagem, o novo estudo mudou essa visão ao propor que as grandes bacias da Antártida Oriental fazem parte de uma única e gigantesca província tectônica. A análise combinou dados de topografia subglacial, gravidade e magnetismo.
-
Três estudantes baianos de 17 e 18 anos criam chocolate sem açúcar para diabéticos usando cacau 70%, farinha de semente de abóbora e melão-de-são-caetano, transformando pesquisa escolar em inovação para a saúde
-
Inventor canadense cria um exoesqueleto elétrico de 4 toneladas e 200 cv que multiplica a força humana em 50 vezes, transforma o piloto no cérebro de uma criatura mecânica gigante e tenta inaugurar o primeiro esporte de robôs colossais do mundo
-
Morando bem embaixo da rota de decolagem do aeroporto de São Francisco um entusiasta criou o Skylight, um sistema que projeta no teto em tempo real cada avião que passa sobre a casa usando um receptor de rádio de cerca de 30 dólares e uma Raspberry Pi
-
Pegadas de 14,4 mil anos em caverna revelam que criança e cachorro exploraram local repleto de ursos na Itália e ajudam cientistas a reconstruir jornada pré-histórica
A proposta central é que toda essa vasta região da Antártida resulta de um processo de extensão rotacional distribuída. Publicado na Nature Geoscience, o trabalho sugere que estruturas antes vistas isoladamente, como as bacias de Wilkes e Aurora, na verdade pertencem ao mesmo grande quadro tectônico. É uma forma nova de enxergar o que existe sob a camada de gelo.
A crosta que se abriu como um leque

Para entender o modelo, vale imaginar a crosta da Antártida se abrindo e se esticando de forma assimétrica, como um leque que se desdobra. Segundo o estudo, esse colossal movimento tectônico teria transformado a Antártida Oriental em um dos maiores exemplos conhecidos de extensão rotacional em crosta continental de todo o planeta. Não seria, portanto, um fenômeno pequeno ou local.

A origem dessa marca no continente estaria ligada à história profunda da Terra. De acordo com o material, ela remete às fases tectônicas associadas à fragmentação do supercontinente Gondwana e à separação entre a Antártida e a Austrália. À medida que as massas de terra se afastaram, a crosta esticou e fraturou, deixando uma topografia elevada que hoje permanece oculta sob quilômetros de gelo.
Por que isso importa para o aquecimento global
Além do valor geológico, entender essa estrutura da Antártida tem uma aplicação prática e urgente. Segundo o material, a Antártida funciona como o grande termostato da Terra, e sua estabilidade é fundamental diante das mudanças climáticas. A topografia sob o gelo age como um molde que condiciona o que acontece na superfície.
Esse relevo escondido ajuda a controlar o fluxo das geleiras e a distribuição dos lagos e bacias sob o gelo. Por isso, de acordo com a pesquisa, para prever com precisão como o gelo da Antártida vai responder ao aquecimento global e fluir em direção ao oceano, é preciso conhecer em detalhe a tubulação tectônica sobre a qual ele repousa. O molde, no fim, ajuda a explicar o movimento do gelo.
O que a ciência ainda não sabe
Apesar de unificar estruturas tão grandes, o estudo sobre a Antártida mantém a cautela científica. Segundo o material, embora consiga reunir sob um mesmo modelo teórico bacias massivas como as de Wilkes e Aurora, os autores reconhecem que ainda há muito em aberto. A proposta organiza o quadro, mas não fecha todas as respostas.
As principais dúvidas envolvem o tempo e o porquê desse movimento da crosta. De acordo com a pesquisa, a idade exata em que essa província em forma de leque se formou e o mecanismo geodinâmico detalhado que a desencadeou seguem, em grande parte, como questões em aberto. Será necessário muito trabalho para determinar com exatidão quando ocorreram os movimentos da crosta antártica.
A nova leitura da Antártida transforma um amontoado de bacias isoladas em uma única e grandiosa história tectônica, escrita há milhões de anos e guardada sob o gelo. Se confirmada e detalhada por novas pesquisas, ela pode refinar as previsões sobre o futuro do gelo antártico em um planeta que esquenta. Por ora, fica o retrato de um continente que ainda guarda muitos segredos.
E você, imaginava que sob o gelo da Antártida existisse uma estrutura desse tamanho? Comente o que achou e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes opiniões.

Seja o primeiro a reagir!