1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Animal ameaçado de extinção é solto em deserto no Chade e, pouco tempo depois, ‘Saara vivo’ volta a aparecer em área onde a espécie tinha sumido
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Animal ameaçado de extinção é solto em deserto no Chade e, pouco tempo depois, ‘Saara vivo’ volta a aparecer em área onde a espécie tinha sumido

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/01/2026 às 17:47
Assista o vídeoAddaxes criticamente ameaçados foram soltos no deserto do Chade e passaram a circular na Reserva da Ennedi, marcando o retorno da espécie ao Saara.
Addaxes criticamente ameaçados foram soltos no deserto do Chade e passaram a circular na Reserva da Ennedi, marcando o retorno da espécie ao Saara.
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Reintrodução de addax na Reserva da Ennedi marca o retorno de um antílope do Saara a uma área protegida do Chade, com translocação, acompanhamento intensivo e meta de formar população viável, em um projeto que reúne governo, conservação internacional e monitoramento em campo.

Um grupo de antílopes addax, uma das espécies mais ameaçadas do deserto do Saara, voltou a circular em uma região do norte do Chade onde havia deixado de ser observado.

A liberação aconteceu dentro da Ennedi Natural and Cultural Reserve, uma área protegida de paisagens rochosas e planícies áridas, e marcou o início de uma tentativa de restabelecer uma população viável em um território onde o animal era considerado localmente extinto.

A soltura envolveu dez indivíduos e foi descrita como um projeto-piloto conduzido em parceria entre o governo do Chade, a organização African Parks e a Sahara Conservation.

Segundo a comunicação oficial do programa, os animais passaram por um período de acompanhamento intensivo após a chegada à reserva, com monitoramento constante e cuidados veterinários antes de serem liberados em ambiente aberto.

Addax, antílope do Saara e adaptação ao deserto

O addax é um antílope extremamente adaptado a condições de calor e escassez de água, conhecido pela pelagem clara que ajuda a refletir a radiação solar e por cascos largos que facilitam o deslocamento em areia fofa.

A espécie, catalogada como criticamente ameaçada, tornou-se símbolo de um colapso recente da fauna sahelo-saariana, já que no passado ocupava vastas áreas do Saara e hoje tem sua ocorrência reduzida a poucos núcleos, com forte pressão de caça e distúrbio humano em áreas remotas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Reserva da Ennedi e o plano de restauração da fauna

Na Ennedi, o objetivo apresentado pelas instituições envolvidas é reintroduzir o addax como parte de uma estratégia de restauração de fauna do deserto e de proteção de espécies historicamente associadas à região.

A reserva é citada pela African Parks como um santuário para mamíferos adaptados ao ambiente árido e para centenas de espécies de aves, além de concentrar patrimônio natural e cultural, incluindo formações de arenito, cânions e sítios de arte rupestre.

Translocação no Chade e parceria internacional

A operação descrita no comunicado da African Parks incluiu a translocação dos addax a partir de outro programa de reintrodução já em andamento no Chade, na Ouadi Rimé–Ouadi Achim Wildlife Reserve.

A transferência foi apresentada como um passo para ampliar a distribuição dos animais dentro do país e reduzir a dependência de um único núcleo, estratégia comum em reintroduções de espécies ameaçadas quando se busca aumentar a resiliência populacional.

O plano citado pelo Ministério do Meio Ambiente, Pesca e Desenvolvimento Sustentável do Chade na nota oficial estabeleceu uma meta de longo prazo: formar uma população saudável com mais de 500 indivíduos.

A referência aparece como um parâmetro de viabilidade demográfica, já que populações muito pequenas tendem a ser mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, escassez de recursos, doenças e impactos humanos.

Monitoramento em campo e cuidados antes da soltura

Addaxes criticamente ameaçados foram soltos no deserto do Chade e passaram a circular na Reserva da Ennedi, marcando o retorno da espécie ao Saara.
Addaxes criticamente ameaçados foram soltos no deserto do Chade e passaram a circular na Reserva da Ennedi, marcando o retorno da espécie ao Saara.

A reintrodução não foi tratada como um ato isolado de soltura, mas como um processo operacional que envolve logística, triagem, adaptação e acompanhamento.

Os addax chegaram à reserva em 8 de novembro de 2023, segundo a African Parks, e permaneceram por mais de um mês sob supervisão contínua antes da liberação, etapa descrita como necessária para observar comportamento, condição física e capacidade de integração ao ambiente e ao grupo.

Financiamento e estrutura do projeto de conservação

O financiamento do projeto foi atribuído, na comunicação pública, a apoio da União Europeia, Fondation Segré e Dutch Postcode Lottery, com execução operacional e coordenação entre instituições locais e internacionais.

O formato de parceria foi destacado como parte de um esforço maior de reabilitação de áreas protegidas do Chade, com a expectativa de combinar conservação da biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico sustentável em zonas desérticas e semiáridas.

Herbívoros do deserto e sinais de funcionamento ecológico

A escolha do addax como espécie-alvo também se relaciona ao papel de grandes herbívoros em ambientes áridos.

Ao longo de deslocamentos, esses animais removem e dispersam sementes presas ao pelo ou ingeridas junto à vegetação, além de deixar matéria orgânica no solo por meio de fezes, que podem enriquecer microambientes em paisagens pobres em nutrientes.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Em desertos, efeitos desse tipo tendem a ser distribuídos de forma fragmentada, mas são observados em reintroduções como sinais de que um ecossistema volta a ter um componente funcional perdido.

Estratégia da Sahara Conservation e expansão de populações

A Sahara Conservation, que atua em projetos de recuperação de fauna do Sahel e do Saara, descreve o addax como parte de um plano mais amplo para restabelecer a espécie em áreas de ocorrência histórica no Chade e em outros pontos do norte da África.

Em páginas institucionais, a organização relaciona reintroduções a ações de manejo, combate à caça e suporte técnico para manutenção de populações em áreas remotas, onde a pressão humana pode ser elevada mesmo em paisagens aparentemente vazias.

Próximas translocações e continuidade do programa

O caso da Ennedi ganha relevância por ocorrer em um ambiente de baixa densidade populacional e alta exigência operacional.

A distância dos centros urbanos, a presença de terrenos extensos e a variabilidade de recursos tornam o monitoramento um desafio constante.

Por isso, iniciativas desse tipo costumam depender de equipes em campo, infraestrutura mínima de apoio e sistemas de acompanhamento capazes de registrar movimentação e presença em áreas amplas.

A própria African Parks descreve a liberação como um primeiro passo, com planos de translocar mais animais nos anos seguintes.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Em programas de reintrodução, essa estratégia costuma ser aplicada para evitar uma introdução brusca de grande número de indivíduos em um ambiente onde a capacidade de suporte ainda precisa ser acompanhada.

A formação gradual de grupos também facilita o ajuste de rotas de patrulhamento, monitoramento e medidas de proteção.

A reintrodução do addax na Ennedi se insere em uma sequência de iniciativas voltadas a restaurar espécies emblemáticas do Saara e do Sahel por meio de translocação, reprodução sob manejo e retorno à vida livre em áreas protegidas.

Ao ampliar a presença do addax em regiões onde ele havia desaparecido, o programa passa a depender da continuidade de monitoramento, do controle de caça e de condições locais que permitam a sobrevivência e a reprodução, elementos que definem se a liberação se traduz em população estabelecida.

Se uma espécie tão rara consegue voltar a ocupar uma região do Saara após ser considerada localmente extinta, quais outros animais do deserto poderiam ter seu retorno viabilizado com projetos semelhantes no norte da África?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x