Usina nuclear Angra 3 continua inacabada desde 2015, acumulando custos bilionários e incertezas. Enquanto decisões não são tomadas, o projeto segue como símbolo dos entraves técnicos, financeiros e políticos que desafiam grandes obras públicas no Brasil.
A usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), permanece inativa mesmo após décadas de obras e bilhões de reais já investidos.
Com cerca de 67% da estrutura construída e 85% dos equipamentos adquiridos, o projeto segue sem produzir energia.
Enquanto isso, o custo de manutenção e encargos financeiros pode ultrapassar R$ 1 bilhão ao ano, segundo dados da Eletronuclear e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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As obras da usina estão paralisadas desde 2015, após investigações da Operação Lava Jato revelarem irregularidades nos contratos de construção.
Desde então, Angra 3 se tornou foco de discussões técnicas e econômicas sobre sua viabilidade e impacto no setor energético brasileiro.
Manutenção bilionária da usina nuclear
Atualmente, os custos anuais relacionados à usina incluem aproximadamente R$ 800 milhões em juros de dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica Federal.
Outros R$ 120 milhões são destinados à conservação de equipamentos.
E cerca de R$ 100 milhões são utilizados para cobrir a folha de pagamento de profissionais alocados no projeto.
Especialistas do setor apontam que o cancelamento definitivo da obra também acarretaria custos significativos.
Um levantamento do BNDES estima que descontinuar Angra 3 pode gerar despesas entre R$ 21 bilhões e R$ 30 bilhões, somando rescisões contratuais, devolução de incentivos fiscais e desmobilização de estruturas.
Viabilidade econômica e decisão do governo
A responsabilidade pela continuidade ou encerramento do projeto está sob avaliação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A decisão deve ocorrer até o final de 2025, após a análise de uma nova versão do estudo de viabilidade conduzido pelo BNDES.
O estudo atualiza as premissas econômicas e técnicas da usina e será decisivo para a definição do futuro da obra.
Desde maio de 2025, a Eletronuclear deixou de contar com o apoio da Eletrobras, que se retirou formalmente do projeto.
A Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) passou a ser a principal responsável institucional pela usina.
Em entrevista à agência Reuters, o presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo Leite, afirmou: “O pior tipo de projeto de infraestrutura é aquele que permanece paralisado.”
Ele também destacou que a manutenção de Angra 3 parada já custa mais de R$ 1 bilhão por ano, o que representa um peso significativo para os cofres públicos e para a sustentabilidade da empresa.
Potencial energético e impacto ambiental
Se concluída, Angra 3 poderá gerar até 1.405 megawatts de potência elétrica, suficiente para abastecer aproximadamente 4,5 milhões de pessoas.
O projeto também contribuiria para diversificar a matriz elétrica nacional, que ainda depende fortemente de fontes hidrelétricas e térmicas.
Do ponto de vista ambiental, a energia nuclear possui uma das menores taxas de emissão de gases de efeito estufa por quilowatt-hora.
São cerca de 12 g de CO₂ por kWh, conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
Esse índice é muito inferior ao de usinas a carvão, que emitem cerca de 820 g de CO₂ por kWh.
Investimento necessário e cenário financeiro
Para finalizar a obra, o investimento necessário gira em torno de R$ 23 bilhões.
O estudo do BNDES projeta uma tarifa estimada em R$ 653 por megawatt-hora (MWh), valor considerado viável em relação a outras fontes de geração.
Contudo, a situação financeira da Eletronuclear preocupa.
Em 2025, a empresa projeta déficit operacional de R$ 2,1 bilhões, mesmo após iniciar uma série de medidas de austeridade e reestruturação interna.
Um novo plano de negócios, com horizonte até 2029, foi aprovado para garantir maior sustentabilidade e transparência nas operações da estatal.
Futuro de Angra 3 ainda indefinido
Com o estudo do BNDES previsto para ser finalizado até dezembro de 2025, o CNPE terá a responsabilidade de definir o destino da usina nuclear.
Até lá, Angra 3 permanece como um exemplo dos desafios técnicos, financeiros e institucionais enfrentados por grandes projetos de infraestrutura no Brasil.
Qual caminho você acredita ser mais viável para o país: concluir Angra 3 ou encerrar definitivamente essa obra?

Continuar
Claro de essa obra deveria ser concluída. Pelo que já foi gosto terminar seria mais viável .
Interdita,sem pararalizacao do projeto!