1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / ANCESTRAL DE 1783, NOVE GERAÇÕES E UMA REVIRAVOLTA JURÍDICA: BRASILEIRA DESCOBRE NO PASSADO DA FAMÍLIA O CAMINHO PARA CONQUISTAR CIDADANIA ITALIANA
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

ANCESTRAL DE 1783, NOVE GERAÇÕES E UMA REVIRAVOLTA JURÍDICA: BRASILEIRA DESCOBRE NO PASSADO DA FAMÍLIA O CAMINHO PARA CONQUISTAR CIDADANIA ITALIANA

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 19/05/2026 às 17:04
Atualizado em 19/05/2026 às 17:06
Imigrantes italianos aguardam em porto no início do século XX com malas e pertences durante processo de migração para outros países
Cena histórica mostra famílias italianas aguardando embarque com malas e pertences durante a grande onda migratória italiana que marcou o fim do século XIX e o início do século XX.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Tribunal de Gênova reconheceu cidadania italiana de brasileira e seus filhos após análise de ancestral nascido antes da unificação da Itália, mas que morreu já durante o Reino da Itália.

Uma decisão histórica envolvendo cidadania italiana por descendência chamou atenção na Itália e no Brasil.

O Tribunal de Gênova reconheceu o direito à cidadania italiana de uma brasileira de 49 anos e de seus dois filhos, de 19 e 7 anos.

O caso teve como base o ancestral Carlo De Maria, nascido em 1783, em Borgio, na atual região da Ligúria, no norte italiano.

O reconhecimento envolveu nove gerações familiares e atravessou mais de dois séculos de história documentada.

Decisão do Tribunal de Gênova colocou ancestral de 1783 no centro do processo

A sentença assinada pela juíza Silvia Amoretti considerou um ponto decisivo: Carlo De Maria nasceu antes da unificação italiana, mas permaneceu vivo após a criação oficial do Reino da Itália.

A Itália foi unificada em 17 de março de 1861. A partir dessa data, Carlo passou a ser considerado cidadão italiano pelo entendimento judicial.

Esse detalhe foi fundamental para garantir o reconhecimento da cidadania italiana iure sanguinis aos descendentes brasileiros.

O Ministério do Interior italiano havia questionado a validade do pedido. O Tribunal de Gênova, porém, entendeu que o ancestral preenchia os critérios históricos necessários.

Trajetória de Carlo De Maria ajudou a comprovar a linhagem familiar

Carlo De Maria nasceu quando Borgio ainda fazia parte da antiga República de Gênova.

Naquele período, a Itália moderna ainda não existia como Estado unificado. O território era dividido entre reinos, ducados e repúblicas independentes.

Anos depois, Carlo emigrou para Gibraltar, onde se casou e teve um filho.

Em seguida, mudou-se com a família para o Brasil. Mais tarde, retornou à Itália, já integrada ao Reino da Itália, onde faleceu.

Lei italiana não impõe limite de gerações, mas exige atenção ao período histórico

Grupo de imigrantes italianos posa com malas e crianças em área urbana industrial durante período histórico de imigração para outros países no início do século XX.
Famílias italianas aparecem reunidas com malas e pertences durante período de imigração europeia, retratando a realidade enfrentada por descendentes que décadas depois buscariam reconhecimento de cidadania italiana.

A cidadania italiana por descendência não possui limite oficial de gerações.

A regra, no entanto, exige que o chamado dante causa, responsável pela transmissão da cidadania, tenha vivido após a unificação italiana.

Um ancestral que morreu antes de 17 de março de 1861 não pode transmitir cidadania italiana, pois o conceito moderno de cidadania ainda não existia.

Essa limitação impede buscas indefinidas por antepassados muito antigos sem vínculo jurídico com o Estado italiano.

Documentos seguem como etapa decisiva para descendentes brasileiros

A comprovação documental continua sendo um dos maiores desafios para quem busca o reconhecimento da cidadania italiana.

O processo exige certidões de nascimento, casamento e óbito de todos os ascendentes da linhagem familiar.

Toda a documentação precisa demonstrar conexão direta entre o requerente e o antepassado italiano.

No caso de Mariana B.D. e seus filhos, os documentos permitiram ligar a família a Carlo De Maria, mesmo 241 anos após seu nascimento.

Caso reacende interesse por cidadania italiana por descendência

A decisão reforça como histórias familiares antigas ainda podem produzir efeitos jurídicos relevantes nos dias atuais.

O caso também mostra que o ponto central não é apenas a distância entre gerações, mas a possibilidade de comprovar a linhagem e o vínculo histórico com a Itália unificada.

Diante dessa decisão envolvendo cidadania italiana, ancestral de 1783 e nove gerações, quantas famílias brasileiras ainda podem descobrir um direito escondido nos próprios documentos familiares?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x