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Eles dizem não à eletricidade, rejeitam carros, recusam internet e mantêm escolas, fazendas e cidades inteiras funcionando apenas com trabalho humano e comunitário: Amish, Menonitas e Hutteritas preservam há séculos um modo de vida que desafia tudo o que chamamos de mundo moderno

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/01/2026 às 17:35
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Amish, Menonitas e Hutteritas preservam há séculos um modo de vida que desafia tudo o que chamamos de mundo moderno
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Eles vivem sem eletricidade, carros, internet ou bancos por escolha própria. Amish, Menonitas e Hutteritas mantêm escolas, fazendas e economia própria no século XXI desafiando a vida moderna.

Em 2026, a humanidade se encontra hiperconectada, dependente de smartphones, redes elétricas, satélites, inteligência artificial e plataformas digitais para tarefas básicas como estudar, trabalhar, comprar ou comunicar-se. Nesse contexto, pode parecer impossível imaginar comunidades inteiras vivendo sem eletricidade, sem carros, sem internet, sem televisão e sem celulares, não por pobreza, mas por decisão religiosa, cultural e filosófica.

Esse é o caso dos Amish, Menonitas e Hutteritas, grupos cristãos de origem anabatista que, desde o século XVI, mantêm um modo de vida baseado na simplicidade, no trabalho manual, na vida rural, na presença familiar e na autossuficiência comunitária. Eles não se desconectaram do mundo — nunca se conectaram da forma que conhecemos.

Hoje, enquanto grandes cidades competem por energia renovável, expansão do 5G, hidrogênio verde e chips de IA, essas comunidades operam uma forma de sociedade paralela, funcional, estável, com economia própria e sem dependência do Estado, o que chama atenção de antropólogos, sociólogos, economistas e especialistas em resiliência cultural.

Origens históricas: uma ruptura com a modernidade antes da modernidade

Os Amish, Menonitas e Hutteritas surgiram no contexto da Reforma Protestante, na Europa Central. Perseguidos por não aceitarem o batismo infantil e insistirem em comunidades independentes e igualitárias, muitos migraram entre os séculos XVII e XIX para a América do Norte, onde encontraram territórios rurais ideais para viver seu modo de vida.

Amish

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  • Surgiram no século XVII, na Suíça, sob liderança de Jakob Amman.
  • Migraram majoritariamente para os EUA no século XVIII.
  • Hoje estão concentrados em Pensilvânia, Ohio, Indiana, com população em rápido crescimento devido à alta taxa de natalidade.

Menonitas

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  • Derivam dos seguidores de Menno Simons (século XVI).
  • São o grupo mais diverso internamente: vão de comunidades ultratradicionais a grupos moderados que usam eletricidade.

Hutteritas

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  • Fundados por Jakob Hutter no século XVI.
  • Diferenciam-se pela vida comunal coletiva: trabalho, renda e propriedade são compartilhados.

Esses três grupos herdaram uma visão de mundo que não mede progresso pela tecnologia, e sim pela coesão social, pela disciplina religiosa e pela autonomia agrícola.

Por que eles rejeitam eletricidade, carros e internet?

A rejeição não é irracional e nem anti-científica. Para essas comunidades, tecnologia não é neutra: ela altera comportamentos, cria dependência e pode gerar desigualdade interna. A pergunta deles nunca foi “isso facilita a vida?”, mas “isso destrói a comunidade?”.

Por exemplo:

  • Eletricidade conectada à rede pública pode trazer televisão, internet, celulares e entretenimento individual — o que, para eles, enfraquece a vida comunitária.
  • Carros particulares permitem que jovens se afastem das comunidades, gerando dispersão familiar.
  • Internet abre as portas para individualismo, consumismo e cultura externa, que entra em choque com valores religiosos e sociais do grupo.

Além disso, essas comunidades valorizam trabalho manual, autossuficiência, economia circular, proximidade familiar e vida espiritual, o que contrasta diretamente com o ritmo urbano baseado em produtividade, velocidade e consumo.

Vida sem eletricidade: como é o cotidiano de uma sociedade que rejeita o circuito elétrico

É comum imaginar que viver sem eletricidade significa miséria, mas no caso dos Amish e de parte dos Menonitas e Hutteritas ocorre o contrário: a vida sem energia moderna exige organização social, autossuficiência e engenhosidade tecnológica.

Fontes de luz

  • Lampião a querosene
  • Velas
  • Luminárias de gás
  • Janelas estrategicamente posicionadas

Refrigeração

  • Gelo natural
  • Casas subterrâneas
  • Refrigeração por amônia (alguns grupos permitem)

Cozinha

  • Fogões a lenha
  • Fornos de tijolo
  • Fogões a gás propelido

Comunicação

  • Sem celular, sem internet, sem televisão
  • Uso de cartas, mensageiros ou visita presencial

Transporte

  • Carroça e cavalo para os Amish
  • Bicicletas em algumas comunidades Menonitas
  • Tratores sem pneus de borracha para evitar mecanização “excessiva”

Educação

O ensino é comunitário, presencial e prático. Crianças aprendem:

  • Aritmética
  • Leitura e escrita
  • Agricultura
  • Marcenaria
  • Costura
  • Gestão do lar

Ao contrário das escolas modernas, não há computadores, telas ou dispositivos.

Economia autossuficiente: como essas comunidades sobrevivem sem Estado e sem capitalismo de consumo

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Existe um erro comum de imaginar que esses grupos vivem em “isolamento total”. Não é verdade. Eles interagem economicamente com o mundo, mas de forma estruturalmente limitada.

Amish

Têm forte economia agrícola, com produção de:

  • Laticínios
  • Cereais
  • Hortaliças
  • Carnes
  • Artesanato
  • Móveis
  • Construção civil

Muitos Amish trabalham como carpinteiros e empreiteiros altamente qualificados. Eles aceitam dinheiro, mas raramente usam bancos.

Menonitas

Alguns grupos operam empresas, escolas e hospitais próprios. Outros vivem em colônias rurais e seguem rotinas mais rígidas.

Hutteritas

São conhecidos pela produção agrícola em larga escala graças ao modelo comunal. Eles operam com eficiência econômica alta, utilizando propriedade coletiva, divisão de trabalho e disciplinamento produtivo.

Tecnologia seletiva: eles não rejeitam tudu, mas avaliam tudo

Ao contrário do mito popular, essas comunidades não rejeitam tecnologia por completo. Elas possuem critérios rigorosos de adoção:

Fragiliza a comunidade?
Se enfraquece a vida coletiva, é recusada.

Cria desigualdade interna?
Se coloca um acima do outro, é rejeitada.

Substitui trabalho essencial?
Se elimina o valor do trabalho manual, é evitada.

Isso explica por que:

  • Amish podem usar painéis solares para bombas de água, mas não internet.
  • Hutteritas podem ter tratores modernos, mas não carros pessoais.
  • Menonitas moderados podem ter eletricidade, mas sem televisão.

A tecnologia que salva vidas ou aumenta produtividade sem destruir coesão social é admitida.

Em pleno século XXI, essas comunidades sobrevivem por um motivo simples: funcionam

Em meio à era digital, esses grupos não desapareceram, cresceram. Há três razões centrais:

Taxa de natalidade alta
Famílias Amish costumam ter entre 5 e 8 filhos.

Baixa evasão cultural
Entre 80% e 90% dos jovens decidem ficar na comunidade após a fase de escolha (Rumspringa).

Baixa dependência externa
Eles produzem a maior parte do que consomem.

Enquanto sociedades urbanas enfrentam crises de saúde mental, solidão digital, endividamento e hiperconexão, esses grupos mostram indicadores inversos: forte coesão social, baixa criminalidade, baixa ansiedade tecnológica, autonomia econômica e forte senso de pertencimento.

O que essas comunidades revelam sobre o mundo moderno

Quando observados de fora, Amish, Menonitas e Hutteritas podem parecer “atrasados”. Mas, quando analisamos pela lente de resiliência cultural, autossuficiência e saúde comunitária, uma pergunta surge:

Quem está adaptado a quê?

Enquanto sociedades modernas dependem de:

  • Redes elétricas
  • Internet
  • Bancos
  • Supermercados
  • Transporte motorizado
  • Tecnologia médica
  • Consumo digital

Esses grupos dependem de:

  • Família
  • Comunidade
  • Trabalho físico
  • Terra
  • Habilidade manual
  • Autonomia alimentar

Eles não representam o passado, representam um outro futuro possível, necessariamente minoritário, mas funcional.

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Jesiah Waldner
Jesiah Waldner
09/01/2026 23:58

Hutterites have electricity, vehicles, cellphones and most use the internet. The same it true for most Mennonites.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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