Modelo A350-1000ULR concluiu seu primeiro voo de teste e avança no projeto que pretende criar a rota comercial sem escalas mais longa do planeta
A aviação comercial deu mais um passo rumo aos voos de ultralonga duração. Na terça-feira, 2 de junho de 2026, a Airbus realizou o primeiro voo de teste do A350-1000ULR, aeronave desenvolvida para operar trajetos de até 22 horas sem escalas.
Dados divulgados pela fabricante mostram que o modelo MSN 707 permaneceu no ar por 3 horas e 43 minutos durante um voo experimental realizado em Toulouse, na França. A aeronave alcançou mais de 41 mil pés de altitude, equivalente a aproximadamente 12.500 metros.
O programa foi criado para atender principalmente à companhia aérea australiana Qantas, que pretende conectar Sydney diretamente a Londres e Nova York, eliminando escalas em algumas das rotas mais longas do mundo.
-
Um estudo propõe transformar a Lua numa espécie de centro de quarentena para amostras trazidas de Marte e de outros mundos, criando uma barreira estéril e isolada que filtraria qualquer organismo desconhecido antes de o material chegar à Terra e aos seus ecossistemas
-
Caderno de cera cai em latrina há 800 anos, sobrevive intacto na Alemanha e revela anotações em latim que podem expor a rotina de um comerciante medieval de alto status
-
Depois de mais de 11 anos orbitando Marte, a NASA declarou perdida a sonda MAVEN, que sumiu ao passar por trás do Planeta Vermelho em dezembro, começou a girar de forma anormal, esgotou as baterias e nunca mais respondeu aos controladores na Terra
-
China cria cápsula com inteligência artificial que escaneia o estômago em apenas 8 minutos e pode reduzir custos em até R$ 1.400, abrindo caminho para uma nova era dos diagnósticos gastrointestinais sem tubos, sedação e desconforto aos pacientes

Primeiro teste marca início da fase de certificação
O voo experimental ocorreu com uma equipe especializada da Airbus responsável pela avaliação dos sistemas da aeronave.
Informações da fabricante indicam que os pilotos executaram verificações gerais de desempenho e analisaram o funcionamento da nova arquitetura do sistema de combustível.
A operação marcou oficialmente o início da campanha de certificação do modelo. O cronograma prevê aproximadamente dois meses de testes para validar todas as modificações implementadas na aeronave.
Especialistas da Airbus também avaliarão sistemas relacionados ao conforto dos passageiros, incluindo ventilação da cabine, controle de temperatura e novos equipamentos instalados na cozinha de bordo.
Tanque adicional amplia autonomia para voos extremos
O diferencial do A350-1000ULR está diretamente ligado à sua capacidade de percorrer distâncias excepcionais sem necessidade de reabastecimento.
A sigla ULR significa Ultra Long Range, expressão utilizada para identificar aeronaves de alcance ultralongo.
Segundo a Airbus, a versão recebeu um tanque extra capaz de armazenar mais 20 mil litros de combustível.
A modificação amplia a autonomia em mais de 1.800 quilômetros, permitindo operações que ultrapassam os limites da configuração convencional do A350-1000.
Atualmente, o voo comercial mais longo do planeta é realizado pela Singapore Airlines entre Singapura e Nova York. A rota possui cerca de 15.350 quilômetros e supera 18 horas de duração.
O projeto da Qantas prevê voos entre Sydney e Londres com aproximadamente 18.500 quilômetros, elevando ainda mais esse patamar.
Cabine privativa da classe executiva do Airbus A350-1000ULR com poltrona ampla, mesa de trabalho, tela de entretenimento e janelas panorâmicas, configuração desenvolvida para viagens ultralongas do Projeto Sunrise da Qantas.
Projeto Sunrise quer mudar a experiência dos voos de longa distância
A Qantas encomendou as primeiras 12 unidades do A350-1000ULR para viabilizar o chamado Projeto Sunrise.
O nome foi escolhido porque os passageiros poderão observar o nascer do sol duas vezes durante determinados trajetos, consequência das diferenças de fuso horário ao longo das viagens.
A entrega da primeira aeronave está prevista para abril de 2027.
Planejamentos anteriores indicavam estreia em 2025. Posteriormente, o cronograma foi transferido para o final de 2026 antes da definição da nova previsão.
Outras 12 aeronaves A350-1000 também foram encomendadas para rotas internacionais de longa distância.

Cabine terá menos passageiros e mais conforto
A configuração interna foi projetada para priorizar conforto em viagens que poderão durar quase um dia inteiro.
Cada voo transportará até 238 passageiros, número inferior aos cerca de 300 assentos normalmente disponíveis na versão convencional da aeronave.
A distribuição inclui:
• 6 assentos na primeira classe
• 52 assentos na classe executiva
• 40 assentos na econômica premium
• 140 assentos na classe econômica
A primeira classe contará com quarto privativo, cama, poltrona reclinável, televisão de 32 polegadas, guarda-roupa e espaço para refeições.
Passageiros da classe executiva terão poltronas de dois metros de comprimento, carregamento sem fio, televisão de 18 polegadas e opção de fechamento da cabine.
A econômica premium oferecerá apoio para pernas, apoio para cabeça e tela individual de 13,3 polegadas.
A classe econômica receberá espaço adicional para as pernas e o mesmo sistema individual de entretenimento.

Bem-estar dos passageiros está no centro do projeto
O plano da Qantas inclui uma área dedicada ao bem-estar dos passageiros durante a viagem.
O espaço permitirá alongamentos, hidratação e alimentação ao longo do percurso.
Todos os ocupantes também terão acesso à conexão Wi-Fi durante o voo.
Equipes da companhia trabalharam com especialistas em sono para reduzir os efeitos do jet lag.
Sistemas de iluminação e horários das refeições foram desenvolvidos especificamente para ajudar passageiros a se adaptarem às mudanças de fuso horário.
O projeto ainda está em fase de testes, mas já levanta uma questão interessante para o futuro da aviação.
Você passaria até 22 horas dentro de um avião para chegar ao outro lado do mundo sem fazer nenhuma escala?

-
1 pessoa reagiu a isso.