Em Leoberto Leal, agricultor constrói casa sozinho no topo de uma figueira centenária, trabalha à noite, usa madeira com baixo custo, evita pregos para proteger a árvore e vê o sítio virar ponto turístico disputado.
Quando um agricultor constrói casa sozinho a 11 metros de altura no meio dos galhos de uma figueira centenária, ele não levanta só uma casa na árvore. Ele tira do papel um sonho de infância que muita gente só viu em filme e transforma um pedaço do interior de Santa Catarina em destino de curiosos, famílias e crianças encantadas. É isso que Silvino fez na localidade de Vargem dos Bugres, em Leoberto Leal, na Grande Florianópolis, ao decidir que aquela árvore enorme no meio do sítio merecia virar casa de verdade.
Mais do que a construção em si, o que chama atenção é o caminho até lá. Enquanto a maior parte das pessoas apenas imagina uma casinha na árvore, o agricultor constrói casa sozinho literalmente no tempo que lhe sobrava, depois de um dia inteiro de trabalho na roça.
Sem projeto pronto, sem manual e sem modelos detalhados de como fazer, ele combinou intuição, planejamento e muitas noites em claro para erguer uma estrutura de madeira espaçosa, com varanda, banheiro e vista de cartão postal.
-
Sem querer entregar quase tudo o salário em aluguel, mulher de 33 anos transformou um contêiner marítimo em casa, passou a viver na roça, criar galinhas, produzir seu próprio alimento e reduziu as despesas mensais para pouco mais de US$ 330
-
Cansada da lógica de derrubar prédios antigos, a França transformou 530 apartamentos sociais ocupados com varandas gigantes, jardins de inverno e fachadas de vidro sem demolir os blocos
-
Sem dinheiro para o aluguel, casal decide morar na garagem dos pais, transforma o espaço em um apartamento funcional por conta própria e surpreende ao montar um lar completo por uma fração do mercado
-
Sem querer pagar aluguel, jovem de 22 anos comprou um reboque velho de fazenda por £60, reaproveitou materiais de obra e passou três anos transformando a estrutura de 16 por 8 pés em uma pequena casa de dois níveis
Da fantasia de infância à casa na árvore real
A casa na árvore faz parte do imaginário de quase todo mundo. Silvino conta que sempre quis um espaço como aqueles vistos em filmes e desenhos, onde as crianças sobem, brincam e inventam histórias. Quando comprou o sítio em Vargem dos Bugres e viu a figueira enorme no meio do terreno, a ideia começou a tomar forma.
Ele mesmo desenhou o projeto, olhando exemplos de casas na árvore na internet e adaptando tudo à realidade da figueira centenária que tinha em casa.
O agricultor constrói casa sozinho a cerca de 11 metros de altura, respeitando os galhos principais e aproveitando a copa para criar um espaço amplo entre as folhas.
Para chegar lá em cima, é preciso encarar uma escada com cerca de 35 degraus, mas a vista ao final da subida compensa cada passo.
Planejamento, dúvida e o desafio de começar

Silvino admite que, no começo, não fazia ideia de por onde iniciar. Ele assistia a vídeos que mostravam casas já prontas, mas quase nenhum explicava o passo a passo da construção. Várias vezes, sentado olhando para a árvore, ele se perguntava como tirar o plano do papel.
O primeiro passo foi erguer a escada, usando duas peças grandes e pesadas de madeira. Depois que essa parte ficou pronta, ele sentiu que o projeto tinha finalmente um começo concreto.
A partir dali, o agricultor constrói casa sozinho etapa por etapa, sempre buscando uma forma de manter a estrutura firme sem agredir a figueira.
Ele mesmo reconhece que olhar de baixo parece fácil, mas começar foi a parte mais difícil de toda a obra.
Noite na obra, dia na roça
Durante o dia, Silvino seguia trabalhando na fumicultura. A rotina na roça ocupava praticamente todo o horário comercial. Sobrou para a casa na árvore o turno da noite.
E foi assim que o agricultor constrói casa sozinho em horário em que a maioria das pessoas está descansando.
Na época, ainda não havia energia elétrica disponível no ponto onde a casa seria construída. Para contornar o problema, Silvino puxou uma extensão e improvisou iluminação suficiente para cortar madeira, montar peças e fixar a estrutura no alto da figueira.
A esposa, Bel, acompanhava tudo dali de baixo, sempre preocupada com o risco. Ela tem medo de altura e conta que muitas vezes preferia nem olhar, com receio de ver o marido em situação perigosa no alto da árvore.
Em várias noites, ela estranhava o silêncio, sem barulho de máquina ou ferramenta, e ia até fora de casa verificar se estava tudo bem.
Silvino, por sua vez, diz que não havia segurança alguma, nem cinto, nem plataforma, apenas a certeza de que precisava terminar o que tinha começado. Ele chegou a pensar que, se fosse a hora de morrer, cairia dali, mas decidiu continuar mesmo assim.
Madeira, correntes e cabos de aço para proteger a figueira centenária
Um dos pontos mais marcantes do projeto é a forma como a estrutura foi presa à árvore. Desde o início, a preocupação de Silvino era não machucar a figueira.
Por isso, o agricultor constrói casa sozinho usando madeira de eucalipto para reduzir custos e, no lugar de pregos diretamente no tronco, duas correntes grandes e três cabos de aço que abraçam a árvore e sustentam o piso e as paredes.
Ele conta que evitou cortar galhos verdes. O único corte foi em um galho seco, ainda assim deixando um pedaço aparente para mostrar que se tratava de parte morta da árvore, não de um ramo saudável removido para a obra. Isso reforça a ideia de que a casa foi planejada para coexistir com a figueira, e não para substituí-la.
Por dentro, o espaço é maior do que muita gente imagina. A casa tem banheiro, área de convivência e uma varanda generosa voltada para a paisagem ao redor.
Hoje, já conta com energia elétrica, o que permite usar o lugar em diferentes horários do dia, seja para descansar, seja para receber visitas.
Quando a construção muda de escala e vira atração turística
O plano original do agricultor era fazer uma casa ainda maior. No entanto, durante a construção, ele percebeu que metade da figueira não tinha galhos fortes o suficiente para suportar uma ampliação segura. O projeto foi adaptado, mas sem perder o encanto.
Com o tempo, a história de que um agricultor constrói casa sozinho em uma figueira centenária começou a se espalhar pela região.
Crianças da vizinhança passaram a visitar com frequência e, pouco a pouco, pessoas de outras cidades começaram a aparecer.
A casa na árvore virou ponto turístico em Leoberto Leal, atraindo visitantes de municípios como Brusque e Botuverá, que seguem em direção à localidade de Vargem dos Bugres e perguntam aos moradores pelo caminho até a famosa casa na árvore.
Silvino diz que nunca construiu pensando em chamar a atenção. A ideia era apenas realizar um sonho antigo. Mesmo assim, ele confessa que fica contente quando alguém chega para conhecer a obra.
A porta fica quase sempre aberta e, se a família estiver em casa, o visitante é bem-vindo para subir a escada e ver a vista lá de cima.
Sem aluguel, mas com planos de ampliar o sonho
Muita gente pergunta se ele pretende alugar a casa para hospedagem. A resposta é não. O agricultor constrói casa sozinho para realização pessoal e para receber visitantes, não para transformar o espaço em pousada.
O que ele planeja, no entanto, é aproveitar o fluxo de turistas para montar uma pequena estrutura de atendimento, como um bar na cancha, onde quem chega possa tomar uma cerveja ou um refrigerante.
A animação com o resultado é tão grande que Silvino já pensa em repetir a experiência. Há outra figueira na propriedade e ele sonha em construir uma segunda casa na árvore, sempre respeitando a saúde da planta e usando soluções semelhantes às da primeira construção, com correntes e cabos de aço no lugar de pregos.
A casa atual foi inaugurada em grande estilo. O casal fez questão de dormir nela para testar tudo. Em uma das primeiras noites, parentes de Brusque lotaram a casa principal e, para acomodar todos, Silvino e Bel passaram a noite na casa da árvore.
Depois disso, filhos e sobrinhos também quiseram dormir lá em cima. O agricultor garante que a estrutura é firme e brinca dizendo que a sensação é de estar em uma casa ainda mais estável do que muitas feitas no chão.
Agricultor constrói casa sozinho e prova que sonho de criança não tem prazo de validade
No fim das contas, a história de Silvino mostra que o rótulo de “coisa de criança” não precisa ser uma sentença de abandono.
Quando um agricultor constrói casa sozinho em uma figueira centenária, enfrentando medo, altura, noites de trabalho e falta de manual, ele manda um recado silencioso para quem deixou sonhos de lado com o passar do tempo.
Sonhos antigos podem virar projetos concretos, desde que alguém tope começar, mesmo sem ter todas as respostas.
A casa na árvore em Leoberto Leal virou cenário de fotos, ponto de encontro de famílias e cartão de visitas de uma cidade pequena que agora também é lembrada por uma construção improvável.
Mais do que um endereço curioso, ela é um lembrete de que criatividade, coragem e perseverança ainda movem muita coisa no interior do Brasil.
E você, depois de conhecer a história em que um agricultor constrói casa sozinho no alto de uma figueira centenária, qual sonho de infância ainda está esperando a sua vez de sair do papel?


Que orgulho conhecer uma história tão real…e linda …
Perfeito ! Parabéns o senhor é um verdadeiro arquiteto! Lindo demais 😍! Um dia vou conseguir conhecer essa casa ! Deus abençoe o Senhor e todos!
Meus parabéns seu Silvino, fiquei até maia motivada a fazer a minha, pois tenho esse sonho também.