Uber anuncia início da operação comercial de táxis aéreos elétricos eVTOL em Dubai nos próximos meses com voos de 11 minutos para trajetos que levam até 1h20 por carro
A Uber Air iniciará operações comerciais de táxi aéreo elétrico em Dubai nos próximos meses, em parceria com a Joby Aviation, prometendo reduzir trajetos de até 1 hora e 20 minutos para 11 minutos e integrar todo o deslocamento ao aplicativo.
O anúncio foi feito durante evento realizado em Dubai, onde a Uber e a fabricante americana Joby Aviation confirmaram o começo da operação comercial de seus eVTOLs nos Emirados Árabes Unidos. A iniciativa marca a transição de testes para voos pagos ao público.
A proposta central é integrar toda a jornada ao aplicativo. Um carro leva o passageiro até um vertiporto, o voo ocorre sobre o trânsito urbano e, no destino final, outro veículo aguarda para concluir o trajeto terrestre.
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Durante a apresentação, a empresa detalhou um percurso considerado clássico em Dubai que, no horário de pico, pode consumir até 1 hora e 20 minutos de carro. Pelo ar, o mesmo trajeto foi realizado em 11 minutos.
Segundo a Uber, a principal justificativa do serviço é a economia de tempo. O preço ainda não foi divulgado, mas a expectativa é que fique próximo aos valores do Uber Black nessa fase inicial.
Aposta em eficiência e integração total pelo aplicativo
Sarfraz Maredia, chefe global de mobilidade autônoma da Uber, afirmou que a ideia de decolagem vertical já não é mais teórica. A empresa aposta na simplicidade operacional para reduzir barreiras de adoção do novo modal.
Sachin Kansal, chefe de produtos da Uber, descreveu o aplicativo como um controle remoto da viagem. Ao selecionar o trajeto, o usuário visualizará a opção Uber Air ao lado das categorias Black ou X.
A intenção é eliminar a complexidade tradicional do fretamento de helicópteros, oferecendo reserva direta no aplicativo. A empresa defende que o usuário poderá solicitar o serviço a qualquer hora do dia.
Apesar da promessa, o custo operacional envolve certificação aeronáutica, baterias de alta densidade e infraestrutura de solo, fatores que elevam o investimento necessário para manter o modelo em funcionamento.
Certificação da FAA é etapa final antes da produção em massa de táxi aéreo
Anthony El-Khoury, executivo da Joby Aviation nos Emirados Árabes, afirmou que a expansão global depende da certificação da FAA, agência de aviação civil dos Estados Unidos.
Segundo ele, a empresa está no quinto e último estágio da certificação de tipo da aeronave. O processo é descrito como rigoroso, oneroso e prolongado, exigindo envio contínuo de dados técnicos para análise.
El-Khoury declarou que a maior parte dos testes já foi realizada. A etapa atual consiste na validação dos resultados para garantir segurança absoluta antes da produção em escala comercial.
A operação em Dubai ocorre devido à parceria com o governo local, enquanto a certificação americana é vista como condição essencial para a ampliação internacional do serviço.
Táxi aéreo: Aeronave elétrica promete ser 100 vezes mais silenciosa que helicóptero
O eVTOL da Joby foi projetado para transportar quatro passageiros e um piloto. O interior foi desenvolvido para remeter ao ambiente de um sedã executivo, com acabamento refinado e janelas panorâmicas.
O diferencial técnico mais enfatizado é o conforto acústico. A aeronave elétrica promete ser 100 vezes mais silenciosa que um helicóptero convencional durante decolagem e pouso.
Na prática, isso permitiria conversas normais dentro da cabine, sem necessidade de fones com cancelamento de ruído. A proposta é transformar o voo em uma extensão do escritório ou da sala de estar.
A promessa de silêncio é parte da estratégia para diferenciar o serviço da experiência utilitária tradicional dos helicópteros urbanos.
Brasil entra no radar e disputa inclui Embraer e Eve Air Mobility
A Joby considera o Brasil um mercado potencial para expansão da Uber Air, citando a existência de infraestrutura de helicópteros e hábito consolidado em cidades como São Paulo.
Segundo Anthony, os helipontos existentes poderiam ser adaptados com mudanças regulatórias mínimas, envolvendo marcações de solo, combate a incêndio e eletrificação para recarga das aeronaves.
São Paulo possui a maior frota de helicópteros urbanos do mundo, fator que, segundo a empresa, pode facilitar a adaptação da infraestrutura para os eVTOLs.
No entanto, a Uber enfrentará concorrência direta da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. A empresa brasileira possui carteira de encomendas superior a 2.900 veículos e experiência regulatória junto à Anac e ao Decea.
Startups como Joby, Archer, Lilium e Wisk ainda precisam demonstrar capacidade de escalar produção em massa. Para a Uber, a base de 150 milhões de usuários mensais pode garantir demanda constante.
Maredia destacou que a utilização é o ponto central do modelo de negócio. Se a aeronave permanecer parada por muito tempo carregando ou sem passageiros, o modelo pode se tornar inviável.
O anúncio em Dubai representa a materialização de uma promessa de décadas. Para as metrópoles globais, contudo, a consolidação da Uber Air ainda dependerá da equação entre custo operacional, escala e demanda real.
Com informações de O Globo.

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