O X-37B é uma espaçonave reutilizável da Força Espacial dos Estados Unidos capaz de permanecer anos em órbita, realizar manobras e pousar como um avião.
Uma nave sem tripulação, lançada na ponta de um foguete e capaz de permanecer em órbita durante anos antes de voltar à Terra, tornou-se uma das plataformas mais reservadas do programa espacial norte-americano. O X-37B combina características de satélite, avião e ônibus espacial, mas boa parte do que faz fora do planeta permanece sob sigilo.
Segundo publicado pelo CanalTech em 2025, a Força Espacial dos Estados Unidos apresenta o veículo como um laboratório orbital destinado a experiências e à avaliação de tecnologias. O nível limitado de informações, entretanto, transformou cada missão em motivo para observação e especulação.
Seu histórico mostra que o programa não se resume a voos breves. Em uma das operações, a espaçonave permaneceu 908 dias no espaço e só retornou em 2022, quando tocou a pista do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
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Retorno à Terra diferencia o X-37B de satélites comuns
Ao final de uma missão, o veículo não é abandonado em órbita nem destruído na atmosfera. Ele realiza a descida e aterrissa horizontalmente, utilizando uma pista convencional. O lançamento ocorre de outra forma. Como a nave não possui capacidade para sair do solo por meios próprios, um foguete a transporta verticalmente até o espaço.
Depois da separação, o X-37B passa a operar de maneira autônoma. Durante esse período, pode alterar sua trajetória e executar manobras ao redor da Terra. Essa combinação permite recuperar a espaçonave, examinar os sistemas utilizados e preparar o veículo para novas operações.
A aparência do X-37B remete às antigas naves reutilizáveis da NASA, embora suas dimensões sejam bem menores. O veículo possui aproximadamente 8,8 metros de comprimento e 2,9 metros de largura. O formato inclui nariz arredondado, asas curtas e uma cauda compatível com o pouso em pista.

Apesar da semelhança visual, não existe cabine para astronautas. O funcionamento é automatizado, o que elimina a necessidade de manter pessoas a bordo durante permanências prolongadas. Essa característica permite missões que ultrapassam com folga o tempo que seria adequado para uma tripulação humana.
Uma operação durou 224 dias e outra superou dois anos
A primeira missão mencionada do programa ocorreu em 2010. Naquela ocasião, um dos veículos permaneceu 224 dias fora da Terra. Dez anos depois, outro X-37B iniciou sua sexta operação. O voo terminou somente em 2022, após 908 dias em órbita.
A diferença entre essas durações mostra que não existe um intervalo fixo para o retorno. Como o cronograma completo não costuma ser divulgado, a data do pouso permanece desconhecida até as etapas finais. O tempo prolongado também permite testar equipamentos e materiais sob as condições encontradas no ambiente espacial.
Algumas cargas transportadas pelo X-37B já foram reveladas pelas autoridades norte-americanas. A maior parte dos componentes, porém, continua sem descrição pública detalhada. O veículo também dispõe de um módulo de serviço, estrutura que amplia a quantidade de experimentos levados para a órbita.
Segundo a explicação oficial, o programa serve para avaliar sistemas que poderão ser utilizados em futuras espaçonaves e para conduzir testes fora da atmosfera. Ainda assim, não há uma lista completa das atividades executadas durante cada missão.
Sigilo alimentou teorias sobre uso militar
A ausência de informações levou ao surgimento de hipóteses sobre funções diferentes daquelas anunciadas. Uma das especulações afirmava que o avião espacial poderia servir como uma arma destinada a interferir ou capturar satélites.
As Forças Armadas dos Estados Unidos rejeitaram essa interpretação. A posição oficial sustenta que o X-37B funciona como plataforma de experimentação tecnológica. Mesmo com a negativa, o caráter militar do programa e a falta de detalhes continuam despertando dúvidas sobre todas as capacidades do veículo.

O programa é reservado, mas o avião espacial não permanece completamente invisível. Como os lançamentos são anunciados, observadores conseguem acompanhar a trajetória inicial e procurar o objeto no céu. Astrônomos amadores já registraram imagens da espaçonave durante suas passagens.
Ralf Vandebergh, que realiza o rastreamento de satélites, relatou ter identificado partes do formato do veículo nas fotografias, incluindo a região frontal, a área de carga e a cauda. Esses registros permitem acompanhar sua presença em órbita, embora não revelem os equipamentos transportados nem os testes realizados.
Programa passou por diferentes órgãos dos Estados Unidos
O desenvolvimento do X-37B teve ligação inicial com a NASA. Em 2004, duas unidades foram transferidas para a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, a Darpa, ligada ao Pentágono. Posteriormente, os veículos ficaram sob responsabilidade da Força Aérea dos Estados Unidos.
A administração mudou novamente após a criação da Força Espacial, estabelecida em 2020. Desde então, o programa passou a integrar a estrutura do novo ramo militar. Essa trajetória mostra como o projeto migrou de uma origem ligada à pesquisa espacial para uma operação conduzida pela área de defesa.
O valor do X-37B está na capacidade de levar equipamentos ao espaço, mantê-los em operação por longos períodos e trazê-los de volta. Um satélite tradicional pode transmitir resultados, mas nem sempre permite recuperar fisicamente todos os componentes testados. O avião espacial oferece essa possibilidade ao pousar inteiro.
Depois do retorno, técnicos podem examinar desgastes, materiais e sistemas que ficaram expostos ao ambiente orbital. O módulo de serviço também aumenta o espaço disponível para experimentos, ampliando a quantidade de tecnologias avaliadas em uma única missão.
Operação autônoma permite missões extensas
A ausência de astronautas reduz diversas limitações associadas a voos tripulados. Não há necessidade de manter sistemas destinados à alimentação, acomodação ou rotina humana durante centenas de dias. O veículo pode permanecer em atividade enquanto houver condições técnicas para cumprir os objetivos definidos.
Essa autonomia ajuda a explicar por que uma missão conseguiu se estender por 908 dias. Quando o trabalho termina, a nave executa o retorno e pousa em uma instalação preparada para recebê-la.
As informações conhecidas permitem compreender como a espaçonave é lançada, de que maneira retorna e quanto tempo pode permanecer no espaço. O conteúdo exato de muitas missões, no entanto, continua inacessível ao público. Essa diferença entre capacidade conhecida e finalidade pouco explicada sustenta a fama do programa.
O X-37B já demonstrou que pode operar por anos, mudar sua trajetória orbital e voltar à Terra sem tripulação. O que ainda não foi totalmente esclarecido é quais experiências ocupam esse período e quais tecnologias estão sendo preparadas dentro de uma das espaçonaves mais discretas em atividade.
Fonte: CanalTech

