1. Início
  2. / Construção
  3. / Adeus tijolo tradicional: nova tecnologia muda a construção civil com bloco que une agregados reciclados, mineraliza resíduos industriais e ainda ajuda na contenção do aquecimento global
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 1 comentário

Adeus tijolo tradicional: nova tecnologia muda a construção civil com bloco que une agregados reciclados, mineraliza resíduos industriais e ainda ajuda na contenção do aquecimento global

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/03/2026 às 15:13
Assista o vídeoBloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.
Bloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
66 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Bloco britânico aposta na mineralização de resíduos para capturar CO₂ e promete virar referência em alvenaria de baixo carbono, combinando agregados reciclados, tecnologia industrial e balanço ambiental negativo declarado por fabricantes do setor de construção.

A construção civil, historicamente associada a materiais intensivos em energia e emissões, ganhou um exemplo de produto que tenta inverter essa lógica no próprio componente de alvenaria.

O bloco Carbon Buster, desenvolvido no Reino Unido, foi apresentado como um bloco de concreto “carbono negativo”, expressão usada quando o material, segundo seus desenvolvedores, incorpora mais dióxido de carbono do que aquele emitido na etapa de fabricação do produto.

Tecnologia de carbonatação acelerada transforma resíduos em agregados

O Carbon Buster é atribuído à fabricante britânica Lignacite e surgiu a partir de uma parceria com a Carbon8, empresa ligada ao desenvolvimento de uma técnica chamada de tecnologia de carbonatação acelerada, conhecida pela sigla ACT.

Em vez de tratar o CO₂ apenas como um gás a ser evitado, o processo se baseia em capturar e fixar esse carbono em forma mineral, transformando resíduos industriais em agregados que entram na composição do bloco.

O ponto central que sustenta o apelo do Carbon Buster é a alegação de que o bloco “captura mais do que emite” durante a fabricação, com um número que costuma ser reproduzido em publicações técnicas do setor: 14 kg de CO₂ por tonelada a favor do produto, ou seja, um saldo negativo de carbono por tonelada de material produzido.

Essa métrica aparece associada à combinação de agregados reciclados com agregados carbonatados produzidos pela Carbon8 a partir de subprodutos e resíduos industriais.

Bloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.
Bloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.

Bloco carbono negativo e economia circular na construção

A proposta se insere em um campo maior de inovação em materiais de construção que tenta dar destino a frações difíceis de reaproveitar e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada de carbono dos insumos.

No caso do Carbon Buster, a origem de parte do material está ligada a resíduos gerados por plantas de “waste-to-energy”, instalações que convertem resíduos em energia e que também produzem subprodutos sólidos.

O que era tratado como passivo ambiental e custo de destinação passa a ser visto como matéria-prima, desde que estabilizado e transformado em agregado com comportamento compatível com uso em produtos cimentícios.

A tecnologia de carbonatação acelerada é descrita como uma versão controlada e intensificada de um fenômeno natural: a carbonatação, reação em que compostos ricos em cálcio reagem com CO₂ e formam carbonatos, retendo o carbono em uma forma estável.

A diferença do método industrial é que ele busca acelerar e controlar essa transformação, com parâmetros operacionais definidos para viabilizar escala e repetibilidade.

Ao final, o resultado é um agregado artificial carbonatado que pode ser incorporado a produtos para construção, incluindo blocos de concreto.

Desempenho técnico e aplicação na alvenaria

Na prática, o bloco entra no radar de construtores porque preserva a lógica da alvenaria, com um componente que pode ser assentado, modulando paredes e fechamentos com produtividade conhecida pelo setor.

O interesse se amplia por um motivo adicional: iniciativas de descarbonização costumam exigir mudanças profundas de processo, enquanto um bloco com o mesmo papel de um elemento convencional tende a ser mais facilmente testado em obras e especificações, desde que atenda aos requisitos técnicos e às normas aplicáveis para unidades de alvenaria.

Fabricantes e fontes setoriais descrevem o Carbon Buster como um produto de alvenaria de concreto que utiliza mais de 50% de agregados reciclados, somados a agregados carbonatados oriundos de subprodutos de plantas de conversão de resíduos em energia.

Bloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.
Bloco Carbon Buster usa carbonatação acelerada para capturar CO2 e promete alvenaria com carbono negativo no Reino Unido.

Essa combinação é apresentada como um caminho para reduzir a extração de matéria-prima virgem e, simultaneamente, fixar CO₂ no material por meio da mineralização associada ao agregado carbonatado.

Para a engenharia, a discussão sobre um bloco “carbono negativo” não se resume ao slogan.

Ela depende do que é medido e de como é calculado o balanço de emissões, incluindo o que entra como emissões de processo, energia consumida, transporte de materiais e o quanto de CO₂ foi efetivamente mineralizado e considerado no inventário do produto.

Nesse contexto, o dado de 14 kg de CO₂ por tonelada, atribuído aos divulgadores do material em publicações do setor, funciona como um atalho de comunicação, mas também como um número que desperta interesse para avaliações de desempenho ambiental e comparações com alternativas tradicionais.

Segurança, normas e aceitação no mercado

O uso de resíduos industriais em produtos de construção costuma levantar dúvidas sobre segurança e desempenho, porque diferentes fontes de resíduo podem ter variabilidade química e física.

A narrativa associada ao processo da Carbon8 enfatiza que a carbonatação acelerada tem papel de estabilização, transformando a matriz do resíduo e reduzindo sua reatividade, ao mesmo tempo em que cria um agregado utilizável.

Em termos de mercado, essa etapa é essencial para que o material seja aceito por especificadores, órgãos de controle e clientes que exigem evidências técnicas antes de adotar componentes com origem em resíduos.

Outro aspecto que chama atenção é o encaixe dessa solução em políticas públicas e em metas corporativas de economia circular.

A lógica de tratar resíduos por meio de CO₂ e devolvê-los ao setor de construção aparece em estudos de impacto e em materiais de divulgação ligados à inovação industrial no Reino Unido, citando a transformação de resíduos em agregados e sua aplicação em produtos como blocos de alvenaria.

O mesmo raciocínio se conecta à pressão crescente por redução de emissões em cadeias de suprimentos, onde materiais “convencionais” começam a ser reavaliados sob a ótica de carbono incorporado.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Embora a inovação esteja na química e no agregado carbonatado, o produto final ainda precisa cumprir funções básicas de um bloco de concreto: resistência, estabilidade dimensional, trabalhabilidade e compatibilidade com argamassas, revestimentos e sistemas construtivos.

Fabricantes de blocos no Reino Unido costumam referenciar normas europeias aplicáveis a unidades de alvenaria de concreto ao descrever seus produtos e processos de fabricação, destacando requisitos técnicos para que o material seja usado em aplicações acima e abaixo do solo, dependendo do tipo de bloco e da especificação do projeto.

O Carbon Buster também exemplifica uma mudança de foco na discussão ambiental da construção.

Em vez de concentrar a descarbonização apenas no cimento, a abordagem se estende aos agregados e aos componentes finais, valorizando combinações de materiais e rotas industriais que reintroduzem resíduos na cadeia produtiva com ganho ambiental declarado.

O fato de o bloco ser apresentado como um “primeiro” em sua categoria, repetido em publicações do setor, reforça o apelo de curiosidade e amplia o interesse do público geral, que costuma associar inovação em construção a tecnologias mais visíveis, como impressão 3D, módulos pré-fabricados ou estruturas metálicas.

A adoção em projetos, por sua vez, depende do que as especificações permitem e do que compradores e projetistas consideram aceitável.

Materiais com alegações ambientais fortes normalmente entram em obras por meio de pilotos, validações e fases de transição, especialmente quando envolvem insumos não convencionais.

Ainda assim, a existência de uma cadeia industrial descrita publicamente, com fabricante de blocos, empresa de tecnologia e fontes setoriais explicando a rota de produção, dá ao tema base concreta para ser acompanhado por quem busca alternativas ao tijolo tradicional sem abandonar a lógica da alvenaria.

Se um bloco de alvenaria pode funcionar como “bateria de carbono” ao mineralizar CO₂ e reaproveitar resíduos, que outros materiais comuns do canteiro ainda podem mudar de papel e passar de fonte de emissões a parte da solução?

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ovid6
Ovid6
02/03/2026 09:55

Confesso que não entendi nada

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x