Pressionado por enxurrada de aço da China, o parque siderúrgico brasileiro já desligou altos-fornos, demitiu 5.100 trabalhadores e congelou R$ 2,5 bilhões em investimentos, enquanto tenta elevar tarifas de importação e reabrir com Trump o acesso ao mercado dos Estados Unidos sem sobretaxa sobre cada tonelada de aço exportada futuramente.
O avanço do aço chinês barato sobre o mercado brasileiro já desligou altos-fornos, cortou empregos e congelou investimentos. Dados do Instituto Aço Brasil divulgados nesta terça-feira (16) mostram que, até novembro deste ano, as siderúrgicas instaladas no país reduziram 5.100 postos de trabalho e suspenderam R$ 2,5 bilhões em projetos.
Entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, o preço das bobinas de aço chinesas despencou nas cotações internacionais, acirrando a crise. Enquanto importações crescem e a produção interna encolhe em 2025, o setor pressiona Brasília por tarifas mais altas e busca com Donald Trump o fim da tarifa de 50% nos Estados Unidos e a retomada do sistema de cotas de 2018.
Altos-fornos parados e 5.100 empregos a menos
Segundo o Instituto Aço Brasil, as empresas de aço instaladas no país desligaram, até novembro, quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco minimills, usinas semi-integradas que fundem sucata em fornos elétricos.
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A queda da demanda pelo aço produzido internamente em 2025, em comparação com o ano passado, tornou inviável manter essas unidades operando em plena carga.
Além da parada de equipamentos pesados, o setor de aço já eliminou 5.100 empregos diretos neste ano e congelou R$ 2,5 bilhões em investimentos planejados, num ambiente que as próprias siderúrgicas classificam como de competição assimétrica com o aço importado, principalmente o da China.
O efeito imediato da ofensiva do aço chinês é uma combinação de desemprego, capacidade ociosa e adiamento de novos projetos industriais no Brasil.
Importações de aço disparam e mudam o equilíbrio do mercado
Estrangulada pelo aço estrangeiro mais barato, a indústria local vê as importações seguirem em alta. A projeção do Instituto Aço Brasil é de que, ao fim de 2025, as compras externas de aço bruto cresçam 7,5% em relação a 2024, enquanto os aços laminados devem avançar 20,5%.
Até novembro, o Brasil já havia importado 5,4 milhões de toneladas de aço laminado, contra uma média anual de 2,2 milhões de toneladas entre 2000 e 2019.
Do total trazido em 2025, 64% das toneladas vieram da China, concentrando ainda mais a dependência do país asiático.
Além disso, outras 6,2 milhões de toneladas de aço chegaram de forma indireta ao mercado brasileiro, embutidas em produtos finais como eletrodomésticos, automóveis e maquinários, o que amplia a pressão sobre as usinas nacionais mesmo quando o produto não entra pela classificação aduaneira tradicional de aço.
Queda de preço do aço chinês alimenta suspeita de dumping
A ofensiva chinesa se apoia, segundo o Instituto Aço Brasil, em estratégias consideradas ilegais de apoio do governo da China à sua cadeia de aço.
Números da Platts, plataforma global de monitoramento de preços, mostram que a tonelada de bobinas a quente chinesas caiu de 560 dólares em janeiro de 2024 para 454 dólares em novembro de 2025.
A queda acontece no mesmo período em que as margens das usinas chinesas encolhem, o que, para o instituto, é sinal de dumping: quando empresas passam a vender aço no exterior abaixo do custo ou do preço praticado no mercado interno para enfraquecer concorrentes.
Na visão dos industriais brasileiros, o aço que chega da China hoje seria vendido a valores incompatíveis com uma competição leal.
Produção de aço em 2025 encolhe e projeções são revisadas
O cenário de importações fortes levou o Instituto Aço Brasil a revisar para baixo, mais uma vez, as estimativas de produção.
A expectativa inicial de queda de 0,8% na produção de aço bruto em 2025 foi substituída por recuo de 2,2%.
A nova projeção indica 33,1 milhões de toneladas produzidas no ano, com 21,1 milhões destinadas ao mercado interno e 10,2 milhões às exportações, estas últimas com aumento de 6,9% na projeção frente ao cenário anterior.
Na prática, o setor vê um consumo doméstico de aço mais fraco, parcialmente substituído pelo produto importado, ao mesmo tempo em que aumenta o esforço exportador.
Para os industriais, o Brasil vem perdendo espaço em seu próprio mercado de aço justamente no momento em que investiu pesado para ampliar a capacidade instalada.
Lucro das siderúrgicas desaba e setor pede tarifa mais alta
No terceiro trimestre de 2025, o Ebitda das siderúrgicas com instalações no Brasil somou 2,8 bilhões de reais, quase a metade do registrado no mesmo período do ano anterior.
A margem Ebitda caiu de 12,9% para 7,7%, refletindo a queda de preço do aço interno e a maior concorrência do produto importado.
Para tentar conter o avanço do aço estrangeiro, o governo renovou em maio as cotas para a entrada de 16 tipos de aço no país, medida comemorada pelas empresas.
Cerca de 76% dos produtos abrangidos por esse regime de cotas têm origem na China, mas a iniciativa ainda é considerada insuficiente pelas siderúrgicas.
Hoje, as tarifas de importação de aço variam entre 9% e 16% sobre os produtos enquadrados na medida, com alíquota adicional de 25% aplicada ao volume que ultrapassa as cotas definidas.
Mesmo assim, o Instituto Aço Brasil passou a defender abertamente uma elevação dessas tarifas para reequilibrar os preços internos e preservar empregos na cadeia do aço.
Tarifa de 50% nos EUA e a aposta em novo acordo com Trump
Em paralelo à disputa doméstica, as siderúrgicas brasileiras enfrentam o impacto da tarifa de 50% que os Estados Unidos passaram a aplicar sobre qualquer tipo de aço, independentemente do país de origem.
A medida atinge diretamente o aço semiacabado exportado pelo Brasil, um dos principais destinos da produção nacional.
De acordo com o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a estratégia agora é convencer o governo de Donald Trump a retirar essa sobretaxa para o aço brasileiro e ressuscitar o sistema de cotas criado em 2018.
Naquele modelo, as empresas do país podiam enviar até 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado por ano aos Estados Unidos sem pagar tarifa.
O executivo relembra que Trump já havia adotado movimento semelhante em 2018 e avalia que, se a negociação em curso for bem-sucedida, o Brasil voltaria a operar com cota isenta, enquanto a tarifa de 50% permaneceria aplicada às demais vendas fora desse limite.
Na sua opinião, o Brasil deve priorizar tarifas mais altas para conter o aço chinês e proteger empregos nas siderúrgicas ou apostar em acordos comerciais e produtividade para competir em preço?

Nem a Arcelor consegue competir com a china e outras alternativas são viáveis já que o minério está com menor demanda nacional q vende mais caro devido aos impostos altos .
É triste o meu comentário: Olha só o descaso deste atual governo para com o povo brasileiro entregando de bandeja nossos **** para China. Cadê o tal “sindicato dos metalúrgicos”?
Faz o L **** eleitoral. Depois do leite derramado, não adianta mais chorar.
Sei muito bem o que passam os nordestinos nas mãos dessa **** comunista. A cada dois anos (eleições municipais, estaduais e federais) vendem os seus votos a troco de migalhas e depois ficam rastejando atrás daqueles que nem ficam presentes nos seus devidos currais eleitorais.
Essa **** de políticos **** são cruéis com todos que realmente trabalham em prol da nação.