Com robótica agrícola, o Açaíbot moderniza a colheita de açaí, reduz acidentes e fortalece a segurança no trabalho rural.
A robótica agrícola passou a ocupar um novo espaço na floresta amazônica.
Desenvolvido no Pará, o Açaíbot é um robô criado para automatizar a colheita de açaí, reduzir acidentes e aumentar a renda dos peconheiros.
A tecnologia começou a ser testada nos últimos anos em áreas de floresta nativa e ganhou destaque em 2025 ao demonstrar ganhos expressivos de produtividade, segurança no trabalho rural e inclusão social.
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O equipamento sobe na palmeira, identifica o cacho maduro e realiza o corte com precisão.
Com isso, a produção diária pode saltar de cerca de 100 quilos para até uma tonelada por trabalhador.
A inovação surge como resposta direta a um dos sistemas de extração mais perigosos do mundo e já começa a ser adotada comercialmente na região Norte.
Açaíbot nasce para resolver gargalos históricos da colheita de açaí
A ideia do Açaíbot surgiu há quatro anos, quando um grupo de empreendedores planejava implantar uma fazenda de açaí no Pará.
Durante esse processo, ficou evidente que o modelo tradicional de colheita de açaí enfrentava limitações graves, tanto econômicas quanto sociais.
“O sistema atual da produção de açaí de floresta está condenado a continuar informal e precário. Remunera mal e é muito perigoso”, afirma João Rezende, diretor da Kaatech.
Diante desse cenário, a equipe decidiu investir em robótica agrícola como alternativa para tornar a atividade mais segura, produtiva e sustentável, sem eliminar o papel central dos peconheiros.
Robótica agrícola aplicada à floresta amazônica
Diferentemente de tecnologias pensadas apenas para áreas mecanizadas, o Açaíbot foi desenvolvido e testado em condições reais da floresta.
O robô enfrentou calor intenso, umidade elevada, chuvas frequentes e dificuldades logísticas de transporte.
O funcionamento é simples. O equipamento escala a palmeira, localiza o cacho e executa o corte com segurança.
Assim, a operação ocorre por controle remoto, com apenas três comandos: subir, abrir a serra — acompanhada de um apito de alerta — e cortar.
Essa simplicidade amplia o acesso à tecnologia e facilita o treinamento.
“É tão simples que permite a inclusão de pessoas que não poderiam subir nas árvores”, diz Rezende.
Produtividade e segurança no trabalho rural avançam juntas
Assim, além do ganho operacional, o impacto na segurança no trabalho rural é um dos principais diferenciais do Açaíbot.
Assim, a Organização Internacional do Trabalho classifica a colheita de açaí como a segunda atividade mais perigosa do mundo, ficando atrás apenas da coleta de mel em penhascos africanos.
Os peconheiros, que utilizam a peconha para escalar palmeiras de até 10 metros, convivem historicamente com fraturas, lesões na coluna e mortes durante a atividade.
Então em estados como o Amapá, relatórios do Tribunal Regional do Trabalho já apontaram o alto grau de periculosidade da função.
Nesse contexto, o robô também foi apresentado a juízes do trabalho e à própria OIT como alternativa concreta para reduzir riscos sem eliminar empregos.
Evolução tecnológica tornou o robô mais leve e eficiente
Os primeiros protótipos do Açaíbot eram quase artesanais. Utilizavam rodas de skate, motor de limpador de para-brisa e estruturas metálicas pesadas, chegando a pesar até 16 quilos.
“A gente estava no caminho certo, mas precisávamos de outra engenharia”, admite Rezende.
Assim, após três anos de aprimoramento com especialistas em engenharia aeronáutica, mecânica, elétrica, robótica e ergonomia, o protótipo número oito atingiu o desempenho ideal em junho de 2025, com peso entre oito e nove quilos.
Assim, a autonomia é de quatro horas, com recarga em cerca de duas horas por meio de placas solares.
Interesse institucional e expansão comercial
Assim, a inovação chamou atenção do governo federal durante a COP30, em Belém.
Então na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou uma área de produção de açaí na Ilha Grande e conheceu o robô de perto.
“No primeiro dia da COP, fomos informados de que o presidente queria ver a produção de açaí. Levamos o robô e ele ficou empolgado, até postou nas redes sociais”, relata Rezende.
Atualmente, cerca de 500 unidades já foram comercializadas.
Assim, a fábrica em Belém está em funcionamento, com capacidade para produzir até 3 mil robôs por mês.
Então o preço do equipamento é de R$ 19.569,20, com desconto de 40% à vista para produtores enquadrados no Pronaf.
Tecnologia também mira a Mata Atlântica
Assim, além da Amazônia, a robótica agrícola da Kaatech avança para a Mata Atlântica.
Então em parceria com a Associação dos Moradores e Amigos da Mata Atlântica (Amama), está em desenvolvimento uma versão do Açaíbot para a colheita da juçara, espécie ameaçada pela exploração ilegal de palmito.
“A ideia é transformar uma atividade predatória em uma cadeia sustentável, com renda, conservação e tecnologia andando juntas”, afirma Rezende.
Assim, a iniciativa reforça como inovação, tradição e segurança no trabalho rural podem coexistir na nova fase da colheita de açaí no Brasil.
Veja mais em: Robô que colhe açaí multiplica por quatro a renda de coletores na Amazônia

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