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A Sadia trocou o plástico que leva 100 anos para se decompor por uma bandeja de eucalipto que some do solo em apenas 75 dias, e o melhor, sem cobrar nada a mais do consumidor pelo prato de lasanha congelada

Publicado em 28/05/2026 às 10:11
Atualizado em 28/05/2026 às 10:16
A Sadia lança bandeja compostável de eucalipto que se decompõe em 75 dias. Nova embalagem substitui plástico nas lasanhas congeladas sem custo extra.
A Sadia lança bandeja compostável de eucalipto que se decompõe em 75 dias. Nova embalagem substitui plástico nas lasanhas congeladas sem custo extra.
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A Sadia anunciou a adoção de bandejas compostáveis feitas de fibras de eucalipto em sua linha de lasanhas congeladas de 350 gramas. A nova embalagem da Sadia, desenvolvida em parceria com a Biona, empresa da Melhoramentos, se decompõe em 75 dias em condições de compostagem. Segundo informações da Época Negócios, a bandeja resiste a temperaturas de menos 40°C a 220°C e pode ir do freezer diretamente ao forno, micro-ondas ou air fryer. A linha consome cerca de 9 milhões de bandejas por ano, e a Sadia prevê que toda a linha de lasanhas use o novo material em até seis meses.

A Sadia acaba de trocar o plástico das bandejas de lasanha congelada por um material compostável feito de fibras de eucalipto que desaparece do solo em 75 dias. A nova embalagem, desenvolvida ao longo de três anos pelo Centro de Inovação da MBRF em parceria com a Biona, substitui recipientes descartáveis que levariam décadas ou séculos para se decompor na natureza. A Sadia começa a transição pela linha de lasanhas mini de 350 gramas, que consome aproximadamente 9 milhões de bandejas por ano, e planeja escalar a solução para toda a linha de lasanhas em até seis meses.

O contexto torna a decisão da Sadia ainda mais relevante. O Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, e cerca de 40% não receberam destinação ambientalmente adequada, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. Apenas 4,5% do lixo produzido no país retorna à cadeia produtiva por meio de reciclagem, o que significa que a esmagadora maioria das embalagens descartadas acaba em aterros ou no meio ambiente.

Como a bandeja da Sadia se decompõe em 75 dias

A embalagem é feita de fibras de eucalipto e se desfaz completamente em condições de compostagem em 75 dias. Luiz Franco, diretor de marketing e inovação da MBRF, dona da Sadia e da Perdigão, explicou que as bandejas foram testadas enterrando-as na terra e acompanhando o processo de decomposição no solo. A bandeja anterior da Sadia também era feita de papel, mas não possuía a característica compostável que permite que o material se integre ao solo como matéria orgânica.

A embalagem pode ser descartada tanto no lixo comum, de forma semelhante a resíduos orgânicos, quanto em sistemas de coleta seletiva, já que o material também pode ser reciclado. Essa versatilidade de descarte é importante porque a maioria dos municípios brasileiros não possui infraestrutura de compostagem, e a bandeja da Sadia funciona em ambos os cenários sem exigir que o consumidor mude seus hábitos.

O que a bandeja da Sadia aguenta

O maior desafio técnico foi criar uma embalagem de fibra de eucalipto que funcionasse nas condições extremas exigidas pela categoria de congelados. A bandeja da Sadia resiste a temperaturas de menos 40°C a 220°C, o que significa que pode ir do freezer diretamente ao forno, micro-ondas ou air fryer sem deformar, amolecer ou comprometer a segurança do alimento.

A embalagem também precisava ser firme o suficiente para sustentar a lasanha após o aquecimento, mas sem reter calor em excesso a ponto de queimar a mão do consumidor. Outro requisito era garantir que os componentes usados na composição do papel não comprometessem a segurança alimentar. O desenvolvimento levou três anos de testes entre as equipes de pesquisa do Centro de Inovação da MBRF e da Biona.

Por que a Sadia não cobra a mais pela embalagem sustentável

Franco foi direto ao explicar a estratégia: “O consumidor não está disposto a pagar mais por soluções sustentáveis.” A Sadia optou por absorver o custo da transição sem repassar ao preço final da lasanha, decisão que reflete a leitura de que, no Brasil, o apelo ambiental sozinho não justifica aumento de preço para a maioria dos consumidores.

A viabilidade econômica foi possível porque a embalagem de fibra de eucalipto não é significativamente mais cara que a anterior quando produzida em escala industrial. Carolina Alcoforado, diretora da Melhoramentos, afirmou que “a sustentabilidade ganha escala quando vem acompanhada de desempenho técnico, viabilidade comercial e industrial”, e que o projeto da Sadia demonstra que materiais de base florestal podem substituir o plástico mesmo em aplicações complexas.

O que a decisão da Sadia muda para o mercado de embalagens

A adoção por uma marca do porte da Sadia, com 9 milhões de bandejas por ano só na linha de lasanhas mini, cria um precedente para outras empresas de alimentos congelados. Se toda a linha de lasanhas da Sadia migrar para o material compostável em seis meses, o volume total de bandejas substituídas pode chegar a dezenas de milhões por ano, reduzindo proporcionalmente a quantidade de plástico descartável que entra no ciclo de resíduos.

O modelo também mostra que a substituição do plástico não precisa sacrificar funcionalidade. A bandeja de eucalipto da Sadia faz tudo que a de plástico fazia, do freezer ao forno, com a vantagem de desaparecer em 75 dias em vez de permanecer no ambiente por décadas. Para o consumidor, nada muda na experiência de uso. Para o meio ambiente, muda tudo.

Você compraria a lasanha da Sadia sabendo que a bandeja some em 75 dias? Acha que outras marcas vão seguir o mesmo caminho ou o plástico vai continuar dominando? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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