1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. A quase 8.000 metros de profundidade, cientistas descobrem um predador branco e minúsculo na Fossa do Atacama, o primeiro anfípode caçador ativo desse porte encontrado em uma das regiões mais extremas da Terra
Faça um comentário 7 min de leitura

A quase 8.000 metros de profundidade, cientistas descobrem um predador branco e minúsculo na Fossa do Atacama, o primeiro anfípode caçador ativo desse porte encontrado em uma das regiões mais extremas da Terra

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/04/2026 às 11:44 Atualizado em 22/04/2026 às 11:47
Assista o vídeoA quase 8.000 metros de profundidade, cientistas descobrem um predador branco e minúsculo na Fossa do Atacama, o primeiro anfípode caçador ativo desse porte encontrado em uma das regiões mais extremas da Terra
Cientistas descobrem predador a quase 8.000 m na Fossa do Atacama e revelam novo limite para a vida no oceano profundo.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
113 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Cientistas descobrem predador a quase 8.000 m na Fossa do Atacama e revelam novo limite para a vida no oceano profundo.

Em 2024, uma equipe internacional ligada à Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) e ao Instituto Milenio de Oceanografía, da Universidad de Concepción, no Chile, identificou uma nova espécie e um novo gênero de crustáceo nas profundezas da Fossa do Atacama, no Oceano Pacífico. A descoberta, divulgada pela WHOI em 9 de dezembro de 2024 e publicada na revista científica Systematics and Biodiversity, descreve o Dulcibella camanchaca, um anfípode encontrado a 7.902 metros de profundidade, em plena zona hadal, onde escuridão total, pressão extrema e escassez de alimento tornam a vida uma exceção biológica.

O que tornou o achado especialmente relevante foi o comportamento do animal. Segundo a WHOI, o Dulcibella camanchaca é um predador ativo de nado rápido, com cerca de 4 centímetros de comprimento e apêndices especializados para capturar anfípodes menores. A pesquisa destaca que anfípodes predadores não necrófagos ainda não haviam sido documentados nessas profundezas da Fossa do Atacama, o que amplia a compreensão sobre como cadeias alimentares podem funcionar em um dos ambientes mais extremos e isolados do planeta.

A existência de um predador ativo em uma região marcada por baixa disponibilidade de alimento indica que os ecossistemas hadal podem ser mais complexos, especializados e evolutivamente distintos do que se imaginava. Para os autores, a descoberta reforça a importância da exploração científica do oceano profundo, especialmente na costa chilena, onde a Fossa do Atacama já aparece como um ponto de alta concentração de espécies únicas.

Fossa do Atacama é um dos ambientes mais extremos da Terra

A Fossa do Atacama, também conhecida como Fossa Peru-Chile, é uma das regiões mais profundas do planeta, localizada ao longo da costa oeste da América do Sul. Em alguns pontos, a profundidade ultrapassa 8.000 metros, criando condições físicas e químicas extremamente desafiadoras para a vida.

Nessa profundidade, a pressão pode ultrapassar 800 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar, o que seria suficiente para esmagar a maioria dos organismos conhecidos. Além disso, a ausência total de luz solar impede a fotossíntese, tornando o ambiente dependente de matéria orgânica que desce das camadas superiores do oceano.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Temperaturas próximas de 0°C e disponibilidade limitada de nutrientes tornam a sobrevivência nesse ambiente um desafio constante. Apesar dessas condições, a vida não apenas existe, como apresenta adaptações surpreendentes.

Dulcibella camanchaca representa novo tipo de predador nas profundezas

O organismo identificado pertence ao grupo dos anfípodes, pequenos crustáceos que incluem espécies comuns em ambientes marinhos e de água doce. No entanto, a nova espécie apresenta características que a diferenciam significativamente de seus parentes conhecidos.

Com cerca de 4 centímetros de comprimento, o animal possui corpo esbranquiçado, adaptado à ausência de luz, e estrutura física que sugere capacidade de locomoção ativa e captura de presas.

Ao contrário de muitos anfípodes de águas profundas, que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, Dulcibella camanchaca apresenta comportamento predatório. Essa característica foi inferida a partir da morfologia do animal e do contexto ecológico em que foi encontrado.

Predação ativa sugere cadeia alimentar mais complexa do que o esperado

A presença de um predador ativo em profundidades próximas de 8.000 metros levanta questões importantes sobre a estrutura das cadeias alimentares nessas regiões.

Tradicionalmente, acredita-se que os ecossistemas hadal sejam dominados por organismos que se alimentam de detritos orgânicos que afundam das camadas superiores do oceano, um processo conhecido como “chuva marinha”. No entanto, a descoberta de um predador sugere a existência de níveis tróficos mais complexos.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Isso implica que há presas disponíveis em quantidade suficiente para sustentar esse tipo de comportamento, o que amplia a compreensão sobre a biodiversidade nessas profundezas.

Esse cenário indica que os ecossistemas hadal podem ser mais dinâmicos do que se pensava.

Adaptações extremas permitem sobrevivência sob pressão esmagadora

Para sobreviver em um ambiente com pressão extrema, organismos como Dulcibella camanchaca precisam apresentar adaptações específicas em nível celular e estrutural.

Essas adaptações incluem alterações na composição das membranas celulares, que precisam permanecer estáveis sob pressão, e na estrutura de proteínas, que devem funcionar corretamente mesmo em condições extremas.

A ausência de pigmentação no corpo do animal também é uma adaptação comum em ambientes sem luz, onde a coloração não oferece vantagem evolutiva.

Além disso, o metabolismo desses organismos tende a ser mais lento, o que ajuda a conservar energia em um ambiente com recursos limitados.

Descoberta foi possível graças a tecnologia avançada de exploração oceânica

A identificação da nova espécie só foi possível graças ao uso de tecnologias modernas de exploração do fundo do mar, incluindo veículos operados remotamente (ROVs) e equipamentos de coleta de alta precisão.

Esses sistemas permitem que cientistas alcancem profundidades que antes eram inacessíveis, coletando amostras e registrando imagens em alta resolução.

Sem essas tecnologias, grande parte da biodiversidade do oceano profundo permaneceria desconhecida.

A evolução desses equipamentos tem ampliado significativamente o conhecimento sobre os ambientes mais extremos da Terra.

Nome da espécie faz referência à neblina costeira do Chile

O nome Dulcibella camanchaca possui significado específico. “Camanchaca” é um termo utilizado no Chile para descrever uma neblina densa que ocorre na costa do deserto do Atacama. Essa referência conecta a descoberta ao contexto geográfico da região onde o organismo foi encontrado.

A escolha do nome reforça a ligação entre a espécie e um dos ambientes mais áridos da Terra, contrastando com o ambiente marinho profundo onde foi identificada.

Essa prática é comum na taxonomia, onde nomes científicos frequentemente refletem características ou origens dos organismos.

Fossa do Atacama continua sendo uma das regiões menos exploradas do planeta

Apesar dos avanços tecnológicos, grande parte das fossas oceânicas permanece pouco explorada. A Fossa do Atacama é um exemplo de região onde novas espécies ainda estão sendo descobertas regularmente.

A dificuldade de acesso e os custos elevados das expedições limitam a frequência de estudos nessas áreas. Isso significa que muitos organismos ainda não foram identificados, e cada nova missão tem potencial para revelar descobertas significativas.

A exploração dessas regiões é considerada uma das fronteiras da ciência moderna. Outras fossas oceânicas, como a Fossa das Marianas e a Fossa de Tonga, também têm revelado espécies adaptadas a condições extremas.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

No entanto, cada região apresenta características únicas, influenciadas por fatores como geologia, circulação oceânica e disponibilidade de nutrientes.

A descoberta de Dulcibella camanchaca reforça a ideia de que cada fossa pode abrigar ecossistemas distintos, com espécies exclusivas. Essa diversidade amplia o desafio de compreender a vida no oceano profundo.

Descoberta contribui para estudos sobre limites da vida na Terra

A identificação de organismos em ambientes extremos tem implicações que vão além da biologia marinha. Esses estudos ajudam a definir os limites da vida na Terra, fornecendo informações que podem ser aplicadas em áreas como astrobiologia.

Se organismos conseguem sobreviver em condições de alta pressão, baixa temperatura e ausência de luz, isso amplia as possibilidades de existência de vida em outros ambientes extremos do universo. Assim, descobertas como essa têm relevância para múltiplas áreas científicas.

Predador minúsculo desafia ideia de que apenas gigantes dominam o imaginário do fundo do mar

Grande parte da atenção pública sobre o oceano profundo está associada a criaturas gigantes ou visualmente impressionantes.

No entanto, a descoberta de Dulcibella camanchaca mostra que organismos pequenos também podem desempenhar papéis ecológicos importantes.

O fato de um animal de apenas 4 centímetros atuar como predador em um ambiente extremo destaca a importância de estudar todas as escalas de vida. Essa perspectiva amplia o entendimento sobre biodiversidade.

Você acredita que ainda existem predadores desconhecidos em profundidades maiores?

A descoberta de um predador ativo a quase 8.000 metros de profundidade levanta novas perguntas sobre o que ainda pode existir em regiões ainda mais profundas do oceano.

Com grande parte dessas áreas ainda inexplorada, a possibilidade de encontrar novas espécies continua alta. Diante disso, surge uma reflexão: quantos outros organismos com comportamentos inesperados ainda estão escondidos nas profundezas do oceano, aguardando serem descobertos?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x