1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / A NASA divulgou uma foto tirada da Estação Espacial Internacional que mostra um raio disparando para cima em direção ao espaço em vez de cair na Terra, alcançando quase 100 quilômetros de altitude no topo de uma tempestade
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

A NASA divulgou uma foto tirada da Estação Espacial Internacional que mostra um raio disparando para cima em direção ao espaço em vez de cair na Terra, alcançando quase 100 quilômetros de altitude no topo de uma tempestade

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/04/2026 às 19:27
Atualizado em 05/04/2026 às 19:29
A NASA divulgou foto da Estação Espacial Internacional de um raio disparando para o espaço no topo de uma tempestade a quase 100 km de altitude.
A NASA divulgou foto da Estação Espacial Internacional de um raio disparando para o espaço no topo de uma tempestade a quase 100 km de altitude.
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A NASA destacou uma imagem capturada da Estação Espacial Internacional pela astronauta Nichole Ayers que mostra um jato gigantesco, um raio raro que dispara para cima do topo de uma tempestade e alcança quase 100 quilômetros de altitude em direção ao espaço.

A maioria das pessoas conhece raios como descargas elétricas que caem do céu em direção ao solo. Mas a NASA chamou atenção para uma imagem que mostra exatamente o contrário: um raio disparando para cima, do topo de uma tempestade em direção à borda do espaço. A foto foi tirada em 3 de julho de 2025 pela astronauta Nichole Ayers, a bordo da Estação Espacial Internacional, e mostra o que os cientistas classificam como um “jato gigantesco”, uma descarga elétrica tão rara que poucos instrumentos na Terra conseguem registrá-la.

O fenômeno pode parecer apenas um espetáculo visual, mas a NASA observa atentamente por razões práticas. Raios em grandes altitudes podem interagir com a ionosfera, complicar a segurança da aviação e de espaçonaves e influenciar a química da alta atmosfera. A imagem publicada pela NASA não é apenas bonita. Ela faz parte de um esforço científico para entender eventos que conectam camadas atmosféricas normalmente estudadas de forma separada e que podem afetar sistemas de comunicação, previsões meteorológicas e até modelos climáticos.

O que é o jato gigantesco que aparece na foto divulgada pela NASA

A NASA divulgou foto da Estação Espacial Internacional de um raio disparando para o espaço no topo de uma tempestade a quase 100 km de altitude.

O raio capturado na imagem pertence a uma família de fenômenos chamados eventos luminosos transitórios, que inclui sprites vermelhos, jatos azuis e anéis de luz conhecidos como ELVES.

Pilotos relataram flashes estranhos no topo de tempestades por décadas, mas os primeiros registros confirmados pela ciência só surgiram em 1989, o que faz deste um campo de pesquisa surpreendentemente recente para algo tão visualmente impactante.

Jatos gigantescos são cientificamente importantes porque formam o que a NASA descreve como uma ponte elétrica entre o topo das nuvens de tempestade, a cerca de 20 quilômetros de altitude, e a atmosfera superior, a cerca de 100 quilômetros.

Essa descarga deposita uma quantidade significativa de carga elétrica ao longo do caminho, conectando regiões que normalmente não interagem de forma direta. A astronauta Nichole Ayers pensou inicialmente ter capturado um sprite, mas a NASA confirmou que o fenômeno era algo ainda mais raro.

Por que a Estação Espacial Internacional é o melhor lugar para estudar esses raios

Do solo, observar raios que disparam para cima é quase impossível. Estamos olhando através de nuvens para outras nuvens, o que torna a detecção extremamente difícil quando o fenômeno acontece acima da tempestade. Da Estação Espacial Internacional, a perspectiva é completamente diferente.

Os instrumentos conseguem observar tempestades de cima, e a NASA nota que essas observações podem aprimorar modelos atmosféricos usados para previsões meteorológicas e climáticas.

Um dos equipamentos fundamentais é o Monitor de Interações Atmosfera-Espaço (ASIM), da Agência Espacial Europeia, instalado na parte externa do laboratório Columbus da estação desde 2018.

O ASIM tem massa de 314 quilogramas e registra observações enquanto a estação viaja a 28.800 quilômetros por hora, o que permite cobrir uma área enorme em uma única passagem noturna. É esse tipo de infraestrutura orbital que torna possível capturar fenômenos que duram milissegundos e que observadores em terra quase nunca percebem.

As câmeras que registram raios a 100 mil imagens por segundo

Nem toda a ciência sobre raios espaciais vem de instrumentos externos da estação. O experimento Thor Davis, apoiado pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, utiliza uma câmera que detecta mudanças de contraste e pode capturar o equivalente a 100 mil imagens por segundo consumindo apenas alguns watts de energia.

Essa velocidade é essencial para registrar processos que acontecem em frações de milissegundo.

Em uma das capturas da câmera Thor Davis, o astronauta Andreas Mogensen registrou um sprite vermelho acima de uma nuvem de tempestade, a uma altitude entre 40 e 80 quilômetros.

Os cientistas estimaram o tamanho do fenômeno em cerca de 14 por 26 quilômetros, e o cientista-chefe do projeto, Olivier Chanrion, confirmou que a câmera fornece a resolução temporal necessária para capturar os processos rápidos dos raios. A NASA e a ESA trabalham juntas para ampliar continuamente a capacidade de observação desses eventos raros.

O impacto real que raios para o espaço podem ter na Terra

Alguns desses fenômenos fazem mais do que produzir imagens espetaculares. A NASA alerta que eventos luminosos transitórios podem interromper sistemas de comunicação em terra e representar ameaça para aeronaves e espaçonaves, razão pela qual a criação de um banco de dados amplo e bem cronometrado não é apenas uma questão acadêmica.

Quando descargas elétricas injetam energia na ionosfera, elas podem afetar a propagação de ondas de rádio usadas em telecomunicações e navegação.

Tempestades também podem produzir flashes de raios gama terrestres, breves explosões de radiação de alta energia. A NASA alerta que esses eventos podem expor sistemas de aeronaves e passageiros a níveis excessivos de radiação em determinadas condições.

Do ponto de vista da química atmosférica, uma revisão publicada na revista Atmospheric Research concluiu que sprites, jatos azuis e descargas corona podem contribuir de forma mensurável para gases como ozônio e óxido nitroso, embora ainda existam incertezas significativas sobre a escala desse efeito.

O que vem a seguir na pesquisa da NASA sobre raios que disparam para o espaço

A tendência é clara, mesmo que os detalhes ainda estejam sendo definidos. A NASA observa que sensores mais compactos e satélites pequenos podem ampliar a cobertura de observação de tempestades, reduzindo custos e acelerando a fabricação em comparação com abordagens tradicionais.

Isso significa que, no futuro, a capacidade de monitorar raios em grandes altitudes pode deixar de depender exclusivamente de estações espaciais tripuladas.

Existe também um prazo importante. A NASA e os países parceiros se comprometeram a operar a Estação Espacial Internacional até 2030, o que significa que as observações de hoje estão ajudando a construir a base de dados para o que vier depois.

A imagem de um raio disparando para o espaço, tirada por Nichole Ayers em julho de 2025, é muito mais do que uma foto bonita. Ela representa um campo de pesquisa em crescimento que conecta tempestades, clima, comunicações e segurança aeroespacial em uma única rede de investigação liderada pela NASA.

Você já tinha ouvido falar em raios que disparam para cima em vez de cair na Terra? O que achou da imagem divulgada pela NASA mostrando essa descarga elétrica alcançando o espaço? Deixe sua opinião nos comentários. Fenômenos como esse mostram que ainda conhecemos muito pouco sobre o que acontece acima das nossas cabeças.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x