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A montanha de roupas do deserto do Atacama já cobre cerca de 741 acres e pode ser vista por satélite: formada por até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano que chegam ao Chile vindas da Europa, Ásia e América do Norte, ela transformou uma das regiões mais áridas do planeta em um dos maiores cemitérios de moda do mundo

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 18/03/2026 às 16:55
Assista o vídeoA montanha de roupas do deserto do Atacama já cobre cerca de 741 acres e pode ser vista por satélite: formada por até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano que chegam ao Chile vindas da Europa, Ásia e América do Norte, ela transformou uma das regiões mais áridas do planeta em um dos maiores cemitérios de moda do mundo
Montanha de roupas no deserto do Atacama cresce com até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano vindas da Europa, Ásia e América do Norte e já pode ser vista por satélite.
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Montanha de roupas no deserto do Atacama cresce com até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano vindas da Europa, Ásia e América do Norte e já pode ser vista por satélite.

No norte do Chile, uma das paisagens mais áridas do planeta abriga hoje um fenômeno ambiental que chamou a atenção do mundo inteiro: uma gigantesca montanha de roupas descartadas que cresce no deserto do Atacama. O que começou como um problema regional de descarte irregular tornou-se um símbolo global da crise ambiental provocada pela indústria da moda rápida. Todos os anos, cerca de 59 mil toneladas de roupas usadas ou excedentes de produção chegam ao porto da cidade de Iquique, vindas principalmente da Europa, da Ásia e da América do Norte. Parte dessas peças entra no mercado latino-americano de roupas de segunda mão, mas uma parcela significativa não encontra compradores.

Estima-se que aproximadamente 39 mil toneladas dessas roupas acabem descartadas ilegalmente no deserto, formando um depósito gigantesco visível em imagens de satélite. O resultado é uma paisagem surreal: montanhas de tecidos coloridos espalhadas por quilômetros de areia em meio ao Atacama Desert, um dos ambientes mais secos da Terra. Esse fenômeno transformou a região em um dos maiores lixões têxteis do mundo.

A montanha de roupas no deserto do Atacama cresce todos os anos

A montanha de roupas no Atacama não surgiu de uma única vez. Ela é resultado de um fluxo constante de descarte têxtil que ocorre há mais de uma década.

Grande parte das roupas que chegam ao Chile entra no país através da Zona Franca de Iquique (Zofri), uma área comercial onde mercadorias importadas podem ser armazenadas e redistribuídas sem pagar certos impostos. Esse sistema transformou a cidade em um importante centro de redistribuição de roupas usadas na América do Sul.

As peças são enviadas principalmente para mercados de segunda mão em países como:

  • Bolívia
  • Peru
  • Paraguai
  • Argentina
  • outros mercados latino-americanos.

No entanto, muitas dessas roupas simplesmente não têm valor comercial. Entre os motivos mais comuns estão:

  • baixa qualidade do material
  • roupas fora de moda
  • peças danificadas
  • tamanhos incompatíveis com o mercado local.
A montanha de roupas do deserto do Atacama já cobre cerca de 741 acres e pode ser vista por satélite: formada por até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano que chegam ao Chile vindas da Europa, Ásia e América do Norte, ela transformou uma das regiões mais áridas do planeta em um dos maiores cemitérios de moda do mundo
Montanha de roupas no deserto do Atacama cresce com até 39 mil toneladas de peças descartadas por ano vindas da Europa, Ásia e América do Norte e já pode ser vista por satélite.

Quando essas roupas não conseguem ser revendidas, muitas acabam sendo abandonadas no deserto. Com o passar dos anos, o volume acumulado criou verdadeiras colinas de tecidos que se estendem por quilômetros.

Por que milhares de toneladas de roupas chegam ao Chile todos os anos

O Chile se tornou um dos principais destinos globais para roupas usadas por uma combinação de fatores econômicos e logísticos. Um dos mais importantes é a presença da Zona Franca de Iquique, que facilita a importação e redistribuição de mercadorias.

Empresas internacionais enviam contêineres carregados de roupas para o porto, onde os produtos são classificados e revendidos. Esse comércio faz parte de um mercado global gigantesco. O setor de roupas usadas movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano, impulsionado principalmente pelo crescimento da chamada fast fashion.

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Marcas de moda produzem coleções cada vez mais rápidas e baratas, incentivando consumidores a comprar roupas com maior frequência. Como resultado, milhões de toneladas de roupas são descartadas todos os anos.

Muitas dessas peças são exportadas para países em desenvolvimento sob o argumento de que poderiam ser reutilizadas ou revendidas. Na prática, uma grande parte simplesmente se transforma em lixo.

Fast fashion e a crise global de resíduos têxteis

O problema da montanha de roupas no deserto do Atacama está diretamente ligado ao modelo econômico da fast fashion. Nos últimos 20 anos, a produção global de roupas cresceu exponencialmente. Marcas de moda passaram a lançar novas coleções em ciclos cada vez mais curtos, incentivando o consumo constante.

Esse modelo gerou consequências ambientais significativas. Segundo estimativas internacionais:

  • mais de 100 bilhões de peças de roupa são produzidas no mundo todos os anos
  • bilhões de peças são descartadas após pouquíssimos usos
  • grande parte do material não é reciclável.

Muitos tecidos modernos são compostos por fibras sintéticas, como poliéster, nylon e elastano. Esses materiais derivam do petróleo e podem levar décadas ou até séculos para se decompor. Quando descartados em ambientes abertos, podem liberar microplásticos e substâncias químicas no solo.

O impacto ambiental da montanha de roupas no deserto chileno

Embora o deserto do Atacama seja extremamente seco, o descarte de roupas em grande escala pode provocar impactos ambientais importantes. Entre os principais problemas identificados por especialistas estão:

Contaminação do solo

Tintas e tratamentos químicos usados na fabricação de tecidos podem infiltrar-se no solo.

Liberação de microplásticos

Fibras sintéticas se fragmentam com o tempo, liberando partículas microscópicas que podem entrar em ecossistemas naturais.

Risco de incêndios

Roupas descartadas frequentemente são queimadas ilegalmente para reduzir o volume de resíduos. Quando tecidos sintéticos queimam, liberam gases tóxicos. Esse tipo de incêndio já foi registrado diversas vezes na região.

Incêndios em depósitos de roupas liberam fumaça tóxica

Um dos episódios mais preocupantes ocorreu em 2021, quando incêndios atingiram áreas do depósito de roupas no deserto. As chamas consumiram grandes quantidades de tecidos sintéticos.

A queima de materiais como poliéster e nylon pode liberar substâncias químicas perigosas, incluindo compostos tóxicos presentes em corantes e fibras industriais. A fumaça gerada pelos incêndios espalhou-se por áreas próximas da cidade de Iquique, afetando comunidades locais.

Esse tipo de evento reforçou o alerta de organizações ambientais sobre os riscos associados ao descarte irregular de resíduos têxteis.

Muitas das roupas descartadas nunca foram usadas

Um dos aspectos mais impressionantes do problema é que grande parte das roupas descartadas nunca chegou a ser utilizada. Investigações indicam que até 85% das peças encontradas nos depósitos podem estar novas ou praticamente intactas.

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Isso ocorre por vários motivos. Algumas peças são excedentes de produção que não foram vendidas no país de origem. Outras são devoluções de compras online, que muitas vezes acabam sendo enviadas para mercados de segunda mão em vez de retornarem ao estoque.

Também há roupas descartadas por lojas e marcas quando novas coleções são lançadas. Esse ciclo rápido de produção e descarte contribui para o crescimento contínuo da montanha de roupas no deserto.

O papel da indústria da moda na geração de resíduos

A indústria têxtil é atualmente uma das mais poluentes do mundo. Além da geração de resíduos sólidos, a produção de roupas envolve diversos impactos ambientais.

Entre eles:

  • consumo intensivo de água
  • uso de produtos químicos
  • emissão de gases de efeito estufa
  • geração de resíduos industriais.

Produzir uma única camiseta de algodão, por exemplo, pode exigir milhares de litros de água ao longo do processo produtivo. Quando essa peça é descartada rapidamente, todo esse recurso natural é desperdiçado.

No caso das roupas sintéticas, o problema se agrava porque os materiais são derivados de combustíveis fósseis.

Tentativas de reduzir o problema do lixo têxtil

Diante da crescente atenção internacional ao problema, algumas iniciativas começaram a surgir. Organizações locais e empreendedores sociais têm tentado reaproveitar parte das roupas descartadas.

Algumas iniciativas incluem:

  • reciclagem de tecidos para produção de novos materiais
  • transformação de roupas em produtos artesanais
  • doação de peças para comunidades carentes.

Apesar desses esforços, a escala do problema continua enorme. A quantidade de roupas descartadas supera em muito a capacidade atual de reutilização.

Legislação ambiental e desafios regulatórios no Chile

Outro fator que contribui para o problema é a ausência de regulamentação específica para resíduos têxteis. O Chile possui uma legislação chamada Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (Ley REP), que obriga fabricantes a se responsabilizarem pelo ciclo de vida de certos produtos.

Essa legislação já cobre resíduos como:

  • pneus
  • embalagens
  • baterias
  • equipamentos eletrônicos.

No entanto, têxteis ainda não estão totalmente incluídos na legislação, o que dificulta a responsabilização de empresas pelo destino final das roupas. Sem regras claras, grande parte do descarte acaba ocorrendo de forma irregular.

A montanha de roupas do Atacama como símbolo da crise da moda global

Hoje, a montanha de roupas no deserto chileno tornou-se um símbolo da crise ambiental provocada pela indústria da moda. Imagens aéreas e fotografias da região circulam frequentemente em reportagens internacionais, mostrando enormes áreas cobertas por tecidos de diferentes cores.

Para muitos especialistas, o fenômeno revela uma contradição central do modelo econômico atual: a produção de bens em volumes gigantescos, muitas vezes sem considerar o destino final desses produtos.

Enquanto consumidores compram roupas cada vez mais baratas e descartáveis, regiões como o deserto do Atacama acabam se tornando depósitos involuntários desse excesso.

O futuro do deserto do Atacama diante da crise do lixo têxtil

Resolver o problema da montanha de roupas no Atacama exigirá mudanças em diversas etapas da cadeia produtiva da moda. Especialistas apontam que algumas medidas são essenciais:

  • ampliar sistemas de reciclagem têxtil
  • reduzir a produção de roupas descartáveis
  • criar legislação específica para resíduos de moda
  • incentivar modelos de economia circular.

Sem mudanças estruturais, o fluxo anual de roupas descartadas continuará aumentando. E a montanha de tecidos no deserto pode continuar crescendo por muitos anos. O fenômeno do Atacama mostra de forma dramática como o impacto ambiental do consumo global pode aparecer em lugares inesperados, transformando uma das paisagens naturais mais extremas do planeta em um gigantesco cemitério de roupas.

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Ximena g
Ximena g
25/03/2026 22:28

Hola yo opino que ya no deberiamos ser el basurero de los otros países así como estan serrando las fronteras a los extranjeros para que no sigan pasandonilegalmente deberia haber una restriccion en esto de seguir trayendo ropas usadas de afuera es mucho que vengan a ocupar nuestro desierto en basurero que reciclen la ropa en sus propios paises y no traigan mas basura a chile .

ADA
ADA
24/03/2026 22:56

Tanta gente que no tiene ni 10 pesos para comprarse una ropa y ahí tiran que desgracia ..pongan gente a repartir a toda la gente que necesite carajo

Luciano Dellarole
Luciano Dellarole(@diretorsulacontece-com)
Member
18/03/2026 06:08

Doar para populações mais carentes do mundo é ótima opção de solução

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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