1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / A maior importadora de farelo de soja do planeta está rejeitando cargas da América do Sul por causa de um gene não autorizado, os preços já dispararam quase 5% em um mês na Bolsa de Chicago e o Brasil corre contra o tempo para não ser barrado também e perder seu maior mercado comprador
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

A maior importadora de farelo de soja do planeta está rejeitando cargas da América do Sul por causa de um gene não autorizado, os preços já dispararam quase 5% em um mês na Bolsa de Chicago e o Brasil corre contra o tempo para não ser barrado também e perder seu maior mercado comprador

Publicado em 29/04/2026 às 17:45
Atualizado em 29/04/2026 às 18:17
A Holanda rejeitou farelo de soja por gene não aprovado. O Brasil está em alerta e os preços subiram 5% na Bolsa de Chicago em um mês.
A Holanda rejeitou farelo de soja por gene não aprovado. O Brasil está em alerta e os preços subiram 5% na Bolsa de Chicago em um mês.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

A Holanda rejeitou pelo menos dois cargos de farelo de soja da Argentina neste mês após identificar material genético não aprovado na União Europeia, o gene HB4. As autoridades holandesas já vinham alertando os argentinos e agora efetivaram a rejeição. Problemas semelhantes foram registrados em navios brasileiros de farelo de soja. Na Bolsa de Chicago, o contrato julho do farelo acumula alta de 5,01% em um mês, chegando a US$ 328,80 por tonelada curta.

A soja brasileira e argentina acaba de entrar em alerta por causa de uma decisão da Holanda que pode redesenhar o fluxo global de farelo do grão. O país europeu, um dos principais importadores de farelo de soja da União Europeia, rejeitou pelo menos dois cargas da Argentina neste mês após identificar a presença do gene HB4, material genético não aprovado no bloco. As autoridades holandesas já vinham emitindo advertências nos dias 14 e 17 de abril, e agora a rejeição se concretizou, criando um impasse que afeta a maior exportadora mundial de farelo e óleo de soja.

O problema não é exclusivo da Argentina: navios brasileiros de farelo de soja também apresentaram registros semelhantes. A questão central é se outros países europeus seguirão o exemplo da Holanda e começarão a rejeitar cargas da América do Sul, o que forçaria Brasil e Argentina a testar e segregar todo o farelo destinado à Europa para garantir a ausência do gene HB4. Na Bolsa de Chicago, os preços do farelo já reagiram com alta de quase 3% em um único dia, e o acumulado de um mês supera 5%.

O que é o gene HB4 e por que a Europa não aceita

Segundo informações divulgadas no noticias agrícola, O HB4 é uma modificação genética desenvolvida na Argentina que confere à soja maior tolerância à seca, característica valiosa em um cenário de mudanças climáticas que reduzem a disponibilidade de água para a agricultura. O gene foi aprovado para cultivo e comercialização na Argentina e em outros países, mas a União Europeia não autorizou sua utilização, o que torna qualquer produto que contenha material genético HB4 irregular no mercado europeu.

A identificação do gene em cargas de farelo exportadas pela Argentina indica que a segregação entre soja convencional e soja com HB4 não está funcionando de forma eficaz na cadeia produtiva do país. Desde as propriedades rurais até as plantas processadoras e os agentes logísticos, há pontos onde a contaminação cruzada pode ocorrer, e a Holanda decidiu que o risco é suficiente para justificar a rejeição dos carregamentos.

Como a rejeição holandesa afeta Brasil e Argentina

A Argentina é a maior exportadora mundial de farelo e óleo de soja, e a Europa é seu principal mercado comprador. A rejeição pela Holanda atinge diretamente a cadeia de exportação argentina, que agora precisa revisar processos desde o campo até o porto para garantir que o gene HB4 não contamine os embarques destinados ao bloco europeu. Autoridades argentinas e holandesas já estão reunidas buscando solucionar o impasse.

Para o Brasil, a situação é de alerta. Problemas semelhantes foram registrados em navios brasileiros de farelo de soja, o que significa que a contaminação cruzada pode não ser exclusividade argentina. Se a Holanda ou outros países europeus passarem a rejeitar cargas brasileiras sistematicamente, o impacto será significativo para uma indústria que espera esmagar volume recorde de 62,2 milhões de toneladas de soja em 2026 e exportar 24,6 milhões de toneladas de farelo.

O que acontece se outros países europeus seguirem a Holanda

Por enquanto, a rejeição está restrita à Holanda. Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex e analista da Agrinvest Commodities, explica que a grande questão é o que os outros países europeus vão fazer. “Se os outros países também começarem a advertir, negar e rejeitar essas cargas, Brasil e Argentina terão que começar a testar e segregar farelo para este gene”, afirma o especialista.

A União Europeia é a maior importadora global de farelo de soja, e uma rejeição generalizada forçaria uma reestruturação completa da cadeia de exportação sul-americana. O custo de testar cada carregamento e segregar soja convencional da geneticamente modificada com HB4 seria absorvido por produtores e processadores, reduzindo margens em um mercado onde a eficiência logística é determinante para a competitividade.

O impacto nos preços do farelo na Bolsa de Chicago

Os preços do farelo de soja na Bolsa de Chicago já refletem a tensão. O contrato julho acumula alta de 5,01% em um mês, passando de US$ 313 para US$ 328,80 por tonelada curta. O contrato agosto registra ganhos de 3,41%, testando os US$ 321,70. Na sessão de segunda-feira (28), os preços subiram quase 3% em um único dia, embora na terça tenham realizado lucros.

Vanin pondera que a firmeza do farelo na Bolsa de Chicago se deve mais a fatores do mercado americano do que à advertência holandesa. “Temos demanda interna forte nos EUA, demanda para exportação forte, questões logísticas e problemas ainda ocasionados por nevascas ocorridas no inverno”, explica. O mercado americano opera em momento de oferta restrita e demanda elevada, o que sustenta os preços independentemente do fator Holanda.

O momento do Brasil no esmagamento de soja e o que está em jogo

Apesar do alerta, o momento da indústria processadora brasileira é favorável. A Abiove estima esmagamento recorde de 62,2 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 47,9 milhões de toneladas de farelo e 12,5 milhões de toneladas de óleo. As exportações de farelo devem crescer de 23,27 para 24,6 milhões de toneladas, impulsionadas pela demanda global por proteínas vegetais para alimentação animal.

O risco é que a questão do HB4 comprometa o acesso ao mercado europeu justamente quando o Brasil amplia sua capacidade de processamento. Se a Europa endurecer os controles e o Brasil não conseguir garantir a segregação do gene, o país pode perder espaço para competidores como os Estados Unidos, que já operam com mercado interno forte e logística ajustada. Por enquanto, Vanin não acredita que a situação favoreça o Brasil, mas reconhece que o cenário pode mudar rapidamente dependendo da reação dos demais países europeus.

Você acompanha o mercado de soja ou trabalha no agronegócio e já sentiu o impacto dessa rejeição? Conte nos comentários se acha que o Brasil conseguirá segregar o farelo com gene HB4 ou se a Europa vai acabar barrando cargas brasileiras também.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x