O ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou no Fórum Conexão Brasil e Itália que empresas italianas do setor ferroviário já demonstraram interesse concreto em participar de projetos de concessão no Brasil. O evento, realizado em São Paulo pelo Times Brasil, reuniu autoridades e lideranças empresariais dos dois países para debater investimentos em infraestrutura, segurança jurídica e os desdobramentos do acordo entre Mercosul e União Europeia. Santoro destacou que o Brasil possui hoje a maior carteira de concessões rodoviárias e ferroviárias do mundo e que o setor privado ultrapassou o setor público em participação nos investimentos em transportes.
O Brasil vive um momento em que a disputa global por investimentos estrangeiros torna cada parceria estratégica mais valiosa, e a Itália está posicionada como uma das principais aliadas nesse cenário. A maior empresa de concessões rodoviárias do Brasil já pertence a um grupo italiano, e o Fórum Conexão Brasil e Itália mostrou que o interesse vai além das rodovias. O ministro George Santoro afirmou que conversas estão em andamento com empresas italianas do setor ferroviário para participar de projetos de concessão no Brasil, incluindo fornecimento de insumos, material rodante e operação de linhas.
O evento em São Paulo aconteceu em um momento de convergência entre o avanço do acordo Mercosul e União Europeia e a necessidade do Brasil de atrair capital estrangeiro para financiar a maior carteira de concessões de infraestrutura do mundo. Santoro ressaltou que o Brasil é o quinto maior em volume de carga transportada globalmente e que a logística define o preço e a produtividade de toda a economia brasileira, desde commodities agrícolas até proteínas e minerais.
O que a Itália já controla na infraestrutura do Brasil

A presença italiana na infraestrutura do Brasil não é uma promessa futura, é um fato consumado. A maior empresa de concessões rodoviárias do país pertence a um grupo italiano, posição que coloca a Itália como parceira estratégica de longa data no setor de transportes brasileiro. A relação vai além da imigração histórica e avança sobre inovação, serviços, tecnologia e investimentos de grande porte.
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O Fórum Conexão Brasil e Itália contou com a presença de representantes da advocacia e da Suprema Corte italiana, demonstrando que o interesse não é apenas comercial, mas também jurídico. Santoro destacou que a presença de autoridades jurídicas italianas no evento ajuda a demonstrar ao mundo que os marcos regulatórios, contratos e editais de concessão do Brasil seguem padrões internacionais, cumprindo regras já utilizadas na Europa.
O setor ferroviário como próxima fronteira para o Brasil
O ministro foi direto ao confirmar que empresas italianas do setor ferroviário estão em conversas para participar de projetos no Brasil. A abertura de 500 novos mercados internacionais proporcionada pelo acordo Mercosul e União Europeia torna o relacionamento com a Itália ainda mais relevante, especialmente no fornecimento de material rodante e insumos para a expansão ferroviária brasileira.
O Brasil planeja lançar em junho o novo Plano Nacional de Logística, que pela primeira vez incluirá o planejamento de estados além do governo federal. O setor ferroviário é um dos pilares desse plano, com concessões previstas para ligações estratégicas entre regiões produtoras e portos exportadores. Para empresas italianas com experiência em ferrovias de alta velocidade e transporte de carga, o mercado brasileiro representa uma oportunidade de escala que poucos países oferecem.
A mudança de chave entre setor público e privado no Brasil
Uma das informações mais relevantes apresentadas por Santoro no fórum foi que, no ano passado, o setor privado ultrapassou o setor público em participação nos investimentos em infraestrutura e transportes do Brasil. Essa inversão marca uma mudança estrutural na forma como o país financia e opera sua infraestrutura, com concessões e parcerias público-privadas substituindo gradualmente o modelo de investimento estatal direto.
Para investidores italianos, essa mudança é positiva porque aumenta a previsibilidade e reduz o risco político associado a projetos dependentes de orçamento governamental. Santoro afirmou que o caminho do Brasil é trazer cada vez mais o investidor privado, tanto em projetos federais quanto estaduais, e que road shows internacionais permanentes estão sendo realizados para captar capital estrangeiro mais barato que financie a expansão da infraestrutura.
O que o acordo Mercosul e União Europeia muda para o Brasil
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, ainda em fase de ratificação, abre uma fronteira de 500 novos mercados internacionais para produtos e serviços do Brasil. Na avaliação de Santoro, o acordo “ainda tem muito que caminhar, mas não há dúvida de que vai transformar a União Europeia e também o Brasil”. A integração comercial facilita o fluxo de investimentos, reduz barreiras tarifárias e cria um ambiente regulatório mais uniforme.
Para o setor de infraestrutura, o impacto é concreto: empresas europeias ganham acesso facilitado a licitações e concessões no Brasil, enquanto exportadores brasileiros encontram condições mais favoráveis no mercado europeu.
A Itália, com sua expertise em concessões rodoviárias, ferrovias e engenharia pesada, está posicionada para capturar uma fatia significativa desse novo fluxo de investimentos que o acordo promete destravar.
Você sabia que a maior empresa de concessões rodoviárias do Brasil é italiana? Acha que a Itália deveria investir mais em ferrovias brasileiras, ou o país precisa resolver questões internas primeiro? Conta nos comentários.


EcoRodovias, grupo ASTM, o segundo maior do mundo.