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A Lua guarda bilhões de anos de água congelada em crateras escuras que podem fornecer combustível, oxigênio e água potável para astronautas, e um novo estudo finalmente explica como esse gelo foi parar lá

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 09/04/2026 às 02:14 Atualizado em 09/04/2026 às 02:17
Estudo revela que gelo da Lua se acumulou por 3,5 bilhões de anos em crateras escuras. Água pode virar combustível e oxigênio para astronautas. Veja a descoberta.
Estudo revela que gelo da Lua se acumulou por 3,5 bilhões de anos em crateras escuras. Água pode virar combustível e oxigênio para astronautas. Veja a descoberta.
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O estudo revela que o gelo da Lua não chegou de uma só vez por impacto de cometa mas se acumulou lentamente ao longo de até 3,5 bilhões de anos em crateras que nunca receberam luz solar e que agora são alvos prioritários para missões tripuladas como a Artemis que pode usar essa água como recurso estratégico.

Um dos maiores mistérios sobre a Lua acaba de ganhar uma resposta. Um estudo internacional publicado publicado nesta terça-feira (7) na revista Nature Astronomy revela que a água congelada encontrada nas crateras lunares não surgiu de um único evento como o impacto de um grande cometa, mas foi se acumulando lentamente ao longo de até 3,5 bilhões de anos. As crateras mais antigas da Lua, especialmente próximas ao polo sul, são justamente as que concentram mais gelo, o que aponta para um processo contínuo de deposição de água ao longo do tempo. A descoberta ajuda a explicar por que o gelo não está distribuído uniformemente pela superfície lunar uma dúvida que intrigava cientistas há décadas.

A implicação vai muito além da geologia. A água congelada da Lua pode ser derretida para consumo humano, convertida em oxigênio para respiração e transformada em combustível de foguete hidrogênio e oxigênio que viabilizaria missões mais longas e mais baratas. Saber onde esse gelo está concentrado e como ele se formou é informação estratégica para programas como a Artemis, da NASA, que planeja enviar astronautas ao polo sul da Lua nos próximos anos. O estudo transforma crateras escuras de mistério científico em alvos concretos de exploração.

Como os cientistas descobriram que o gelo da Lua tem bilhões de anos

imagem: NASA

Para investigar a distribuição irregular de gelo na superfície da Lua, os pesquisadores cruzaram dois conjuntos de dados.

O primeiro veio de instrumentos da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, lançada em 2009, que mapeou temperaturas da superfície com precisão sem precedentes. O segundo foi gerado por simulações computacionais da evolução das crateras ao longo da história da Lua reconstruindo quais regiões estiveram em sombra permanente e por quanto tempo.

O resultado revelou um padrão claro. Quanto mais antiga uma cratera e mais tempo ela permaneceu em sombra, maior a probabilidade de concentrar gelo.

“Parece que as crateras mais antigas da Lua também são as que têm mais gelo. Isso sugere que a água foi se acumulando continuamente por até 3 ou 3,5 bilhões de anos”, afirmou Paul Hayne, cientista planetário da Universidade do Colorado. Essa conclusão enfraquece a hipótese de que toda a água teria chegado à Lua de uma só vez.

De onde veio a água que está congelada na Lua

Embora o estudo não identifique uma única origem, ele aponta que a água da Lua pode ter múltiplas fontes que contribuíram ao longo de bilhões de anos. A atividade vulcânica antiga pode ter liberado água do interior da Lua para a superfície. Impactos de cometas e asteroides ricos em gelo trouxeram água de fora.

E o vento solar fluxo constante de partículas vindas do Sol pode ter fornecido átomos de hidrogênio que, ao reagir com oxigênio presente na superfície, formaram moléculas de água.

A combinação dessas fontes explica por que a água da Lua não está concentrada num único ponto, mas espalhada por diversas crateras com intensidades diferentes.

O fator decisivo não é de onde a água veio, mas para onde ela foi parar e as “armadilhas frias” perto dos polos da Lua, crateras profundas que nunca recebem luz solar e mantêm temperaturas extremamente baixas, são os reservatórios naturais que preservaram esse gelo por bilhões de anos. A escuridão permanente que torna essas crateras invisíveis é exatamente o que protegeu a água.

Por que as crateras do polo sul da Lua são tão importantes para futuras missões

O polo sul da Lua concentra as crateras mais antigas e profundas do satélite e, segundo o estudo, as que guardam mais gelo.

A cratera Haworth, por exemplo, pode estar em sombra permanente há mais de 3 bilhões de anos, o que a torna uma das candidatas mais promissoras para armazenar grandes quantidades de gelo na Lua. É exatamente essa região que programas como a Artemis planejam explorar.

A água congelada transforma o polo sul da Lua de ponto de interesse científico em recurso estratégico para exploração espacial. Derretida, fornece água potável.

Decomposta por eletrólise, gera oxigênio respirável e hidrogênio que pode ser usado como combustível de foguete. Isso significa que uma base lunar no polo sul poderia produzir seus próprios suprimentos em vez de transportar tudo desde a Terra reduzindo custos e viabilizando missões de longa duração que hoje são proibitivamente caras.

O que ainda falta descobrir sobre a água da Lua

Apesar do avanço, os pesquisadores ressaltam que a resposta definitiva sobre a origem e a quantidade exata de água na Lua ainda depende de análises diretas. “Essa questão só será resolvida com o estudo de amostras”, afirmou o autor principal, Oded Aharonson, do Instituto Weizmann, em Israel.

Até agora, tudo o que a ciência sabe sobre o gelo lunar vem de medições orbitais e modelos nenhuma amostra foi coletada diretamente de uma cratera em sombra permanente.

Novos instrumentos já estão em desenvolvimento para mudar isso. Um deles, previsto para ser enviado ao polo sul da Lua a partir de 2027, deve mapear com mais precisão onde o gelo está concentrado e em que quantidade.

A confirmação definitiva pode vir quando cientistas conseguirem coletar ou trazer de volta à Terra amostras dessas crateras que permanecem na escuridão há bilhões de anos. A Lua guarda água desde antes da existência de qualquer forma de vida complexa na Terra e agora a humanidade está a poucos anos de finalmente ir buscá-la.

Você sabia que a Lua tem água congelada há bilhões de anos? Acha que isso pode viabilizar bases lunares permanentes?

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Daniel
Daniel
09/04/2026 13:51

Com certeza, será bem mais fácil a conquista definitiva do Universo.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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