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A Islândia usa o calor dos seus vulcões para cultivar tomates tão bons quanto os italianos bananas tropicais e até cacau perto do Círculo Polar Ártico onde a temperatura mal passa dos 12 graus e quase 70% dos tomates consumidos já são produzidos ali

Publicado em 07/04/2026 às 13:30
Atualizado em 07/04/2026 às 13:32
Assista o vídeoA Islândia usa energia geotérmica para cultivar tomates, bananas e cacau em estufas perto do Círculo Polar Ártico. Quase 70% dos tomates já são locais. Veja.
A Islândia usa energia geotérmica para cultivar tomates, bananas e cacau em estufas perto do Círculo Polar Ártico. Quase 70% dos tomates já são locais. Veja.
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A Islândia transformou energia geotérmica vulcânica em motor de uma revolução agrícola que reduziu a dependência de importações da Europa com estufas aquecidas por água fervente do subsolo enquanto uma agricultora dos Fiordes Ocidentais prova que é possível cultivar vegetais ao ar livre sem energia geotérmica usando apenas o sol e lã de ovelha.

A Islândia fica perto do Círculo Polar Ártico, tem verões onde a temperatura mal passa dos 12 graus Celsius e invernos de escuridão quase total. Mesmo assim, o país cultiva quase 70% dos tomates que consome, praticamente 100% dos pepinos e está experimentando com bananas tropicais e até cacau. O segredo da Islândia está debaixo dos pés: vulcões e gêiseres trazem calor do interior da Terra para a superfície, e os islandeses canalizaram essa energia geotérmica para aquecer estufas onde hortaliças crescem como se estivessem no Mediterrâneo.

Segundo o Documentário da DW, a revolução agrícola da Islândia não se limita às grandes estufas industriais. Enquanto produtores como Tomas Ponzi cultivam mais de 30 variedades de tomates fornecendo os melhores restaurantes de Reykjavik, uma agricultora chamada Hildur Arnardóttir, nos remotos Fiordes Ocidentais da Islândia, prova que é possível cultivar vegetais ao ar livre sem energia geotérmica usando apenas luz solar, lã de ovelha e técnicas de permacultura. A Islândia está mostrando que produzir alimentos num dos climas mais hostis do planeta é questão de criatividade, não de latitude.

Como a energia vulcânica da Islândia aquece estufas a 20 graus no meio do frio

A 20 minutos de Reykjavik, na fazenda Brennholt, Tomas Ponzi construiu um pequeno paraíso para tomates. Lá fora, a temperatura na Islândia é de 12 graus. Dentro da estufa de 100 metros quadrados, são agradáveis 20 graus condições ideais para as plantas.

O aquecimento vem de água fervente bombeada de um poço artesiano que flui por canos dentro da estufa, criando o clima perfeito para o cultivo sem gastar eletricidade. É energia geotérmica pura, o mesmo calor vulcânico que aquece 90% dos lares islandeses.

Tomas é desenvolvedor de software de profissão, mas há 14 anos se mudou para a fazenda com a missão de cultivar os melhores tomates da Islândia.

Hoje ele produz mais de 30 variedades incluindo tradicionais russas e italianas que encontrou buscando sementes pelo mundo e fornece para os restaurantes de ponta de Reykjavik. O chef Þráinn Freyr Vigfusson, do restaurante ÓX, vai pessoalmente à fazenda escolher os tomates que servem aos clientes poucas horas depois de colhidos. Segundo ele, não há nada comparável na Islândia nem em nenhum outro lugar que conhece.

Bananas e cacau crescendo perto do Círculo Polar Ártico na Islândia

Na Universidade Agrícola de Hveragerði, a Islândia abriga a plantação de bananas mais ao norte do mundo. Frutas tropicais são cultivadas ali há 70 anos, usando tubos de aquecimento geotérmico que mantêm a estufa experimental a 20 graus Celsius durante o ano inteiro.

Cinquenta plantas já produzem bananas suficientes para a universidade, embora os pesquisadores tenham concluído que a produção comercial não é viável as plantas simplesmente demoram demais para dar frutos no clima da Islândia.

Mas o experimento mais surpreendente é o cacau. Após mais de 10 anos de pesquisa, a equipe da Islândia colheu o segundo fruto de cacau da história do país com mais de 20 grãos, o suficiente para produzir uma pequena quantidade de chocolate islandês.

O primeiro cacau colhido há um ano tinha apenas 13 grãos, mas rendeu uma barra de chocolate. A pesquisadora Gudríður Helgadóttir e seu colega Elias Oskarsson continuam explorando quais frutas exóticas podem prosperar nas estufas geotérmicas da Islândia.

A agricultora da Islândia que cultiva vegetais ao ar livre sem energia geotérmica

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Hildur Arnardóttir, de 37 anos, vive em Ísafjörður, uma cidade de 3 mil habitantes nos Fiordes Ocidentais da Islândia uma região ainda mais fria que o sul do país e sem acesso a energia geotérmica.

Mesmo assim, ela cultiva beterraba, abóbora, abobrinha e até morangos usando apenas a luz solar e lã de ovelha como proteção contra o frio. Sua estufa não é aquecida propositalmente; depende exclusivamente do calor passivo do sol.

A decisão de não usar energia geotérmica na Islândia é filosófica. Hildur acredita que aquecer uma estufa que perde calor rapidamente é desperdício de energia, e prefere viver em sintonia com as estações.

“Cultivar hortaliças aqui é como ter filhos: é uma grande responsabilidade, você nunca pode deixar as plantas sozinhas”, diz ela. Usando métodos de permacultura sementes próprias, compostagem natural, sem fertilizantes artificiais, Hildur prova que a Islândia pode produzir alimentos mesmo sem o luxo do calor vulcânico.

O sonho de uma Islândia autossuficiente em vegetais

Tanto Tomas quanto Hildur compartilham uma visão: que a Islândia se torne cada vez menos dependente de vegetais importados da Espanha e da Holanda.

Os números já mostram avanço quase 70% dos tomates e praticamente 100% dos pepinos consumidos na Islândia são produzidos localmente. Tomas vai além e desenvolve variedades de tomate resistentes ao frio da Islândia, cruzando sementes siberianas e canadenses com suas melhores variedades para criar plantas que sobrevivam sem aquecimento artificial.

Hildur sonha com algo ainda mais ambicioso. “Meu maior sonho seria que cada pequena cidade na Islândia tivesse um jardim comunitário para todos, para que todos possam levar para casa vegetais frescos e locais”, afirma. Ela organiza oficinas em seu jardim comunitário em Ísafjörður, ensinando jovens e vizinhos a cultivar alimentos.

Na Islândia, onde até há poucas décadas a dieta era dominada por peixe, carne e alimentos fermentados, a revolução dos vegetais está transformando não apenas a agricultura está mudando a cultura alimentar de um país inteiro.

Você imaginava que a Islândia cultivasse tomates, bananas e cacau perto do Círculo Polar Ártico? Acha que o Brasil tem algo a aprender com essa experiência? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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