A indústria do petróleo na Bahia entra em colapso

 

Crise na Indústria Naval na Bahia e campos maduros com capacidade de produção em queda afetam empregos e economia do estado

O reservatório na antiga Fazenda Panelas já não produz como antes, em 2010 foi o último ano que teve uma média de produção superior aos 100 mil barris por dia na Bahia, somando-se a produção do petróleo e o gás natural, no que se chama de óleo equivalente. Foram 102,1 mil barris/dia, mais exatamente, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo Gás e Biocombustíveis (ANP). Apenas 42% disso foi petróleo, o equivalente a 42,8 mil barris por dia. Em Panelas está um retrato da situação de grande parte dos campos maduros em operação no estado que estão com a sua capacidade de produção em declínio.

Declínio do Petróleo e suas Consequências

Radiovaldo Costa, diretor do setor privado no Sindicato dos Petroleiros na Bahia (Sidipetro-Ba), acredita que um importante termômetro para verificar o nível de atividade na exploração de petróleo terrestre é a quantidade de sondas em operação. Em 2005 existiam 45 equipamentos do tipo SPT em operação no estado. Hoje são 19, o que representa uma queda de 57%. No caso das sondas de perfuração, a redução foi ainda maior. Das 14 que estavam em operação restou apenas 1. Isso significa que a capacidade de perfuração de novos poços na Bahia foi reduzida em aproximadamente 93%.

Radiovaldo Costa explica que a consequência desta desaceleração no mercado de trabalho do setor é direto. Cada sonda de produção necessita de uma média de 35 trabalhadores para ser operada, enquanto a de perfuração dependeria de 80 pessoas. Com base nisso, ele estima a perda de 2 mil empregos diretos, sem contar o efeito em outras atividades envolvidas indiretamente, como transporte, alimentação, hospedagem, além da geração de tributos. Se levados em conta os indiretos, a estimativa é da perda de um total de 4 mil empregos. “O prejuízo para a economia local e para o estado foi violento”, acredita.

A diretora de desenvolvimento de negócios da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Lais Maciel, explica que a quantidade de sondas em operação, além de um importante termômetro para a atividade, é indicador para o futuro e que o cenário atual decorre de uma mudança de posicionamento da Petrobras, no sentido de priorizar a exploração do pré-sal.

A Bahia viveu o seu auge nas décadas de 60 e 70, com médias de produção anual sempre acima dos 100 mil barris/dia, o estado atingiu 164 mil barris/dia em 1969, sendo 88% deste total de óleo e o restante de gás natural. Mas perdeu seu reinado quando houve a descoberta de óleo na Bacia de Campos, numa faixa de 100 mil quilômetros quadrados, que se estende entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

Apesar de tudo, o volume de óleo e gás natural nos campos da Bahia ainda é maior do que a produção acumulada que foi retirada nos últimos 80 anos, segundo informações da própria Petrobras. Resta saber quem vai resgatar esse ‘tesouro negro’ no subsolo baiano.

O resumo do “tesouro negro” baiano

  • 1939 Descoberta do petróleo no país no bairro do Lobato, em Salvador. No mês seguinte, Getúlio Vargas nacionaliza a reserva e proíbe acesso ao subsolo no local e no raio de 60 km
  • 1941 Operação comercial do primeiro poço de petróleo do país em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador
  • 1950 Criação da primeira refinaria nacional de petróleo, em São Francisco do Conde. A então Refinaria Nacional do Petróleo é rebatizada em 1957 e se torna Refinaria Landulpho Alves (RLAM)
  • 1953 Petrobras é criada no governo de Getúlio Vargas
  • 1971 Em Camaçari, é instalada a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), produzindo fertilizantes nitrogenados a partir do gás natural dos campos produtores de petróleo da Bahia e de Sergipe. Estava lançado o núcleo para implantação do Polo Petroquímico – uma das razões da escolha da cidade foi a de que já existia ali a estrutura industrial de gasodutos, água e eletricidade
  • 1973 Crise do petróleo: Países árabes elevam preço do barril no mercado global, de US$ 3 a US$ 11,60 em apenas 3 meses. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cartel de produtores criado em 1960, embarga vendas para os EUA e a Europa devido ao apoio dado Israel na Guerra do Yom Kippur
  • 1974 Descoberta de petróleo na bacia de campos, no Rio de janeiro, e início da produção
  • 1997 Abertura de mercado: Após 45 anos, Petrobras deixa de ter monopólio da indústria do petróleo do Brasil. Legislação cria agência para regulamentar e fiscalizar a atividade
  • 2007 Descoberta e exploração do pré-sal Óleo de alta qualidade em águas ultraprofundas, na camada conhecida como Pré-Sal. Considerado um dos maiores eventos da indústria mundial de petróleo na última década
  • 2011 Petrobras anuncia plano de investimentos recorde (US$ 225 bilhões em 5 anos) com a entrada em operação de mais de 100 embarcações entre plataformas, navios petroleiros e sondas. Cresce número de empregos nos estaleiros (de 7 mil em 2003 para mais de 80 mil em 2014)
  • 2014 Início da Lava-jato Operação apura desvios bilionários dos cofres da Petrobras, que anuncia reposicionamento no mercado focando em produção marítima

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Sobre Flavia Marinho

Engenheira de Produção pós graduada em Engenharia Elétrica com ênfase em Automação , Inglês avançado e experiência na indústria de construção naval no estaleiro Brasfels (KeppelFells). Conhecimento dos processos de KPI, planejamento de tubulação, comissionamento e construção de drilling rigs, FPSO’s e reparos.