Isolada, congelada e quase inacessível, a Ilha Bouvet permanece como o ponto mais remoto do planeta, cercado por gelo, pinguins e milhares de quilômetros de oceano sem qualquer sinal de vida humana permanente
Mesmo quem gosta de aventura costuma pensar duas vezes antes de encarar certos desafios, porque há lugares que exigem mais do que coragem. A ilha mais remota do mundo é um desses pontos perdidos no mapa. Ela fica tão distante de tudo que só de imaginar a viagem já dá para entender porque não é exatamente um destino desejado. E os detalhes sobre esse território ajudam a explicar o motivo.

Onde fica a Ilha Bouvet
A Ilha Bouvet está no extremo sul do Atlântico e pertence à Noruega. O território faz parte da lista de áreas ultramarinas do país.
Apesar disso, ninguém vive ali. Isso ocorre porque cerca de 93% dos 49 km² da ilha é coberto por gelo, deixando somente trechos montanhosos expostos.
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Nesses locais, avalanches acontecem com frequência. Vegetação praticamente não existe. Árvores não crescem e plantas não sobrevivem. O que aparece são fungos e muitos pinguins que usam Bouvet como área de acasalamento.
Mesmo diante desse cenário, ainda é possível comparar Bouvet com ambientes igualmente inóspitos, como a Antártica.
Só que pesquisadores e exploradores vivem temporariamente no continente gelado em bases estruturadas. Lá existem programas científicos importantes.
Bouvet, por outro lado, é uma ilha pequena cercada de mar aberto e sem qualquer utilidade relevante para estudos de longo prazo.

Por que chegar até a ilha de Bouvet é tão difícil
A geografia não ajuda. Não existem praias que permitam desembarque. O contorno da ilha é formado por geleiras altas. Isso obriga qualquer visitante a escalar para conseguir acessar a superfície.
Além disso, o clima pode mudar rápido, portanto a chance de uma tempestade surpreender uma expedição é grande.
Um ponto isolado no meio do oceano
Os 49 km² até parecem bastante quando comparados com a Ilha do Campeche, em Santa Catarina, que tem algo em torno de 35 km².
Porém Campeche está ao lado de outra ilha maior, onde fica Florianópolis, que abriga quase 500 mil pessoas. Bouvet não tem esse tipo de vizinhança.
A ilha mais próxima fica a 1.700 km ao sul. É a Antártica. Ali vivem de mil a cinco mil pesquisadores que se revezam ao longo do ano.
Navegando 1.600 km para o norte está a Ilha Gough, território britânico sem moradores. A oeste, a 1.900 km, fica a Ilha Sandwich do Sul, também desabitada. E o ponto habitado mais perto é Tristan da Cunha, a 2.250 km, com cerca de 250 moradores.
Um destino popular, portanto, não é. Se alguém conseguisse chegar a Bouvet, seria a única pessoa em um raio de aproximadamente 2 mil km.
É um isolamento extremo. Um círculo com essa distância é maior que a Europa inteira, que reúne mais de 700 milhões de pessoas.

Uma disputa esquecida no passado
O isolamento foi tão grande que o primeiro registro humano ocorreu apenas em 1739, quando franceses avistaram a ilha sem sequer desembarcar.
Só em 1825 exploradores britânicos pisaram em Bouvet e declararam que a terra era do Império Britânico. Naquela época, qualquer pedaço de solo encontrado virava alvo de reivindicação.
Com o passar dos anos, a ilha caiu no esquecimento. Em 1927 noruegueses chegaram ali, fincaram uma bandeira e também reivindicaram o território.
O Reino Unido reclamou, mas percebeu que não havia porque discutir. A ilha não tinha valor estratégico. Assim, acabou reconhecendo Bouvet como território norueguês.
Um território protegido
Desde 1971 Bouvet é considerada reserva natural. As águas ao redor também são protegidas. Aproximar-se da região exige autorização do governo da Noruega.
Algumas expedições científicas são enviadas de tempos em tempos e permanecem apenas por períodos curtos.
Apesar dessas visitas pontuais, calcula-se que somente cerca de 100 pessoas tenham pisado em Bouvet na história.
Isso não significa habitantes. São apenas registros de presença humana. Para comparar, mais de 560 pessoas já foram ao espaço.
O auge do isolamento
A ideia de estar completamente fora do alcance de qualquer civilização encontra em Bouvet o exemplo definitivo. Se alguém quisesse desaparecer do mapa, não haveria lugar melhor.
A ilha combina distância, clima rígido, acesso complicado e ausência total de vida humana permanente. É o isolamento em seu nível máximo.
Com informações de Mega Curioso.


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