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Localização SP Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 7 comentários

A idosa de 102 anos, reconhecida como a ‘mulher mais velha em atividade no campo brasileiro’, segue trabalhando diariamente na horta da propriedade e mantém viva uma tradição rural de 80 anos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/11/2025 às 08:05
Atualizado em 25/11/2025 às 13:43
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A idosa de 102 anos, reconhecida como a ‘mulher mais velha em atividade no campo brasileiro’, segue trabalhando diariamente
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Aos 102 anos, espanhola ativa no campo brasileiro segue cuidando da horta todos os dias e preserva 80 anos de história agrícola no interior paulista.

Em 2024, a rotina de uma senhora centenária voltou a ganhar destaque em Andradina, no interior de São Paulo, após registros divulgados por moradores e entidades rurais da região. Aos 102 anos, a espanhola Ana Juliana Rodrigues de Campos, conhecida carinhosamente como Anita, foi reconhecida pela comunidade local como a mulher mais velha ainda ativa no campo no Brasil. A história, amplamente documentada por jornais da região e por grupos que atuam no assentamento do Timboré, chama atenção não apenas pela idade, mas pela constância com que ela mantém o mesmo ritmo de trabalho há décadas.

Anita nasceu na Galícia, Espanha, em 1922, atravessou a infância durante o período pós-guerra europeia e imigrou para o Brasil ainda jovem, em busca de estabilidade e trabalho. Ao longo da vida, participou das transformações do campo, presenciou conflitos fundiários na região do Pontal do Paranapanema e se tornou personagem conhecida nos movimentos ligados à Reforma Agrária. Hoje, ultrapassando um século de vida, ela continua ativa na pequena propriedade rural onde vive, sendo vista diariamente na horta que ela mesma plantou e cuida – atividade que, segundo os vizinhos, ela raramente deixa de realizar.

Rotina no campo aos 102 anos de Anita

A horta mantida por Anita é o centro de sua rotina. Ali, ela realiza tarefas que muitas pessoas considerariam exaustivas mesmo para quem está na casa dos 50. Todos os dias, logo cedo, ela segue até o canteiro principal para regar as plantas, verificar o solo e retirar folhas secas.

Segundo relato de moradores próximos, ela insiste em fazer tudo manualmente, mesmo tendo familiares por perto. “É o jeito dela”, dizem. A atividade inclui o cuidado minucioso com temperos, raízes, ervas medicinais e variedades de hortaliças que ela cultiva há décadas.

Créditos: Prefeitura de Andradina – https://www.andradina.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/10651/espanhola-de-102-anos-e-a-mais-velha-mulher-na-ativa-no-campo

O trabalho não se limita ao cultivo. Ela participa da colheita, orienta o preparo do solo e faz parte de um modelo de agricultura familiar em que cada metro quadrado da propriedade tem valor cultural e histórico. Apesar da idade avançada, Anita não delega as funções essenciais. Segundo registros de moradores do Timboré, sua presença na horta é diária, mesmo em períodos de forte calor, condição comum no noroeste paulista.

Sua rotina alimenta um debate importante entre estudiosos da gerontologia: como algumas pessoas ultrapassam os 100 anos mantendo autonomia funcional e cognitiva?

Pesquisas realizadas pelo Centro Internacional de Longevidade (ILC-Brasil) mostram que o trabalho regular, especialmente em ambientes naturais e ao ar livre, contribui para níveis mais altos de mobilidade, raciocínio e equilíbrio emocional em idosos. Anita se tornou, involuntariamente, mais um exemplo desse fenômeno.

Participação na Reforma Agrária e história no Timboré

O assentamento do Timboré, em Andradina, é um dos mais antigos da região e tem forte ligação com movimentos rurais. Anita participou de momentos importantes desse ciclo histórico. Entidades locais reconhecem seu papel na organização comunitária e no suporte aos grupos que lutaram pela regularização fundiária ao longo das últimas décadas.

Embora ela não exerça mais atividades relacionadas a reuniões ou mobilizações, seu nome permanece associado à resistência rural feminina no interior paulista. Muitos moradores afirmam que ela representa uma ponte direta entre gerações, trazendo memórias da colonização agrícola da região, do período pré-assentamento e do processo de consolidação das pequenas propriedades voltadas à produção de subsistência.

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A resistência de Anita não está apenas em ter sobrevivido a períodos adversos — mas em continuar, até hoje, preservando práticas agrícolas que se tornaram raras. Em uma era de mecanização intensa e de avanço do agronegócio, a horta que ela cuida diariamente se transformou em símbolo de um modo de vida que resiste silenciosamente.

A imigração e a adaptação ao Brasil

Anita chegou ao Brasil jovem, acompanhando familiares que buscavam terras e oportunidades após a crise europeia da metade do século XX. A instalação no interior de São Paulo exigiu adaptação a um clima mais severo, a longos períodos de estiagem e ao tipo de solo típico da região do Vale do Rio Paraná.

Relatos da comunidade apontam que sua trajetória no campo começou ainda nos anos 1950, quando iniciou os primeiros cultivos de subsistência. O domínio das técnicas de plantio, irrigação e colheita foi se aprimorando ao longo do tempo, e parte desse conhecimento continua sendo repassado oralmente para novos agricultores da região.

As plantas medicinais cultivadas na horta da centenária — como boldo, arnica, hortelã e erva-cidreira — são frequentemente citadas por vizinhos como remédios tradicionais usados em famílias que vivem no campo há gerações.

A mulher mais velha ativa no campo no Brasil

O reconhecimento de Anita como a mulher mais velha em atividade no campo brasileiro surgiu de registros locais, publicações regionais e projetos comunitários que mapearam moradores longevos ainda envolvidos em atividades agrícolas. Até o momento, não há registro público nacional de outra mulher com idade igual ou superior a 102 anos trabalhando diariamente em uma horta familiar.

Esse reconhecimento começou a circular em redes de entidades rurais, em reportagens de jornais de Andradina e em vídeos institucionais produzidos pela comunidade do Timboré. O caso chamou a atenção pela combinação rara: longevidade extrema, atividade agrícola contínua e histórico de participação em movimentos sociais.

Para muitos moradores do assentamento, ela é mais que uma figura histórica — é uma guardiã viva de práticas que ajudaram a consolidar a agricultura familiar em parte do interior paulista.

Tradição, identidade e futuro

A trajetória de Anita lança luz sobre um fenômeno comum em áreas rurais brasileiras: idosos que continuam ativos não por necessidade, mas por ligação profunda com o campo. O ambiente agrícola, associado a rotinas estruturadas, a esforço físico moderado e à convivência comunitária, é frequentemente citado como fator de longevidade em estudos sobre populações rurais.

Aos 102 anos, Anita continua realizando tarefas que mantêm sua autonomia e reforçam sua identidade como agricultora. Ela representa uma geração que cresceu em meio a crises, atravessou fronteiras, enfrentou mudanças climáticas, transformações socioeconômicas e, ainda assim, manteve o vínculo diário com a terra.

Ao preservar sua horta, ela preserva também uma forma de viver e de cultivar que está desaparecendo no Brasil. E, para a comunidade do Timboré, assistir a essa rotina é testemunhar uma parte viva da história agrícola do país.

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Rosemeire Vieira de Souza Silva
Rosemeire Vieira de Souza Silva
26/11/2025 15:36

Que lindo 🤩 isso me faz lembrar da vida eterna escrito na bíblia, porém não mais com as limitações que certamente a idade trás .

Mila
Mila
25/11/2025 12:16

Minha avó é mas velha… Vai fazer 104 , no dia 7 de Janeiro. Ela usa redes social, whatsapp e ler vários livros e reza todos os dias… Faz tudo sozinha… Muita saúde e forte! Graças a Deus! 🙌

Iseli Cruz
Iseli Cruz
25/11/2025 09:33

Traz reflexões sobre o sentido da vida que cada pessoa alimenta dentro de si. Um paradoxo para os dias atuais sobre o que significa qualidade de vida!!

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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