A FGV reúne presidentes das 6 maiores petroleiras do mundo que debatem sobre o impacto do Covid-19 na indústria de petróleo no Brasil

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A FGV (Fundação Getúlio Vargas), gozando de seu enorme prestígio, conseguiu reunir no início da noite de ontem (01/06), os 6 presidentes das maiores petroleiras do mundo com atuação de enorme destaque no Brasil. O webinar que teve o título de “Major oil companies: a indústria do petróleo está mostrando sinais de recuperação da crise do coronavírus?” aconteceu via vídeo conferência e foi mediado pelo diretor da FGV Energia, Roberto Quintella. Participaram do Webinar os CEOs da Petrobras, Shell, Chevron, BP, Equinor e Total.


Em um momento que as empresas buscam saídas com cortes de investimentos, redução de jornadas de trabalho e hibernação de atividades foi importante ouvir o que pensam os principais CEOs do mundo do petróleo e saber o que vai se fazer enquanto a demanda não volta aos níveis anteriores aos da crise.

Não se falou muito sobre o que deve ser feito para manter o Brasil como ponto central dos portfólios das grandes companhias, mesmo porque as ações, tais como, redução do Custo Brasil, redução dos custos de transação e desburocratização de atividades meio, passam por atitudes do governo.


O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, chegou a mencionar que os atuais investimentos estrangeiros só foi possível devido a uma flexibilização do conteúdo local, mas mencionou que ainda há muito por se fazer para tornar a legislação favorável a investimentos, sem explicar porque os último leilões não atraíram o capital estrangeiro e só tiveram ofertas da Petrobras e dos chineses, mesmo assim em consórcio com a estatal brasileira.


Neste mesmo encontro promovido pela FGV, Castello Branco falou também que o regime de partilha é ruim para o estado. O regime de concessões também foi defendido pelo CEO da Shell, André Araújo, já o VP da Equinor, Paulo Van Der Vem, ressaltou que embora a empresa esteja cortando US $ 400 milhões em compromissos exploratórios, os investimentos no Brasil não sofrerão redução e destacou os projetos da empresa no Brasil no campo de Bacalhau, Pão de Açúcar e Peregrino Fase 2.


Já o CEO da Chevron, Mariano Vilela, preferiu destacar a segurança das operações da companhia com protocolos rígidos e que o foco da empresa se voltará para projetos curtos “Em um momento de crise, a empresa vai investir em locais mais competitivos”. A petroleira norte-americana é operadora de dois blocos em Santos e um em Campos.


Philippe Blanchard, CEO da Total destacou o foco em inovação e simplificação como saída para atravessar a crise e declarou também que os projetos da empresa estão passando por análises criteriosas. “O nível dos nossos investimentos em águas profundas será mais baixo em 2020 e, para os projetos que ainda não foram validados, vamos reduzir os investimentos também. Mas nosso compromisso com o Brasil não mudará”. A Total tem participação em 20 blocos exploratórios com destaque para as bacias de Campos e Santos.

Na mesma linha de raciocínio, o presidente da BP Energy também ressaltou as avaliações que estão sendo feitas e disse que provavelmente, alguns projetos sofrerão ajustes. A petroleira britânica opera cinco ativos exploratórios em Campos, dois em Santos, um em Barreirinhas e um na Foz do Amazonas.

Nas considerações finais ficou claro (pelos palestrantes) que o Brasil tem um enorme potencial para os próximos anos, mesmo após o Covid-19 mas que o governo precisa definir um único regime de concessões.

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Renato Oliveira
Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki) inspecionando e acompanhando técnicas de fabricação e montagem de estruturas/tubulações/outfittings(acabamento avançado) para casco de Drillships.