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A escalada de endividamento das famílias brasileiras – de 80,9% para 81,6% do contingente total – de abril a maio, quinta alta consecutiva e o maior nível em 11 anos, deve se manter em trajetória ascendente e sem previsão de retrocesso, atingindo 82% em dezembro próximo.

Escrito por Marcello Sigwalt
Publicado em 12/06/2026 às 14:19
Atualizado em 12/06/2026 às 14:21
Oito em cada dez famílias brasileiras enfrentam o ‘monstro’ da inadimplência
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É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada na última quarta-feira (10) pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que elegeu o cartão de crédito como o maior ‘vilão’ responsável pela fragilização financeira do segmento, mas seguido de perto pelo cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. Atualmente, oito em cada dez famílias brasileiras estão endividadas.

Em comum, todas essas modalidades de crédito têm a marca do aperto monetário perpetrado pelo Banco Central (BC), que hoje mantém a taxa básica de juros (Selic), no patamar olímpico de 14,50% ao ano (taxa real de 9,33% ao ano, a segunda maior do planeta), o que, além de comprometer o crescimento econômico, extingue empregos e empresas.  

O ‘pódio’ do ranking das modalidades mais utilizadas pelas famílias é formado pelo cartão de crédito (84,6%), seguido pelos carnês de loja (16,1%) e crédito pessoal (13,1%). Em março do ano passado, a taxa era de 77,1%.

Famílias de menor porte é que mais sofrem com endividamento

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destacou o fato de que “essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos nos pagamentos. É preciso garantir que o consumidor possa renegociar essas dívidas e recuperar seu fôlego financeiro.”

Já a entidade, em nota, assinala que “o dado reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo”.

Entre as causas estruturais do descalabro financeiro tupiniquim, a CNC explica que os juros básicos elevados, além de dificultarem, e muito, a quitação de débitos, e encarecerem os serviços essenciais, ‘empurram’ a população a utilizar o crédito como único meio disponível para completar o orçamento doméstico.  

Ajuste fiscal está na raiz da expansão de dívidas familiares

Como não resolveu o problema estrutural do ajuste fiscal, o governo federal agora cria um programa para financiar o endividamento e a inadimplência ‘paridos’ pela própria política monetária que fomenta: por meio do Desenrola 2.0, são oferecidas ‘condições’ para que o inadimplente quite suas dívidas contratadas até janeiro de 2026 e em atraso, no prazo de 90 dias a dois anos. A ‘fórmula’ inclui débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Outra ‘bondade’ do programa federal é a que aplica descontos, de 30% a 90%, sobre o valor principal das dívidas e limita os juros a 1,99% ao mês, nelas incidentes. Já aqueles trabalhadores com renda até cinco salários mínimos poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para fins de pagamento de débitos.

CNC condiciona queda do endividamento à flexibilização monetária

A despeito do reconhecimento federal, de que ‘o problema requer solução imediata’, a CNC, pragmática, entende que o endividamento continuará avançando até quanto os ‘efeitos da flexibilização monetária’ chegarem, efetivamente, ao consumidor final. No entanto, a perspectiva é de que o condicionante equilíbrio das contas públicas só ocorra após o atual mandato presidencial, conforme a vontade política da nova administração do país, no ano que vem. Por fim, o pacote de pretextos federais para o adiamento ‘sine die’ da redução substancial da Selic foi reforçado pelo conflito geopolítico no Oriente Médio e a decorrente alta do petróleo, maior vetor inflacionário, aqui e lá fora.

Isso posto, a última Ata do Copom (Comitê de Política Monetária) recomenda ‘cautela’ quando o assunto é ‘redução da Selic’. Cautela para autoridade monetária, paciência para os endividados, é o que resta.

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Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

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