Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba terá R$ 150 milhões, 5.100 m² e dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits em João Pessoa.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba, o CIQuanta, será instalado na Estação Ciência Cabo Branco, em João Pessoa, com mais de 5.100 metros quadrados de área construída e investimento de R$ 150 milhões. O projeto nasce de acordo de cooperação assinado em novembro de 2025 entre o MCTI, o Governo da Paraíba e o Suzhou Quantum Center, centro vinculado à CETC, uma das maiores estatais de tecnologia da China.
O CIQuanta vai abrigar dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits, equipamentos que precisam operar abaixo de 10 milikelvin, temperatura ligeiramente acima do zero absoluto, equivalente a cerca de -273°C. O cronograma prevê treinamento de pesquisadores brasileiros na China em junho e julho, chegada dos equipamentos em agosto e montagem concluída em outubro.
O vice-presidente da CETC-IQC, Xu Hai, afirmou que o objetivo é permitir que a Paraíba desenvolva seus próprios computadores quânticos com transferência de tecnologia. Se o cronograma for cumprido, João Pessoa passará a sediar os primeiros computadores quânticos operacionais da América Latina.
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Computação quântica na Paraíba pode colocar o Brasil em uma nova fase tecnológica
Computadores quânticos não são apenas máquinas convencionais mais rápidas. Eles operam com uma lógica física diferente, baseada na mecânica quântica, e podem resolver problemas que computadores tradicionais levariam tempo impraticável para enfrentar.
Um computador convencional usa bits, que assumem valor 0 ou 1. Já um computador quântico usa qubits, unidades capazes de representar múltiplos estados simultaneamente por meio da superposição. Dez qubits representam 1.024 estados, enquanto 100 qubits representam cerca de 1,27 trilhão de trilhões de estados ao mesmo tempo.
Essa capacidade torna a computação quântica estratégica para áreas como inteligência artificial, novos fármacos, agricultura de precisão, criptografia, otimização financeira, logística e materiais avançados. O diferencial não está em acelerar qualquer tarefa comum, mas em abrir novas possibilidades para problemas científicos e industriais complexos.
Brasil terá acesso físico a computadores quânticos pela primeira vez na América Latina
Até agora, o acesso a computadores quânticos operacionais estava concentrado em poucos países, como Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha e Holanda. Pesquisadores brasileiros dependiam de plataformas estrangeiras de acesso remoto, geralmente controladas por empresas ou instituições fora do país.
Esse modelo impõe limitações de tempo de uso, latência, filas de acesso e dependência de autorização externa. O CIQuanta muda esse cenário ao trazer equipamentos físicos para solo brasileiro, com operação permanente e acesso remoto para universidades e centros de pesquisa nacionais.
A diferença é estratégica. Não se trata apenas de usar uma máquina estrangeira pela internet, mas de criar infraestrutura própria para formar pesquisadores, desenvolver algoritmos quânticos e construir conhecimento tecnológico dentro do Brasil.
Paraíba já foi pioneira em computação no Nordeste e agora mira liderança quântica
A escolha da Paraíba para sediar o CIQuanta tem relação com um histórico de pioneirismo tecnológico. Em 1968, o estado foi o primeiro do Nordeste a receber um computador mainframe, o IBM 1130, instalado em Campina Grande.
A partir desse marco, a região consolidou uma base acadêmica forte em engenharia, ciência da computação e tecnologia. A Universidade Federal de Campina Grande, a UFCG, tornou-se uma das instituições brasileiras mais reconhecidas nessas áreas.
O físico Amílcar Queiroz, professor da UFCG e presidente da Fapesq, foi o principal articulador técnico do projeto. Segundo ele, o centro deve gerar soluções em novos fármacos, agricultura de precisão, otimização financeira e materiais avançados, além de formar pessoas para desenvolver algoritmos, aplicações de mercado e melhorias de hardware.
Dois computadores quânticos de 20 e 100 qubits terão funções diferentes no CIQuanta
O computador quântico de 20 qubits será voltado a aplicações educacionais, pesquisa exploratória e desenvolvimento inicial de software quântico. Para estudantes e pesquisadores que ainda estão entrando na área, essa máquina permitirá testar algoritmos reais e compreender a lógica da computação quântica em ambiente operacional.
O equipamento de 100 qubits terá maior potencial científico e poderá ser usado em problemas mais próximos da fronteira tecnológica. Entre as aplicações estão simulações moleculares, pesquisas em criptografia pós-quântica, otimização de portfólios financeiros e modelagem de materiais.
Os chips desses computadores precisam operar abaixo de 10 milikelvin. Para atingir essa temperatura extrema, os sistemas usam criostatos de diluição com hélio-3 e hélio-4, capazes de resfriar os qubits a níveis mais frios que o espaço interestelar.
Transferência de tecnologia chinesa é o ponto central do acordo do CIQuanta
A parte mais estratégica do acordo entre Paraíba, MCTI e CETC-IQC não é apenas a chegada dos computadores. É a transferência de tecnologia, descrita pelo vice-presidente Xu Hai como algo incomum em contratos desse tipo.
Historicamente, muitos acordos tecnológicos firmados pelo Brasil com empresas estrangeiras entregaram equipamentos, manuais e treinamento operacional, mas não permitiram domínio real da tecnologia. No caso do CIQuanta, a promessa é ir além da operação básica.
O secretário Cláudio Furtado afirmou que a transferência permitirá à Paraíba desenvolver seus próprios computadores quânticos. Se essa etapa avançar de fato, o projeto deixará de ser apenas importação de equipamento e poderá se tornar base para autonomia tecnológica brasileira.
Pesquisadores brasileiros serão treinados no Suzhou Quantum Center antes da operação em João Pessoa
O cronograma prevê que pesquisadores brasileiros viajem para o Suzhou Quantum Center, na China, em junho e julho de 2026. O treinamento deve envolver operação dos equipamentos, desenvolvimento de algoritmos, melhoria de hardware e criação de aplicações de mercado.
A operação do CIQuanta será em regime 24 horas por dia, 7 dias por semana, com administração compartilhada entre os governos estadual e federal. O acesso remoto permitirá que universidades e centros de pesquisa de todo o país utilizem a infraestrutura instalada em João Pessoa.
O professor Amílcar Rabelo, coordenador adjunto do projeto e pesquisador da UFCG, afirmou que pesquisadores e estudantes poderão acessar remotamente os primeiros computadores quânticos da América Latina. Isso pode ajudar a criar uma cultura nacional em computação, comunicação e tecnologias quânticas.
Acordo Brasil-China em computação quântica ocorre em meio à disputa tecnológica global
O acordo entre Brasil e China acontece em um contexto de disputa internacional por tecnologias críticas. A computação quântica é uma das áreas mais estratégicas do século XXI, com aplicações civis, industriais, científicas e também de segurança.
Estados Unidos lideram parte do setor com empresas como IBM, Google e IonQ, mas oferecem principalmente acesso remoto controlado, sem transferência ampla de conhecimento ou instalação física de máquinas em países como o Brasil. A China, por meio da CETC-IQC, oferece ao CIQuanta equipamentos em solo brasileiro e treinamento técnico.
Esse contexto torna o projeto relevante e sensível ao mesmo tempo. O Brasil busca reduzir dependência tecnológica, mas precisará garantir que a parceria com a China gere capacidade própria, e não apenas uma nova forma de dependência externa.
Computação quântica pode impactar fármacos, agricultura, finanças e segurança digital no Brasil
Com os dois computadores quânticos operacionais, pesquisadores brasileiros poderão avançar em simulação molecular para novos medicamentos, inclusive voltados a doenças tropicais que afetam o país. Essa aplicação é uma das mais promissoras da computação quântica.
Na agricultura de precisão, algoritmos quânticos podem ajudar a otimizar variáveis de manejo, considerando solo, clima, irrigação, logística, insumos e produtividade. Para um país agrícola como o Brasil, essa conexão entre tecnologia de fronteira e produção no campo tem relevância direta.
Na área financeira, o CIQuanta pode apoiar modelos de portfólio, risco e otimização. Em segurança digital, a criptografia pós-quântica será cada vez mais importante para bancos, governo, defesa, telecomunicações e infraestrutura crítica.
CIQuanta será integrado à rede nacional de computação avançada e inteligência artificial
A Portaria nº 9.445/2025 do MCTI regulamentou o Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho e criou os Cenapad-IA, Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho em Inteligência Artificial.
A integração do CIQuanta a essa rede pode conectar computação quântica, inteligência artificial e processamento de alto desempenho em uma infraestrutura nacional de pesquisa. Isso amplia o alcance do centro para além da Paraíba.
Universidades federais do Ceará, Pernambuco, Maranhão e outros estados poderão acessar os computadores quânticos remotamente. João Pessoa pode se tornar um hub nacional de computação quântica, inteligência artificial e pesquisa aplicada.
O desafio será transformar computadores quânticos em pesquisa, formação e indústria
A instalação dos computadores será apenas o primeiro passo. O verdadeiro teste do CIQuanta será formar pesquisadores, criar programas de acesso, produzir estudos relevantes, desenvolver algoritmos e atrair empresas interessadas em aplicações reais.
Computadores quânticos de 20 e 100 qubits não resolvem sozinhos os gargalos científicos e industriais do Brasil. Eles precisam ser acompanhados por financiamento contínuo, governança técnica, segurança digital e integração com universidades e setor produtivo.
O Brasil está perto de receber uma infraestrutura inédita na América Latina. A pergunta agora é se o país conseguirá transformar o CIQuanta em política tecnológica de longo prazo ou se tratará a computação quântica apenas como mais uma entrega isolada de equipamento.


Só ouvi um lado, o outro lado ganha o que?
Um viva à China!
E mande USA tnc, sempre!
Vai você, sua mula ****!
Ótima Notícia. Muito Bom Pro Brasil