1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / A China testou em órbita algo que a Starlink não tem: um laser capaz de transmitir a 1 Gbps a partir do dobro da distância, com apenas 2 W de potência
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

A China testou em órbita algo que a Starlink não tem: um laser capaz de transmitir a 1 Gbps a partir do dobro da distância, com apenas 2 W de potência

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 25/03/2026 às 13:32
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
7 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

China alcança 1 Gbps em órbita GEO com laser de baixa potência, usa correção óptica para vencer a atmosfera e abre uma via menos congestionada para a nova corrida da conectividade espacial

A China colocou a órbita GEO no centro da disputa por internet via satélite ao demonstrar uma conexão de 1 Gbps com uso de laser e potência muito baixa. O feito chama atenção porque ocorreu a cerca de 36.000 km da Terra, uma faixa orbital bem mais distante que a usada hoje pelas constelações mais populares.

Na prática, isso mexe com a lógica atual do setor. A corrida vinha se concentrando quase toda na órbita LEO, que opera mais perto do planeta e já reúne projetos de grande escala. Com o novo teste, a GEO volta ao radar como alternativa real para ampliar capacidade e reduzir pressão sobre o espaço mais congestionado.

GEO volta ao jogo com 36.000 km

A órbita GEO é usada há décadas em satélites de comunicação, mas sempre carregou limitações importantes para internet. Entre elas estão a latência mais alta, menor largura de banda e maior dificuldade para manter a qualidade do sinal ao atravessar a atmosfera.

Esses obstáculos ajudaram a transformar a órbita LEO na favorita para conexões rápidas. Mesmo assim, a demonstração chinesa mostra que a GEO pode ganhar novo papel, principalmente se técnicas de correção óptica conseguirem manter estabilidade e velocidade em distâncias muito maiores.

Tipos de órbitas de satélites ao redor da Terra: a imagem compara três regiões orbitais principais. LEO (Órbita Baixa da Terra) está entre 500 e 2.000 km, sendo ideal para observação da Terra e aplicações que exigem baixa latência. MEO (Órbita Média da Terra) varia de 8.000 a 20.000 km, comumente utilizada em sistemas de navegação e telecomunicações. GEO (Órbita Geoestacionária) fica a 35.786 km, onde os satélites permanecem aparentemente fixos sobre um mesmo ponto do planeta, sendo essencial para comunicações e monitoramento meteorológico.

Teste alcança 1 Gbps com apenas 2 W

O dado que mais chama atenção é a potência usada no feixe de transmissão. Foram apenas 2 W, nível muito baixo para um experimento desse porte, o que sugere um caminho mais eficiente para comunicação de alta velocidade entre satélite e solo.

Esse resultado não significa que todo o sistema consuma só isso, mas indica que o enlace por laser pode operar de forma bastante econômica. Para um setor que depende de escala, energia e cobertura, essa combinação tem peso estratégico.

Correção óptica muda a leitura do experimento

O avanço dependeu da compensação das distorções causadas pela atmosfera. Esse efeito costuma desviar o sinal e reduzir desempenho, principalmente em longas distâncias. A correção com óptica terrestre e ajustes por algoritmo aparece como peça central para manter a comunicação estável.

Segundo SCMP, jornal de Hong Kong com cobertura internacional de tecnologia, os pesquisadores chineses usaram estudos sobre distorção atmosférica e refração para ajustar o feixe e sustentar a taxa de 1 Gbps em condições que antes pareciam pouco viáveis para esse tipo de conexão.

Saturação da órbita LEO pressiona o setor

A disputa por internet via satélite segue acelerada na órbita LEO. Projetos como Starlink, Amazon Kuiper e IRIS² reforçam a corrida por espaço, cobertura e clientes, enquanto novos operadores também buscam presença nas faixas mais baixas da órbita terrestre.

Esse movimento amplia o risco de saturação. Quanto mais satélites em operação, maior a pressão sobre gestão orbital, coordenação e sustentabilidade do sistema. Por isso, qualquer solução viável fora da LEO ganha valor imediato dentro da estratégia global do setor.

GEO pode virar rota complementar para grandes redes

A demonstração chinesa não elimina a importância da LEO, mas sugere um modelo complementar. Em vez de depender só de milhares de satélites em órbitas mais baixas, o mercado pode passar a considerar arquiteturas com funções distribuídas entre diferentes altitudes.

Se a tecnologia escalar, a órbita GEO pode oferecer cobertura ampla com menos saturação e abrir nova frente para infraestrutura espacial. Isso reposiciona a disputa por conectividade global e muda a leitura estratégica.

A experiência chinesa reforça que o futuro da internet via satélite não depende apenas de lançar mais unidades ao espaço. A eficiência da transmissão, a correção do sinal e o uso inteligente das órbitas passam a pesar tanto quanto o tamanho da constelação.

Com 1 Gbps, 2 W e operação a 36.000 km, a China coloca uma alternativa concreta sobre a mesa. Se esse caminho avançar em escala comercial, a disputa espacial entra em nova fase e pressiona a região.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x