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A China escolheu o ponto mais estratégico do planeta para instalar sua primeira base militar no exterior: o Djibuti controla o estreito por onde passam petróleo, mercadorias e as rotas que conectam três continentes ao mesmo tempo

Publicado em 09/04/2026 às 13:09
Atualizado em 09/04/2026 às 13:11
A China investiu 500 milhões de dólares na sua primeira base militar fora da Ásia. O Djibuti controla a rota por onde passa um quarto do comércio marítimo global.
A China investiu 500 milhões de dólares na sua primeira base militar fora da Ásia. O Djibuti controla a rota por onde passa um quarto do comércio marítimo global.
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A China consolidou sua primeira base militar no exterior no Djibuti, no Chifre da África, junto ao Estreito de Bab el-Mandeb, com investimento superior a US$ 500 milhões, um cais capaz de receber porta-aviões e 2 mil soldados permanentes, a 11 quilômetros da principal instalação americana na região.

A China escolheu o ponto mais estratégico do planeta para instalar sua primeira base militar fora do território asiático. A instalação fica no Djibuti, um país minúsculo no Chifre da África que controla o acesso ao Estreito de Bab el-Mandeb, o corredor marítimo que conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez. Mais de um quarto de todo o comércio marítimo global passa por esse estreito. Quem controla Bab el-Mandeb controla uma artéria vital da economia mundial.

A base da China começou a operar em 2017 e representou uma mudança histórica na política militar chinesa. Segundo informações do portal Cronista, o investimento total superou US$ 500 milhões, segundo diferentes relatórios especializados. A instalação ocupa aproximadamente 0,5 quilômetro quadrado e possui infraestrutura que vai muito além de um simples centro logístico. Um cais de águas profundas com mais de 330 metros, capaz de receber porta-aviões e submarinos, uma pista operacional com torre de controle, plataforma para helicópteros e armazéns subterrâneos de alta capacidade. E tudo isso a apenas 11 quilômetros da principal base militar dos Estados Unidos no país, o Camp Lemonnier.

Por que a China escolheu o Djibuti para sua base militar

Militares chineses na base de Djibuti
imagem: elpais

Não há acidente na escolha do Djibuti. O país, apesar de ser um dos menores da África, é paradoxalmente um dos mais importantes do planeta em termos estratégicos. Ele está posicionado exatamente na conexão entre três continentes: África, Ásia e Europa.

O Estreito de Bab el-Mandeb, que o Djibuti controla, é um dos corredores marítimos mais transitados do mundo, fundamental para o transporte de petróleo e energia, mercadorias entre Ásia e Europa e as principais rotas comerciais do Mar Vermelho.

A China assinou um acordo de defesa com o Djibuti em 2014, que facilitou o uso dos portos locais pela Marinha chinesa. Em 2016, começou a construir as “instalações de apoio” no Golfo de Tadjoura, perto do porto multiuso de Doraleh, operado por empresas chinesas.

O contrato prevê arrendamento por dez anos, com pagamento anual estimado em US$ 20 milhões. Integrada à Rota da Seda Marítima, a base da China funciona também como respaldo militar das suas investidas em portos, ferrovias e obras de infraestrutura em toda a África.

O que existe dentro da base da China no Djibuti

A instalação da China no Djibuti não é um acampamento provisório. Segundo relatórios do Departamento de Defesa dos Estados Unidos ao Congresso americano, a base inclui quartel, instalação subterrânea, pista de pouso, hangares para drones e helicópteros e um cais capaz de acomodar porta-aviões, grandes navios de combate e submarinos.

Um batalhão de fuzileiros navais da China, com aproximadamente 400 soldados, está baseado no local, embora estimativas apontem para até 2 mil militares permanentes.

Inicialmente apresentada ao público como parte de complexos civis, a instalação foi expandida para incluir capacidades navais.

A China havia negado que estivesse em negociações para uma base militar até que a construção começou em 2016.

O Pentágono avalia que a base amplia as capacidades expedicionárias do exército chinês e permite projeção de poder além do Pacífico Ocidental. A China também tentou restringir o espaço aéreo sobre a base, segundo relatórios do Departamento de Defesa americano.

O território mais militarizado do mundo: quem mais está no Djibuti

O caso do Djibuti é singular porque, apesar do tamanho minúsculo, o país se tornou um dos pontos de militarização mais intensos do planeta.

Dentro de suas fronteiras coexistem bases de diferentes potências mundiais. Além da China, os Estados Unidos, a França, o Japão e a Itália mantêm presença militar na região. Essa concentração reflete a importância do local: controlar ou vigiar Bab el-Mandeb significa ter capacidade de resposta ante crises no Oriente Médio, proteger rotas energéticas e monitorar o comércio entre Europa e Ásia.

O Camp Lemonnier, base dos Estados Unidos no Djibuti, é a sede do Comando de África do exército americano e fica a apenas 11 quilômetros da instalação da China.

Essa proximidade gera tensão constante. Membros do Congresso americano e autoridades do Pentágono monitoram de perto a presença chinesa, especialmente pela localização estratégica do Djibuti e pela dívida que o país africano acumulou com a China.

O Djibuti é um dos poucos países do mundo que abriga bases de várias potências ao mesmo tempo, o que explica seu peso desproporcional no tabuleiro geopolítico global.

A estratégia maior da China além do Djibuti

A base no Djibuti não é um caso isolado. Ela faz parte de uma estratégia de longo prazo da China para se tornar uma força militar global capaz de projetar poder longe de suas costas.

O Pentágono avaliou, em relatórios ao Congresso, que a China busca expandir sua infraestrutura de logística e bases no exterior para permitir que seu exército projete e sustente poder militar a distâncias cada vez maiores.

Já há especulações sobre uma segunda base naval da China na costa atlântica da África, com Guiné Equatorial, Angola e Namíbia entre as localizações mencionadas.

A África sozinha abriga mais de 10 mil empresas chinesas, um milhão de imigrantes chineses e aproximadamente 260 mil trabalhadores, a maioria ligada a projetos da Rota da Seda. A presença da China no Djibuti é a face militar de uma estratégia que combina investimentos econômicos, diplomaáticos e de segurança.

Em 2015, a base no Djibuti já demonstrou sua utilidade quando a China evacuou 621 cidadãos chineses e 279 estrangeiros de 15 países do Iêmen, durante o recrudescimento do conflito iemenita. Desde então, a instalação só cresceu em tamanho e capacidade.

A China está reescrevendo o mapa militar do mundo?

Uma base de US$ 500 milhões, um cais para porta-aviões, 2 mil soldados permanentes e uma localização que controla uma das rotas mais importantes do comércio global.

A China plantou sua bandeira no ponto exato onde África, Ásia e Europa se encontram, a poucos quilômetros da principal base americana na região. O que parecia impensável há duas décadas já é realidade.

E você, acha que a presença militar da China fora da Ásia muda o equilíbrio de poder no mundo? Isso te preocupa ou é apenas uma questão entre potências?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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