1. Início
  2. / Construção
  3. / A China desafiou o improvável ao investir dezenas de bilhões de dólares para erguer uma cidade inteira no deserto da Mongólia, urbanizou mais de 350 km² com avenidas monumentais, arranha-céus e infraestrutura projetada para mais de 1 milhão de habitantes; mas acabou virando uma ‘cidade fantasma’
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 17 comentários

A China desafiou o improvável ao investir dezenas de bilhões de dólares para erguer uma cidade inteira no deserto da Mongólia, urbanizou mais de 350 km² com avenidas monumentais, arranha-céus e infraestrutura projetada para mais de 1 milhão de habitantes; mas acabou virando uma ‘cidade fantasma’

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 20/12/2025 às 19:55
Assista o vídeoNa Mongólia Interior, a China investiu bilhões para erguer uma cidade no deserto, urbanizando mais de 350 km² com infraestrutura para mais de 1 milhão de pessoas.
Na Mongólia Interior, a China investiu bilhões para erguer uma cidade no deserto, urbanizando mais de 350 km² com infraestrutura para mais de 1 milhão de pessoas.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
179 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Na Mongólia Interior, a China investiu bilhões para erguer uma cidade no deserto, urbanizando mais de 350 km² com infraestrutura para mais de 1 milhão de pessoas.

Durante décadas, construir cidades inteiras em regiões desérticas sempre foi visto como economicamente arriscado. Falta de água, clima hostil, solos frágeis e alto custo de infraestrutura costumam inviabilizar projetos desse porte. Ainda assim, no início dos anos 2000, a China decidiu fazer exatamente isso: erguer uma nova cidade do zero em pleno deserto da Mongólia Interior. O projeto Ordos Kangbashi não nasceu pequeno. Ele foi planejado para funcionar como novo centro administrativo, financeiro e residencial, capaz de absorver mais de 1 milhão de habitantes em uma região até então dominada por áreas semiáridas e baixa densidade populacional.

O nome do projeto: Ordos Kangbashi

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A cidade é Ordos Kangbashi, distrito planejado da cidade de Ordos, na Região Autônoma da Mongólia Interior. O empreendimento ganhou notoriedade internacional por sua escala e pela velocidade com que foi construído.

Mais de 350 km² foram urbanizados, com avenidas largas, bairros residenciais completos, centros administrativos, museus, bibliotecas, hospitais e zonas comerciais, tudo implantado em poucos anos.

Dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura pesada

O investimento total envolvido no projeto é estimado em dezenas de bilhões de dólares, considerando obras viárias, redes de água, energia, esgoto, edifícios públicos e habitação.

A base financeira veio principalmente da arrecadação regional com mineração de carvão e gás natural, atividades que tornaram Ordos uma das cidades mais ricas da China em renda per capita no auge do boom energético.

Esses recursos permitiram algo raro: construir primeiro, ocupar depois.

Engenharia urbana em ambiente hostil

O desafio técnico era enorme. O solo da região apresenta áreas arenosas e instáveis, exigindo tratamento de base, compactação e fundações profundas em muitos trechos.

A pavimentação das avenidas e a implantação de edifícios de grande porte demandaram soluções de engenharia similares às usadas em zonas desérticas do Oriente Médio.

Além disso, o clima extremo, com invernos rigorosos e verões secos, exigiu sistemas urbanos capazes de operar em ampla variação térmica.

Água: o maior gargalo do projeto

Nenhuma cidade nasce no deserto sem resolver o problema da água. Em Ordos Kangbashi, o abastecimento depende de captação controlada de recursos hídricos regionais, sistemas de reservatórios, reuso e transferência de água de áreas próximas.

A gestão hídrica se tornou elemento central do planejamento urbano, pois sem ela a ocupação em larga escala seria inviável.

Arranha-céus, avenidas e bairros inteiros antes das pessoas

Um dos aspectos mais impressionantes do projeto foi a ordem dos fatores. Arranha-céus residenciais, prédios públicos monumentais e vias expressas foram construídos antes da chegada em massa da população.

Isso criou a imagem de uma “cidade vazia”, frequentemente retratada pela mídia internacional. No entanto, do ponto de vista técnico, a cidade funcionava exatamente como planejado: infraestrutura pronta aguardando ocupação progressiva.

Capacidade projetada para mais de 1 milhão de habitantes

O plano urbano previa uma população superior a 1 milhão de moradores, distribuídos em bairros densos, com transporte, serviços e áreas públicas. Essa escala exigiu dimensionamento antecipado de redes elétricas, saneamento, mobilidade e equipamentos urbanos.

Poucas cidades no mundo foram planejadas para crescer dessa forma, com praticamente toda a infraestrutura implantada antes da demanda real.

O choque entre planejamento e realidade demográfica

Apesar da grandiosidade, a ocupação inicial foi lenta. A migração populacional não acompanhou o ritmo das obras, e Ordos Kangbashi se tornou símbolo de um modelo urbano baseado em crescimento projetado, não orgânico.

Com o tempo, no entanto, a população começou a aumentar, impulsionada por políticas de realocação, expansão administrativa e preços imobiliários mais acessíveis.

Uma cidade que existe, mesmo quando parece vazia

Tecnicamente, Ordos Kangbashi nunca foi uma “cidade fantasma”. Os sistemas funcionam, os prédios são habitados, os serviços operam. O que chama atenção é o descompasso entre a escala da infraestrutura e a densidade populacional real.

Do ponto de vista da engenharia e do urbanismo, o projeto permanece como um dos maiores experimentos de urbanização em ambiente desértico já realizados.

O caso de Ordos Kangbashi levanta questões importantes sobre o futuro das cidades: até que ponto é viável criar centros urbanos gigantes antes da demanda existir? E até onde a engenharia consegue sustentar cidades em regiões naturalmente hostis?

Independentemente das críticas, o fato é que a China conseguiu algo raro: transformar centenas de quilômetros quadrados de deserto em cidade funcional, com infraestrutura completa, edifícios monumentais e capacidade para mais de um milhão de pessoas.

Um laboratório urbano em escala real

Ordos Kangbashi não é apenas uma cidade. É um laboratório urbano, onde engenharia, planejamento estatal e ambição econômica se encontram. Assim como o Kuwait transformou deserto em oásis urbano à beira-mar, a China tentou fazer o mesmo em pleno interior continental.

O resultado é uma das experiências urbanas mais ousadas do século XXI e um lembrete de que, quando há recursos e engenharia, até o deserto pode virar cidade.

Inscreva-se
Notificar de
guest
17 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Pak
Pak
25/12/2025 18:59

It’s not entirely a “ghost town”. When it was completed after a few years the population was 20 to 30 thousand. Not the million it can support but by 2025 population rose to 130 thousand and slowly growing.

Diane Ra De Baun
Diane Ra De Baun
25/12/2025 18:30

Chinese are always ahead of the game whatever you think of them. Look what they’re doing with the deserts. Also solar energy. Well it is an ancient and amazing culture. It’s not perfect but then again, look at the United States or should I say America because it’s definitely not United hopefully it will be at some point once again make America United again cuz it’s definitely not making America great just the opposite. Of course if it was up to the president he could get rid of the whole other party who he calls evil. So I don’t think we can really talk about Xi ping the president or prime minister of China at this point!

Tm mt
Tm mt
Em resposta a  Diane Ra De Baun
28/12/2025 01:06

Seems last president allowed millions of unvented people in , allowed statues of American history destroyed, allowed inflation to spike , allowed the energy sectors prices including gas to spike,allowed a machine to pardon people’s crimes b4 charges were even brought…….T.D.S.

Rob
Rob
22/12/2025 21:22

A one million population city sounds big to those of us who live in the west, but in China it’s a small town.
Whilst some criticise Chinese policy, western cities are littered with people living in tents or in cardboard boxes.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
17
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x