A Aneel aprovou nesta quarta-feira (22) uma série de reajustes tarifários que vão encarecer a conta de luz de cerca de 22 milhões de consumidores em São Paulo, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Sergipe. O maior impacto para residências foi registrado na CPFL Santa Cruz, com alta de 17,86%, impulsionada pelo aumento nos custos de transmissão e encargos setoriais.
A conta de luz vai ficar mais cara para milhões de brasileiros a partir desta semana. A Aneel aprovou nesta quarta-feira uma série de reajustes e revisões tarifárias que atingem consumidores de sete estados, com altas que variam conforme a distribuidora e o perfil do cliente. Os índices foram impulsionados principalmente pelo aumento nos custos de transmissão, pela elevação no preço de compra de energia e pelo crescimento dos encargos setoriais que compõem a tarifa paga pelo consumidor final.
O cenário marca o retorno das pressões tarifárias após 2025, ano que registrou reduções ou altas moderadas em diversas concessões. Os estados afetados são São Paulo, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os novos valores entram em vigor após a publicação do despacho pela Aneel e já se refletem nas próximas faturas. Para os consumidores residenciais, o impacto varia de 3,74% no Rio Grande do Norte a 17,86% na área de atendimento da CPFL Santa Cruz, em São Paulo.
Quanto vai subir a conta de luz em São Paulo
Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, São Paulo concentra os maiores reajustes aprovados pela Aneel nesta rodada. A CPFL Paulista, sediada em Campinas, atende 5,12 milhões de clientes e teve alta média aprovada de 12,13%. Para a indústria e empresas conectadas em alta tensão, o aumento é de 18,75%, enquanto para residências e pequenos comércios a elevação média fica em 9,25%. Os números mostram que o setor produtivo será o mais afetado pela revisão tarifária da Paulista.
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A CPFL Santa Cruz, que atende cerca de 528 mil clientes, apresentou a maior alta para consumidores residenciais entre todas as distribuidoras avaliadas. O reajuste para a baixa tensão foi de 17,86%, o que significa que uma família que pagava R$ 200 de conta de luz passará a pagar aproximadamente R$ 236 a partir da vigência das novas tarifas. A alta média geral da Santa Cruz ficou em 15,12%, impulsionada pelos mesmos fatores que pressionaram as demais concessionárias.
O impacto nos estados do Nordeste e Centro-Oeste
Na Bahia, a Neoenergia Coelba atende 6,92 milhões de unidades consumidoras e teve reajuste médio de 5,85%. Para residências, a alta será de 3,93%, uma das menores entre os estados afetados, embora a alta tensão tenha registrado aumento de 10,21%, pressionando indústrias e grandes estabelecimentos comerciais. O Ceará, com 4,11 milhões de clientes da Enel, terá alta média de 5,78%, sendo 4,67% para a baixa tensão e 9,61% para a alta.
No Centro-Oeste, a Energisa Mato Grosso, que atende 1,73 milhão de consumidores em Cuiabá e região, teve alta média de 6,86%. As residências terão elevação de 5,27%, enquanto a indústria enfrentará reajuste de 10,42%. No Mato Grosso do Sul, a Energisa de Campo Grande atende 1,17 milhão de unidades e teve alta equilibrada: 12,39% para alta tensão e 11,98% para baixa tensão, com média de 12,11%.
Rio Grande do Norte e Sergipe completam a lista de estados afetados
No Rio Grande do Norte, os 1,59 milhão de clientes da Neoenergia Cosern terão alta média de 5,40%. Para residências e pequenos comércios, o impacto será de 3,74%, o menor entre todos os estados da lista. A alta tensão, no entanto, terá reajuste de 10,90%, mostrando que o padrão de pressão maior sobre o setor industrial se repete em praticamente todas as concessões avaliadas pela Aneel.
Em Sergipe, os 919 mil consumidores da Energisa enfrentarão alta média de 6,86%. A indústria será a mais afetada, com elevação de 12,36%, enquanto os clientes residenciais terão reajuste de 5,24%. Apesar de o percentual para residências ser moderado em comparação com São Paulo, o impacto é proporcionalmente mais pesado em um estado com renda média inferior, onde a conta de luz representa fatia maior do orçamento familiar.
O que está por trás dos aumentos aprovados pela Aneel
Os reajustes não são arbitrários. A Aneel segue uma metodologia que considera os custos reais de operação das distribuidoras, incluindo o preço da energia comprada no mercado regulado, os custos de transmissão, os encargos setoriais e os investimentos realizados na rede de distribuição. Quando esses custos sobem, a tarifa é reajustada para manter o equilíbrio econômico-financeiro das concessões, garantindo que as empresas continuem operando e investindo na expansão e manutenção do sistema elétrico.
O problema para o consumidor é que essa lógica nem sempre se traduz em melhoria perceptível no serviço. Apagões, quedas de tensão e demora no atendimento continuam sendo queixas frequentes em diversas áreas de concessão, e o aumento da conta de luz sem melhora correspondente na qualidade alimenta a insatisfação. A Aneel afirma que os reajustes incluem componentes de investimento obrigatório que devem se reverter em melhorias nos próximos ciclos tarifários.
Você está entre os 22 milhões de consumidores que vão pagar mais caro na conta de luz, ou mora em um estado que escapou desta rodada de reajustes? Conte nos comentários quanto paga de energia e se acha que os aumentos da Aneel são justificáveis diante da qualidade do serviço que recebe.

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